Há umas semanas 99% dos portugueses nunca tinham ouvido
falar no Neustadt. Mas tudo mudou de figura na semana passada quando Mia Couto foi anunciado como o vencedor deste ano do Prémio, e agora a percentagem de
desconhecimento deverá ter descido para os 90%. Sim, porque no caso do Neustadt
o nível de prestígio é directamente proporcional à não divulgação do prémio,
pelo menos fora dos EUA.
Mas afinal de onde saiu o Prémio Neustadt? Bom meus caros,
tenho a dizer-vos que também eu cobri a minha cara com vergonha quando, há uns
meses, o descobri e me apercebi que estava perante o segundo prémio literário
internacional mais importante. Sendo um prémio concedido pela obra e não por um
livro em específico, o âmbito do Neustadt é muito semelhante ao do Nobel: são
elegíveis escritores de todas as nacionalidades, sejam ficcionistas, poetas ou
dramaturgos, havendo no entanto o condicionante de que parte significativa da
sua obra tem de estar traduzida em inglês. Mas em termos de processos de
selecção o Neustadt aproxima-se mais do Booker, sendo para cada edição nomeado
um júri pelo Director Executivo da World Literature Today (o único membro permanente)
e cada membro sugere um candidato, formando-se assim uma shortlist que servirá
de base às deliberações que decorrem na Universidade de Oklahoma.
Até ao momento o Prémio Neustadt foi atribuído a 22
escritores, 4 dos quais mulheres, 4 dos quais vencedores também do Nobel da
Literatura. Mia Couto foi o segundo lusófono premiado, tendo o prémio sido
concedido anteriormente o brasileiro João Cabral de Melo Neto. Portugueses só
mesmo na shortlist, tendo sido nomeados Saramago (em 2004), Lobo Antunes (em
2002) e Alberto de Lacerda (em 1980) – serei o único a nunca ter ouvido falar
em tal pessoa?
