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terça-feira, 22 de julho de 2014

A dependência dos livros - edição Julho de 2014


Julho foi um mês cheio de boas notícias para os viciados em comprar livros. Tudo começou com uma promoção da Presença, em que nos devolviam 100% do valor que gastássemos em encomendas. E foi assim que comprei o volume que me faltava da Trilogia USA do John dos Passos e ainda encomendei, totalmente grátis, “A Balada do Café Triste” de Carson McCullers e o 1º volume da poesia da Florbela Espanca.

Como habitualmente, também a Wook e a Fnac nos presentearam com excelentes oportunidades, a primeira com uma selecção celestial de livros para o Verão (da qual veio “o “A Consciência de Zeno” a menos de 5€), e a segunda com livros da Relógio D’Água a metade do preço (finalmente Turguéniev entra na minha biblioteca!).

Mas nem só de promoções viveu este mês. Tivemos também a edição comemorativa em papel da Blimunda, que se pode caracterizar como algo entre a perfeição e a inexistência de defeitos. E, só para terminar em beleza, tive a melhor visita à Fyodor Books de sempre, que me valeu dois livros da Marguerite Duras (“Os Insolentes” e “A Vida Material”), “O Arco-Íris” de D. H. Lawrence, “Gente de Terceira Classe” de José Rodrigues Miguéis e “Olhos Verdes” de Luísa Costa Gomes. Todos em capa dura, todos por 10€.

Aqui fica a lista completa das compras de um mês em cheio:

Blimunda – Número Especial”, Fundação José Saramago
A Consciência de Zeno” de Italo Svevo, Dom Quixote
A Longa Vida de Marianna Ucria” de Dacia Maraini, Vega
A Procura do Amor” de Nancy Mitford, Cotovia
“O Arco-Íris” de D. H. Lawrence, Círculo de Leitores
“Os Insolentes” de Marguerite Duras, Círculo de Leitores
“A Vida Material” de Marguerite Duras, Círculo de Leitores
“Gente de Terceira Classe” de José Rodrigues Miguéis, Círculo de Leitores
“Olhos Verdes” de Luísa Costa Gomes, Público (Colecção Mil Folhas)
A Balada do Café Triste” de Carson McCullers, Presença
Pais e Filhos” de Ivan Turguéniev, Relógio D’Água
Obra Poética – Volume I” de Florbela Espanca, Presença

Paralelo 42” de John dos Passos, Presença

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cheiro a livro novo - Abril, Maio, Junho e Julho 2014


Ando a dever-vos, já há algum tempo, uma actualização relativamente a novidades editoriais. Passemos então em revista os últimos meses, mesmo a tempo das férias de Verão e de algumas compras de última hora.

Não será certamente surpresa que, na minha opinião, o grande lançamento editorial dos últimos meses nos chegou pelas mãos da Relógio D’Água que decidiu, finalmente, pegar na obra de Marguerite Duras e, duma vez só, editar “Moderato Contabile” e “Olhos Azuis, Cabelo Preto”. Infelizmente são dois livros que já tenho na minha biblioteca, mas é sempre bom ver Duras a voltar às livrarias.

Não satisfeita com este lançamento, a Relógio D’Água tem submergido os seus leitores numa torrente de grandes livros: os volumes VIII e IX dos contos de Tchékhov, “A Morte de Virgílio” de Hermann Broch num único volume, “Ressurgir” de Margaret Atwood e “Falsos Segredos” da Prémio Nobel Alice Munro, só para referir os principais. Com um conjunto de livros como este a Relógio D’Água continua a melhorar um catálogo que é de longe o melhor em Portugal. E a concorrência não parece ter pernas para acompanhá-la…

A Porto Editora, como já vos disse anteriormente, tem estado focada em Saramago, com as novas edições de alguns dos seus livros e também com a publicação de “Lanzarote – A Janela de Saramago”, que reúne fotos de João Francisco Vilhena com excertos dos “Cadernos de Lanzarote”. E, assinalando os quatro anos da morte de Saramago e os dois anos da revista online Blimunda, a Fundação José Saramago preparou uma belíssima edição especial em papel da Blimunda que reúne alguns dos principais artigos publicados nestes dois anos, assim como um artigo original. Eu já tenho a minha e digo-vos que vale mesmo a pena!

E por falar em coisas que valem mesmo a pena, os últimos meses da Tinta-da-China foram marcados por uma autora (e não, não estou a falar da Matilde Campilho). Depois do lançamento do inacreditavelmente bom “Tudo São Histórias de Amor”, tivemos Dulce Maria Cardoso em dose tripla, com os dois primeiros números da colecção juvenil “A Bíblia de Lôá” – “Lôá e a Véspera do Primeiro Dia” e “Lôá Perdida no Paraíso” – genialmente ilustrados por Vera Tavares e uma nova edição de “O Chão dos Pardais”, romance que valeu à autora o Prémio PEN Club em 2009. Para além disso, consta que vem aí uma nova edição de “Jacques, O Fatalista” de Denis Diderot, um dos grandes títulos da colecção de humor organizada por Ricardo Araújo Pereira. Praise the lord!

A Dom Quixote recuperou algum do seu vigor depois de meses de absoluto tédio. E assim chegaram até nós “Os Factos” de Philip Roth, o terceiro volume das “Obras Completas” de Urbano Tavares Rodrigues, “Contos Maravilhosos” do Prémio Nobel Hermann Hesse e o clássico “O Leopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa.

A Cavalo de Ferro apostou num Prémio Nobel pouco explorado em Portugal e publicou o ensaio “Massa e Poder” de Elias Canetti, continuando também a publicação de obras de Julio Cortázar com o volume de contos “As Armas Secretas”, preparando as comemorações do centenário do seu nascimento.

E terminemos em português, com a Quetzal, que nos trouxe uma nova edição de “Ernestina” de Rentes de Carvalho e um novo livro de José Eduardo Agualusa, “A Rainha Ginga”, que conta a história de uma mítica heroína Angolana.

Esperam-nos agora meses calmos até à rentrée em Setembro/Outubro, um dos pontos altos editoriais do ano. Pode ser que entretanto a Ahab regresse à vida, depois do destaque que teve no ano passado com a promessa de publicar em Portugal "A Minha Luta" de Karl Ove Knausgård e de, entretanto, não ter editado livro nenhum.

domingo, 30 de março de 2014

Cheiro a livro novo - Março de 2014


Março tem sido um mês interessante para os autores portugueses, com vários livros de grandes nomes a chegarem às livrarias. No espaço de poucas semanas a Tinta da China trouxe-nos “Tudo São Histórias de Amor” de Dulce Maria Cardoso, que reúne 12 contos de autora que, tendo em conta o desempenho na abertura da 1ª Granta portuguesa, prometem muito. Também a Sextante decidiu avançar com uma autora de peso e fez chegar às livrarias “Passagem” de Teolinda Gersão. E, como onde há duas há três, não é de estranhar que também a Dom Quixote tenha publicado um novo livro de Lídia Jorge, “Os Memoráveis”, mesmo a tempo das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, data também aproveitada pela Quetzal, que edita finalmente no nosso país “Portugal, a Flor e a Foice” de Rentes de Carvalho. Dois livros que se propõem rever os mitos do 25 de Abril. Uma verdadeira luta de editoras.

E por falar em luta de editoras, um dos grandes mistérios editoriais dos últimos tempos é a decisão da Relógio D’Água e da Presença (duas editoras em espectros profundamente opostos do mundo editorial, diga-se de passagem) de editarem em simultâneo “Doze Anos Escravo” de Solomon Northup. A sério?! Como se não houvesse livros suficientes no mundo para serem editados ou clássicos que há muito tempo desapareceram das livrarias. Sinto-me revoltado.

A Relógio D’Água prometia ter um mês interessante mas poucos livros viram para já a luz do dia, parecendo-me justo destacar “Sobre Literatura” de Umberto Eco. De resto, a Temas e Debates editou também este mês um ensaio sobre literatura que me parece muito interessante, “Génio - Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura" de Harold Bloom.

Para terminar, menção obrigatória à edição pela Presença de “Colheita” de Jim Crace, um dos finalistas da última edição do Man Booker Prize (que, a julgar pela capa, ninguém diria que não se trata de um livro de literatura light) e, pela Cavalo de Ferro, de “Gostamos Tanto da Glenda” de Julio Cortázar, um volume de contos nunca antes publicados em Portugal e que é um ponto de partida para as comemorações do centenário do autor, que se aproxima a passos largos.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Em estado crítico: "A Letra Encarnada" de Nathaniel Hawthorne


Uma cadeia, um cemitério e uma roseira brava. Assim começa Nathaniel Hawthorne a história de “A Letra Encarnada”. E, numa pequena descrição de duas páginas, o essencial é dito, sem ser necessário dizê-lo palavra por palavra: na história que nos vai ser contada haverá um crime, alguém morrerá e tudo terá uma motivação passional.

Mas porquê “A Letra Encarnada”? O que levou Hawthorne a escolher um título à partida pouco claro e desinteressante? A explicação está contida na própria história e no ângulo escolhido por Hawthorne para contá-la. A letra encarnada é o símbolo que Hester Prynne se vê condenada a utilizar cozido na roupa, junto ao coração, como pena por ter cometido um dos maiores pecados de acordo com a moralidade então vigente: ter engravidado sem ter junto a si o seu marido. Hester tinha sido enviada para o Novo Mundo pelo marido, que deveria segui-la, mas de quem não havia notícias há um par de anos. Pensando que o marido teria morrido, Hester cai na tentação de amar outro homem. O que ninguém sabe é que esse homem é o padre Arthur.

Mas então, com um tema tão sugestivo, para quê este título? Porque não “O Crime do Padre Arthur” ou “O Celibatário Pecador”, algo que chocasse consciências e atraísse leitores com o chamariz do proibido? A razão é simples. O livro de Hawthorne não tem objectivos moralizantes, pelo menos não no que diz respeito ao pecado de Hester e do Padre. Eça, em “O Crime do Padre Amaro”, queria expor a atitude hipócrita e libidinosa do clero. A mensagem de Hawthorne é outra. Apenas sentimos uma atitude de crítica do autor em relação à sociedade da época e à forma como julga os comportamentos de Hester. São as convenções sociais o principal focus de Hawthorne, mostrar o quão patéticas são, mas também o quão facilmente podem ser quebradas. E por isso temos a letra encarnada na capa, para não nos esquecermos disso.

As ignomínias vividas por Hester Prynne só o são porque assim estão catalogadas. Hester não é espancada, não lhe tiram a filha, não a prendem. O seu único castigo é um acto público de condenação e o símbolo que se vê obrigada a usar. Ninguém a impede de partir para outro lugar e deixar de usar a letra. O castigo só é eficaz porque Hester se avexa em parte pelos seus actos e reconhece no conhecimento público uma fonte de vergonha. Colocando tudo em perspectiva, é quase ridículo que a vida de uma pessoa seja arruinada por ter de usar uma letra encarnada bordada na roupa!

Hawthorne é de resto muito compreensivo com os actos de Hester e de Arthur, havendo no entanto críticas veladas a Arthur, pela boca de Pearl, a criança que nasceu da união proibida, que questiona a sua atitude de não a acarinhar em público como o faz em privado, o que implicaria arcar com a responsabilidade de ser seu pai. Essa é a maior falha de Arthur, o não assumir perante todos a cumplicidade com Hester no acto cometido, deixando-a pagar sozinha por tudo. Em momento nenhum o envolvimento sexual dos dois é apresentado como algo aviltante. Pelo contrário: num dos momentos altos da história, o capítulo em que Hester e Pearl se encontram com Arthur na floresta, equaciona-se um final feliz, e que seria a partida dos três para outro país ou para junto dos indígenas, consumando assim o amor que os une longe dos olhares de quem os poderia condenar.

Numa história em que uma mulher casada engravida de um padre seria de esperar que a mulher ou o padre assumissem o papel de vilão. Mas, a haver um vilão nesta história, será o marido traído, cuja degeneração se acentua à medida que se deixa consumir pela vingança, sem nunca conseguir assumir uma importância determinante para a história. Roger torna-se mais numa manifestação do sentimento de culpa de Arthur, numa sombra insignificante mas incómoda, que assombra todos os seus passos.

“A Letra Encarnada”, editado em Portugal pela Dom Quixote na colecção Biblioteca António Lobo Antunes, é um clássico e não o é por acaso. Nathaniel Hawthorne questiona moralidades, lança uma luz sobre as motivações humanas e propõem um caminho de compreensão. Seria fácil fazer de Hester uma personagem acanhada, conformada na sua desonra. Mas Hester empunha a sua letra encarnada de uma forma quase orgulhosa porque, se acha que o seu acto merece aquela punição, em certa medida também a encara como o símbolo do sentimento que a uniu a Arthur e que as pessoas que a condenam, fechadas que estão num mundo em que as liberdades individuais são limitadas por axiomas religiosos, nunca poderão sentir. E por isso a letra encarnada é bordada por ela com requinte, como se de um adorno se tratasse. Assim esse adorno não lhe tivesse dificultado tanto a vida…

Classificação: 18/20

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cheiro a livro novo - Fevereiro de 2014




E Fevereiro está a terminar e é altura de balanço. O frio que tem dominado as últimas semanas parece ter feito sentir os seus efeitos nas editoras que, para não gastarem muito calor, limitaram a sua acção ao essencial. Ou se estão a guardar os grandes lançamentos para a Feira do Livro de Lisboa, que se realizará entre 29 de Maio e 15 de Junho, ou então espera-nos um ano de indigência.

Comecemos, como é hábito, pela Relógio D’Água que, como habitualmente, continua a fazer os seus trabalhos de casa. E neste mês temos três obras de três mulheres premiadas:  “Vida Após Vida” de Kate Atkinson, vencedor do Costa Book Award 2013; Assim Para Nós Haja Perdão” de A. M. Homes, que conquistou o Women's Prize for Fiction 2013; e o único romance da incontornável Alice Munro, Prémio Nobel da Literatura 2013, Vidas de Raparigas e Mulheres”.

Na Sextante também se apostou num Prémio Nobel, mas bastante mais distanciado no tempo, continuando a edição de obras Aleksandr Soljenítsin, desta vez com “Zacarias Escarcela e Outros Contos”. Nunca me deixa de espantar a capacidade da Sextante para editar algo que ninguém estaria à espera.

Tem de ser referida também a publicação de “O Jogo de Ripper” de Isabel Allende, pela Porto Editora, embora mais uma vez o design do livro seja muito fraquinho. Isabel Allende é uma grande autora, disso não há dúvida, e a aposta da Porto Editora na sua obra é de louvar, mas a execução tem deixado bastante a desejar, o que é uma grande pena. Mas voltarei a esta questão num futuro próximo…

Este mês surgiram nas livrarias algumas obras de autores portugueses e lusófonos dignas de interesse. Uma delas é “A Experiência”, editada pela Cavalo de Ferro no âmbito do publicação das obras de Ferreira de Castro, e que é considerado um dos textos mais subversivos do autor. Outra é “Habitante Irreal” de Paulo Scott, uma premiada obra da literatura brasileira (vencedora do Prémio Machado Assis da Fundação Biblioteca Nacional 2012 e finalista dos prémios Jabuti e São Paulo de Literatura) trazida até nós pela Tinta da China. Por fim, e graças a um post de Maria do Rosário Pedreira, fiquei com muita vontade de ler “Livro Sem Ninguém” de Pedro Guilherme-Moreira, editado pela Dom Quixote, um dos finalistas do Prémio Leya 2012, que propõe algo original: contar uma história prescindindo das personagens, recorrendo apenas a objectos. Será que funciona?

E para terminar, com a não-ficção como de costume, a Antígona publica “Mary Shelley” de Cathy Bernheim, uma biografia da autora de “Frankenstein”, e as Edições 70 trazem-nos “Uma História da Violência” de Robert Muchembled, que pretende provar que a violência se encontra em decréscimo na sociedade desde o Séc. XIII. Interessante, sem dúvida.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A dependência dos livros - edição Fevereiro de 2014


Compras de grande envergadura. Assim descreveria o meu mês de Fevereiro, dedicado que foi à compra de duas obras fundamentais de dois escritores incontornáveis, que já estavam no meu radar há bastante tempo. Falo de “Todos os Contos” de Edgar Allan Poe editado pela Quetzal, cujo primeiro volume infelizmente há muito que está esgotado e o segundo não vai tardar muito a também desaparecer dada a descida de preço de 40€ para menos de 18€. Um dos meus hábitos é ver-me livre de capas descartáveis de livros sempre que estas não me agradam e neste caso a horrorosa capa de folhas secas que cobria o livro escondia uma capa dura trabalhada com todo o primor. Nem precisei pensar duas vezes.

Curiosamente, o segundo livro que comprei, a “Poesia Completa” de Miguel Torga (um pack da Dom Quixote bem bonito, com 2 volumes), também se encontrava com uma baixa de preço significativa, tendo passado de mais de 40€ (segundo me recordo) para cerca de 30€. Parece caro? Bom, considerando que a “Antologia Poética” recentemente editada custa cerca de 23€ e cada volume separado da “Poesia Completa” está perto dos 25€, eu diria que é uma excelente compra. Se querem ter poesia do Torga não façam-se à vida porque já há poucos packs nas lojas. Comprei o meu na loja online da Leya ( já não está disponível), mas pelo que sondei ainda se avistam exemplares do livro na Ferin e na Bulhosa.

E para completar este belo ramalhete, que tal um livrinho de um Prémio Nobel por truta e meia? Neste caso, por 4.5€, que foi quanto me custou “O Amor e o Escárnio” de Dário Fo editado pela Gradiva. Um mês em grande!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

5 livros a 5 euros

Um dos meus passatempos preferidos é andar, horas e horas, à deriva em sites de livrarias, a pesquisar livros que um dia irei comprar e que vão entrando para a minha listinha de compras (sem a qual já não consigo viver). E nessas pesquisas deparo-me muitas vezes com livros conceituados a preços muito convidativos. Não sendo eu uma pessoa egoísta e pensando no vosso bem, aqui vos deixo uma lista de 5 livros que podem adquirir por cerca de 5€ (cada), para que o preço não sirva de desculpa para não ler bons livros.


“Corre, Coelho” de John Updike, Civilização (5€)


Sinopse: Harry "Coelho" Angstrom tem 26 anos e é uma antiga estrela do basquetebol. Casado com a sua namorada do liceu (alcoólica e grávida do segundo filho), vive nos subúrbios da Pennsylvania e é vendedor de acessórios de cozinha. "Coelho" começa a sentir que a sua vida não faz sentido e que só tem duas hipóteses: tentar fazer com que a sua vida seja melhor ou fugir. Decide fugir e abandona a família. Quando parte em direcção a Virgínia encontra o seu antigo treinador que o apresenta a Ruth, uma prostituta em part-time, e nessa mesma noite começam a viver juntos. "Coelho" só não sabe o que o futuro lhe reserva…

Reconhecimento: Considerado pela Time como um dos 100 melhores romances em inglês entre 1923 e 2005, é o primeiro livro de uma saga que abrange no total 4 livros e 1 novela, tendo o Pulitzer Prize for Fiction sido concedido a 2 livros da colecção: “Coelho Enriquece” e “Coelho em Paz”.



Contos de Amor, Loucura e Morte” de Horácio Quiroga, Cavalo de Ferro (5€)


Sinopse: Nestes pedaços de narrativa Quiroga ilustra de forma esmagadora a luta do homem contra o destino, as batalhas contra a natureza e a solidão incomensurável dos personagens, a presença totémica da morte, da doença, do lado negro da realidade; tudo nestas histórias segue um percurso de decadência que, contudi, estabelece uma espécie de catarse que exorciza a esperança.

Reconhecimento: Quiroga é considerado o pai do conto sul-americano.



“Maina Mendes” de Maria Velho da Costa, Dom Quixote (4.9€)


Sinopse: «É na trama de uma escrita densa e plural, de um virtuosismo sem exemplo entre nós, que Maina Mendes se encontra inscrita e dispersa em múltiplos perfis, «puzzle» voluntário organizado do interior (ou do lado invisível da trama) pela pressão uniforme do mundo recusado, mundo masculino onde ela é a voz silenciada, negada ou submersa que se recusa à afonia definitiva. (...) Nenhum dos nossos livros contemporâneos redistribui com tanto sucesso as experiências mais criadoras da prosa portuguesa, de Fernão Lopes a Guimarães Rosa, paisagens atravessadas e recriadas, a par de outras, com uma originalidade absoluta.» Eduardo Lourenço

Reconhecimento: Maria Velho da Costa venceu o Prémio Camões em 2002



“O Amor e o Escárnio” de Dario Fo, Gradiva (5€)


Sinopse: Hereges, fanfarrões, transgressores deliberados ou involuntários, protagonistas das histórias de uma outra História, não da oficial e expurgada, recriadas e contadas pela voz única de Fo. Com ilustrações do autor.

Reconhecimento: Dario Fo venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1997.


“A Correspondência de Fradique Mendes” de Eça de Queirós, Biblioteca Editores Independentes (4.5€)


Sinopse: O livro é constituído por 2 partes: na primeira o narrador apresenta Fradique, um poeta que muito admira, colocando-o em interacção com personalidades reais (Antero de Quental, Ramalho Ortigão…); na segunda são apresentadas cartas escritas por Fradique.


Reconhecimento: É o Eça! São necessárias provas de reconhecimento?!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cheiro a livro novo - Janeiro de 2014


Uma pobreza franciscana. Assim se pode descrever este início de ano em termos editoriais. Poucas novidades e as saídas mais mediáticas não foram as de livros, mas antes a de Saramago e João Tordo da Leya (Saramago entretanto já acolhido na Porto Editora).

Se há algum esforço na Leya para que não seja óbvio que as coisas não andam bem, será certamente muito tímido. Basta olhar para o que as novidades das editoras do grupo em Janeiro e percebe-se que os tempos não estão para grandes investimentos. Digna de nota, portanto, apenas a reedição da “Antologia Poética” de Miguel Torga pela Dom Quixote. Mas, conselho de amigo: se querem comprar poesia do Torga, ainda circula por algumas lojas uma edição da poesia completa do autor, com 2 volumes num único pack, e cujo preço é pouco maior do que o desta antologia.

Falando ainda de autores portugueses, a Tinta da China publicou “Traição”, uma peça de teatro de Luís Mário Lopes, vencedora do Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia António José da Silva. Saúde-se o regresso da Tinta da China à ficção, e particularmente à portuguesa, após uma grande leva de não-ficção. Quem ficava bem entregue nas suas mãos era o João Tordo, mas a ver vamos o que o futuro reserva. Destaque também na Tinta da China para um novo livro da colecção de literatura de viagens, “Hav” de Jan Morris, o segundo livro do autor nesta colecção e que foi finalista do Booker Prize.

Também finalista do Booker Prize, em 2013, foi “Planície” de Jhumpa Lahiri, que a Relógio D’Água se prepara para editar. Mas a Relógio D’Água nunca esquece os clássicos e este mês iniciou a publicação das "Obras Escolhidas" de Virgínia Woolf, em capa dura, juntando num único volume 4 dos seus livros mais conhecidos: “Orlando”, “As Ondas”, “Mrs. Dalloway” e “Rumo ao Farol”.

E, por falar em clássicos, a Quetzal anunciou para breve o início de uma colecção de clássicos, que será inaugurada por “Anatomia da Melancolia” de Robert Burton e “Páginas Escolhidas” de Samuel Johnson. Para já, a Quetzal editou um clássico mais moderno e que desde o fim da Difel estava afastado das livrarias. Falo de “Nove Histórias” de J. D. Salinger.

Com tanta ficção, que tal um livrinho de não-ficção para desenjoar? A Antígona inicia o ano com o ensaio de CondorcetReflexões sobre a Escravidão dos Negros” e “A Escravatura – Subsídios Para a Sua História” de Edmundo Correia Lopes. A ver vamos, que outras novidades terá a Antígona preparadas para 2014.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

5 livros para oferecer no Natal

Um livro é a melhor prenda que se pode dar a uma pessoa. Bom, talvez haja algo melhor… vários livros. Têm dúvidas quanto à veracidade desta afirmação? Ora vejamos, sem ser um livro, que outra prenda podem dar a alguém que possa passar de geração em geração sem perder o interesse, que proporcione várias horas de prazer, que permita conhecer novos locais e pessoas sem sair do mesmo lugar, que seja de arrumação fácil e tenha um preço em conta? Por isso, não batam mais com a cabeça nas paredes a pensar nos presentes que ainda vos falta comprar, corram para uma livraria e resolvam o assunto de uma vez! Precisam de sugestões? Os vossos desejos são ordens.


Um presente para crianças



Hans Christian Andersen escreveu alguns dos contos infantis mais memoráveis da história da literatura. “A Princesa e a Ervilha”, “A Sereiazinha” (também conhecida como “A Pequena Sereia”), “O Valente Soldadinho de Chumbo” ou “O Patinho Feio” dizem-vos alguma coisa? É claro que sim. Andersen tem uma forma muito particular de criar histórias para crianças, assegurando-se que nem tudo são relatos de felicidade e de um mundo sem problemas. O mundo não é assim, logo os contos também não o podem ser, para que as crianças possam encarar as dificuldades futuras de cabeça erguida. E assim tem sido, geração após geração, com as personagens de Andersen a povoarem as memórias de infância de todos nós. Todo este universo em "Contos de Andersen", numa lindíssima edição de capa dura da Relógio D’Água.


Um presente para quem gosta de clássicos



Falar em contos de Natal é sinónimo de falar de Charles Dickens e de “Um Cântico de Natal”, a emblemática história de Ebenezer Scrooge, um velho avarento e rezingão, que na véspera de Natal é visitado por três espíritos que o farão ver a vida com novos olhos. O segredo de Dickens é perceber que há uma melancolia intrínseca ao Natal, que anda de mãos dadas com o desejo de estarmos com aqueles que mais amamos. Não esperem por isso histórias leves e divertidas, porque há lições para serem aprendidas e Dickens é a melhor pessoa para as ensinar.

Tenho duas edições de “Contos de Natal” em português: uma da Civilização Editora e a outra da Guimarães. Os contos incluídos em cada uma são diferentes, embora se encontre em ambas “Um Cântico de Natal” e “As Vozes dos Sinos” (“Os Carrilhões”, na edição da Civilização). Se quiserem oferecer uma edição mais bonita, optem pela da Civilização. Mas se quiserem a que tem os melhores contos, então terão de comprar a da Guimarães que, para além dos contos já mencionados, tem ainda outros dois, um dos quais “As Receitas do Dr. Marigold”, um produtor instantâneo de lágrimas.


Um presente para quem só lê grande autores



Se gostam de ler e nunca ouviram falar de J. M. Coetzee é porque algo de muito errado aconteceu. Coetzee é um autor sul-africano, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2003, conhecido por um estilo de escrita económico e assertivo. “A Idade do Ferro” é um exemplo disso mesmo. Em menos de 180 páginas Coetzee apresenta-nos o confronto de uma mulher idosa a morrer de cancro com as realidades do apartheid, regime a que sempre se opusera, mas cujo lado mais negro era para si desconhecido. Quem lê o livro nunca esquecerá o relato de uma noite em particular, em que a personagem principal é acordada a meio da noite e arrastada para uma enervante viagem cujo infeliz desfecho se antevê em cada linha. Um livro obrigatório, editado pela Dom Quixote.


Um presente para os fãs de literatura portuguesa



Muito se tem falado nos últimos anos nos novos autores portugueses. E quase sempre se fala em homens, deixando por mencionar um nome incontornável, que editou nos últimos anos um livro capaz de ombrear com o que de melhor foi escrito em português. Falo de Dulce Maria Cardoso e de “O Retorno”, um livro que nos apresenta a visão de um adolescente sobre a descolonização. Confesso que o tema não me diz muito e de início tive algumas dúvidas de que esta leitura seria interessante para mim. Mas o cunho pessoal que Dulce Maria Cardoso inscreve na história, em que a descolonização interessa pelas consequências que tem para Rui e para a sua família, e não enquanto acontecimento por si só, tornou a leitura deste livro numa experiência muito intensa.

Incomodou-me um pouco a forma como Rui fala dos africanos que, digamos, não é propriamente abonatória nem respeitosa, mas essa é uma das provas da excelência de Dulce Maria Cardoso: a não necessidade de criar personagens perfeitas, conseguindo que nos identifiquemos com as pessoas, sem que nos identifiquemos com as suas opiniões. Um clássico para as gerações futuras, com a chancela da Tinta da China.


Um presente para quem só lê não ficção



As biografias históricas estão na moda. Ou melhor, as biografias romanceadas. Há por isso que prosseguir com cuidado nesta área ou corremos o risco de levar para casa uma história que de real só tem o esqueleto, preenchido com os devaneios românticos de escritoras de qualidade duvidosa. Mas há, felizmente, muitas biografias escritas por historiadores conceituados. Um bom exemplo é “Catarina de Áustria: Infanta de Tordesilhas, Rainha de Portugal” de Ana Isabel Buescu, um relato rigoroso e envolvente da vida da mulher de D. João III, uma personagem com um papel fundamental na aproximação de Portugal a Espanha, que viria a culminar com a anexação do nosso país ao império de Filipe II.

Buescu abre-nos as portas para a infância de Catarina, passada em clausura com a mãe, Joana a Louca, filha dos Reis Católicos, que após a morte do marido, Filipe o Belo, percorre parte do país numa procissão fúnebre em que, segundo as lendas, o caixão era aberto todas as noites para que Joana pudesse rever o seu amado. Trazida para Portugal para se casar com o seu primo direito, Catarina terá muitos filhos, mas apenas dois chegarão à adolescência, e ambos serão casados com os seus primos direitos, cumprindo a tradição de consanguinidade dos Habsburgo, que neste caso daria origem a duas figuras trágicas: Dom Sebastião e Dom Carlos. 

Mas se pensam que Catarina foi apenas uma figura decorativa, estão muito enganados. O seu papel no governo do país foi fundamental, num período em que Portugal se via governado por um monarca que não se pode dizer que fosse brilhante. Coube a Catarina e ao Cardeal D. Henrique prepararem D. Sebastião para governar, tarefa que se revelaria impossível, incapazes que foram de conter os ímpetos de um jovem rei, que apenas tinha quatro bisavós, em vez dos oito habituais.

Uma biografia à prova de bala de um dos períodos mais importantes da História de Portugal e de uma das rainhas mais interessantes da nossa monarquia. Entretenimento e cultura garantidos nesta edição da Esfera dos Livros.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Cheiro a livro novo - Outubro de 2013


Estamos perante um final de ano morno. E não, não falo apenas da temperatura, que agora já começa a mostrar sinais de querer baixar, falo das escolhas editoriais, que não se pode dizer que sejam más, mas esperava-se melhor, especialmente tendo em conta que estamos em época alta. Estarão as editoras a guardar as grandes cartadas para Novembro? Fala-se da edição do “Guerra e Paz” e do “Ulisses” pela Relógio d’Água nesse mês, mas tendo em conta os sucessivos atrasos (estes livros estão na calha há quase um ano) é mesmo caso de ver para crer.

Em Outubro, surpreendentemente, o grande anúncio veio da Antígona, que se prepara para editar vários livros de Aldous Huxley, começando pelo “Admirável Mundo Novo”, livro muito difícil de encontrar nas livrarias, embora ainda se vejam de vez em quando uns exemplares esquecidos e velhinhos da colecção Dois Mundos da Livros do Brasil. Sem dúvida um autor até aqui maltratado pelas nossas editoras e que vai ter finalmente edições à sua altura. Excelente opção da Antígona!

Falando de grandes autores do século XX, a Relógio d’Água continua a publicação das obras de Nabokov, com uma regularidade surpreendente, diga-se de passagem, desta vez com “Pnin”.E porque nem só de clássicos vive o leitor, há também lugar para a edição do polémico “As Partículas Elementares” de Michel Houellebecq, editado anteriormente pela Temas e Debates mas entretanto desaparecido das livrarias.

Compreendo a edição de um livro por mais de uma editora quando o livro esgotou e já não se encontra no mercado, mas que de resto parece-me um exercício estéril. Posto isto, gostava que alguém me explicasse porque é que a Tinta da China decidiu publicar mais uma versão do “Livro do Desassossego” do Fernando Pessoa? Não ponho em causa a qualidade de Jerónimo Pizarro, o editor da obra, mas havendo pelo menos a edição da Assírio & Alvim e a da Relógio d’Água, não será uma má alocação de recursos editar um livro que se encontra facilmente no mercado? Não vejo a mais-valia, e volto a dizer que a Tinta da China se está a deixar ficar para trás na ficção, especialmente na estrangeira.

Também não percebo muito bem a motivação da Alfaguara para editar “Coração Tão Branco” de Javier Marías, que na Feira do Livro se encontrava na banca da Relógio d’Águas a 5€. Com tanto livro por editar em Portugal... A editar um livro que se já se encontra pelas livrarias, então que se faça algo em grande, como a Divina Comédia, que decidiu apostar numa nova edição de  “Cartas Portuguesas”, a obra clássica de Mariana Alcoforado, que conta com tradução de Pedro Tamen, prefácio de Maria Teresa Horta, ilustrações de Modigliani e capa dura. Querem melhor? Tudo isto por apenas 13.5€.

E porque falar em literatura em Outubro é sinónimo de falar de Nobel, chegaram até nós algumas edições de vencedores do prémio, poucas, verdade seja dita, mas escolhas interessantes. A Bertrand editou uma colectânea de contos de Thomas Mann, surpreendendo-nos a Sextante com a publicação de mais um livro de Aleksandr Soljenítsin, “A Casa de Matriona”. Um livro sem dúvida inesperado, tal como o é o regresso às livrarias de “Uma Cana de Pesca para o Meu Avô” de Gao Xingjian, reedição da Dom Quixote, editora que também nos traz o último livro de Urbano Tavares Rodrigues, “Nenhuma Vida”, entregue dias antes de falecer.


E por fim, talvez um dos mais interessantes livros de não ficção editados nos últimos tempos, ou pelo menos assim se espera que seja. “Uma Coisa Supostamente Divertida que Nunca Mais Vou Fazer” é o segundo livro que a Quetzal edita de David Foster Wallace, reunindo alguns dos seus artigos e ensaios mais célebres, nomeadamente aquele que dá nome ao livro, e que relata a experiência de Foster Wallace a bordo de um cruzeiro às Caraíbas que durou uma semana. Consta que é um relato bem corrosivo, com generosas doses de ironia. Diversão garantida.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Cheiro a livro novo - Setembro de 2013


Setembro é o mês das grandes novidades literárias e algo ficou claro: a recta final do ano será dominada pelos grandes grupos editoriais, que já têm as suas novidades nas livrarias e prometem uns próximos meses agitados.

E porque Outubro é mês de novo Nobel da Literatura, Setembro é o mês de editar antigos premiados. Se no ano passado a Quetzal marcou o final do ano com a edição de “A Piada Infinita” do Foster Wallace, este ano parece pronta a repetir a proeza com algo inédito em Portugal: com apenas 8 dias de diferença da edição espanhola, foi editado em português o novo livro de Vargas Llosa, “O Herói Discreto”. Se isto não é algo marcante, não sei o que será. No mínimo é um precedente fantástico e que talvez aponte caminho para o futuro da edição em Portugal.

Para fazer frente a esta iniciativa de peso, a Dom Quixote acena com a edição do último livro de Coetzee, “A Infância de Jesus”. Mas porquê ter apenas um Prémio Nobel quando se pode ter dois ou três, certo? Não fosse Coetzee sair-se mal no confronto com Vargas Llosa, a Dom Quixote conta ainda com a mais do que necessária reedição de “O Lobo das Estepes” de Hermann Hesse (que não se encontra nas livrarias desde a falência da Difel) e na edição de mais um livro de William Faulkner, “Mosquitos”.

Fora dos grandes grupos, a única editora a aventurar-se para já no mundo dos Nobel da Literatura é a Cavalo de Ferro, que continua a publicação de obras de Knut Hamsun, desta vez com “Mistérios”. Mas a fidelidade da Cavalo de Ferro aos seus autores não se fica por aqui e, alguns meses após a edição do 1º livro, a publicação das obras completa de Ferreira de Castro continua, desta feita com “A Missão”, que é para já a melhor capa da reentrée literária.

E por falar em autores portugueses, a grande novidade do mês é sem dúvida o primeiro livro de Valter Hugo Mãe com a Porto Editora – “A Desumanização”. Outro marco de Setembro é a edição pela Dom Quixote da “Antologia Poética“ de Natália Correia, uma das figuras de proa da cultura portuguesa do séc. XX e que, misteriosamente, tinha desaparecido das livrarias e dos catálogos das editoras.

Fora estas novidades de literatura portuguesa, a Assírio & Alvim presenteia-nos com a reedição de obras de duas mulheres incontornáveis: Maria Velho da Costa, com “Casas Pardas”; e Sophia de Mello Breyner Andresen, cuja obra poética começa a ser reeditada com “No Tempo Dividido”, “Mar Novo”, “Poesia” e “Coral”.


E as principais novidades de Setembro são estas. Duas notas finais: primeiro, a Relógio d’Água está assustadoramente calada, falando-se em alguns artigos de imprensa que a publicação de “Ulisses” de James Joyce e de “Guerra e Paz” de Tolstói está prevista para os próximos meses, mas até ao momento não há lista de novidades de editora, como habitualmente, nem nenhum livro publicado em Setembro; segundo, a Tinta da China entrou em Setembro com várias novidades, mas algo de estranho – a ficção ficou de lado, o que é preocupante, tendo em conta que são desta editora duas das melhores colecções de ficção dos últimos anos (a de Literatura de Humor e Clássicos). Reservar-nos-á a Tinta da China novidades de ficção para breve?

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A dependência dos livros: edição Agosto de 2013




Agosto tem sido um bom mês. Muitos livros e orçamento respeitado. Tirando “Crematório” do Rafael Chirbes e “Contra-Natura” do Álvaro Pombo da colecção Minotauro, que foram uma oferta, comprei ao todo 7 livros e gastei menos de 60€. 

A trilogia “Os Subterrâneos da Liberdade” de Jorge Amado, publicada pela Dom Quixote, era uma compra programada desde o Natal, altura em que a Leya lançou este generoso pack (cada livro individualmente custa cerca de 19€, custando o conjunto 30€). Já o tinha encomendado na Fnac mas o stock da loja online esgotou-se e fui adiando até que percebi que corria o risco de desaparecer em todo o lado (só já o encontrei na loja online da Bertrand) e avancei destemidamente, contando ainda por cima com um bónus de 10% de desconto.

Do Naguib Mahfouz faziam parte da minha lista de livros “Os Filhos do Nosso Bairro” e a “Trilogia do Cairo”, todos publicados pela Civilização, e, perante a promoção da Fnac que já aqui vos falei, era impossível não comprá-los. Livros que me teriam custado por si só perto de 60€ ficaram em menos de 22€. Se isto não é uma boa compra, não sei o que será! Ficará para outro mês o segundo volume da “Trilogia do Cairo” que estava fora da promoção.

Por fim, numa ida à Culsete, não consegui resistir ao “Manual de Prestidigitação” do Cesariny, editado pela Assírio & Alvim, que estava a 7€. Mais uma leitura para me preparar para o curso de Surrealismo Português.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

4 livros de qualidade para ler no Verão



Ah, as férias de Verão! Essa altura mágica do ano em que suamos em bica, em que qualquer momento na rua que não seja acompanhado por um gelado ou uma bebida fresca parece um sacrifício desumano. Sentimos que podemos mandar no nosso tempo e dedicar-nos àquilo que mais gostamos e então corremos para as livrarias e compramos as Margaridas Rebelo Pinto, os Josés Rodrigues dos Santos e os Paulos Coelhos para nos acompanharem para todo o lado, certo? Errado! Chega de silly literature na silly season!

Um mito que tem sido perpetuado por um certo tipo de intelectuais é o de que a boa literatura tem de ser difícil e quase indecifrável. Pois, mas não tem. O que não faltam são exemplos de livros muito bons e simples, que qualquer pessoa consegue ler facilmente, sem ter de estar de 3 em 3 frases a voltar para trás porque não está a perceber nada do que se passa.

Deixo-vos então com 4 propostas de livros para lerem neste Verão. São 4 livros acima de qualquer suspeita, todos com grandes doses de comédia, bem leves e fluidos como o Verão exige. E a boa notícia é que não precisam de os forrar com folhas brancas! (Pessoas que forram os livros duvidosos a branco para irem a ler no metro, tenho uma notícia para vós: isso não resulta!!! Podemos não saber que livros estão a ler, mas ficamos a saber que algo bom não é. O livro a branco é um chamariz, parece que o ouvimos dizer “Olha para mim! Esta pessoa tem mau gosto!”)


O Complexo de Portnoy” de Philip Roth, Dom Quixote


Se há coisa que aprendemos em todos estes anos a ver séries com humoristas americanos é que as famílias judias têm as suas peculiaridades. Mães possessivas, quase agressivamente intrusivas. E a culpa, esse sentimento que não é exclusivo dos católicos, gerador de tantas frustrações e comportamentos desajustados. De tudo isto nos fala Philip Roth, fazendo uso de uma prerrogativa internacional que diz que apenas podem criticar grupos minoritários quem deles faz parte. Como não gostar de um livro em que a personagem principal, um verdadeiro garanhão, se torna impotente enquanto pisa solo israelita?


A Grande Arte” de Rubem Fonseca, Sextante


Um homem facilmente dominado pela libido a tentar desvendar um crime. E então? Qual é a novidade?! Novidade não haverá, mas há a mestria na escrita e o sentido de humor corrosivo de Rubem Fonseca, vencedor do Prémio Camões em 2003. “A Grande Arte” é uma paródia aos policiais, com cenas e cenas em que o ridículo é continuamente posto à prova, tudo embrulhado em grandes doses de mistério. Aviso: inclui cenas de sexo com prostitutas muito pouco recomendáveis, porque Mandrake, o investigador de serviço, pode até ser bem-parecido, mas quando a natureza o chama, ele tem de responder.


Cândido ou o Optimismo” de Voltaire, Tinta da China


Sim, estou a recomendar um livro de Voltaire como leitura leve de Verão. Os cépticos de serviço estão já a pensar “um livro de Voltaire fácil de ler, sim sim”. É verdade. Acreditem ou não, “Cândido ou o Optimismo” é um livro que se lê de uma assentada. Tudo começa com uma violação e o brutal assassinato de uma família. E de que melhor forma podia começar uma comédia sobre o optimismo? Nenhum homem de boa-fé teceria uma crítica que fosse ao facto de Cândido reencontrar a sua amada Cunegundes algures em Portugal, transformada na escrava sexual do Inquisidor-Mor e de um Judeu, que a repartem segundo os dias da semana. E daqui se parte para um conjunto de peripécias inusitadas, que colocam à prova a crença inabalável de Pangloss, o líder espiritual de Cândido, no optimismo. Para ler, com um prazer muito malicioso.


A Queda de um Anjo” de Camilo Castelo Branco, Civilização


Pronto, está-se mesmo a ver que este livro é um daqueles romances trágicos à Camilo! Não é não senhor. Também eu pensei, quando peguei no livro, que ia ler uma história de amor impossível entre um jovem rebelde que levaria uma inocente rapariga a práticas indecentes, pouco dignas para quem se diz de boas famílias. Em vez disso, deparei-me com Calisto Elói, um bonacheirão como só o interior os sabe produzir, que vem para Lisboa ser político. Calisto chega cheio de si, transpira honra e honestidade por todos os poros, mas ao que parece a carne era fraca e a mulher, que por acaso também era prima, lá fica desterrada na terrinha, enquanto Calisto esbanja os recursos com uma jovem voluptuosa. Que queda! Que anjo!