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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cheiro a livro novo - a rentrée literária de 2014



Setembro é um dos pontos altos do ano para os viciados em livros, esperando avidamente pelas novidades anunciadas pelas editoras para os últimos meses do ano, já de olhos postos no Natal. E este ano temos motivos de regozijo, com a Quetzal, a Tinta-da-China, a Cavalo de Ferro e a Relógio D’Água a dominarem a lista com as novidades mais apetecíveis.

Uma boa notícia é o regresso à publicação do grupo Babel que estava algo dormente nos últimos meses. Veremos o que nos reservam para os próximos tempos mas, para já, para além de algumas novidades, vai ser reeditado “A Síbila”, tanto a versão da Colecção Opera Omnia, como uma versão mais barata, comemorando assim os 60 anos da 1ª edição deste mítico livro.

No início de Outubro, com o anúncio do Prémio Nobel da Literatura, é de esperar que haja novidades (esperemos que sim!). Será que alguma editora terá a sorte de ver um dos seus autores a ser premiado e as vendas a subirem em flecha? Haverá uma corrida à publicação se for um autor por estrear no nosso mercado? Quem viver verá.

Deixo-vos então com uma lista daqueles que me parecem ser os lançamentos mais significativos dos próximos meses.


Porto Editora

"Alabardas, Alabardas" de José Saramago (Prémio Nobel da Literatura em 1998)
"Uma Menina Está Perdida no seu Século à Procura do Pai" de Gonçalo M. Tavares
"O Paraíso São os Outros" de Valter Hugo Mãe

Assírio & Alvim

"Poesia Presente" de António Ramos Rosa

Sextante

"Terra Amarga" de Joyce Carol Oates
"Mudwoman" de Joyce Carol Oates

Quetzal

“Montedor”  de J. Rentes de Carvalho
“Herzog” de Saul Bellow (Prémio Nobel da Literatura em 1976)
“O Rei Pálido” de David Foster Wallace

Bertrand

“Os Luminares” de Eleanor Catton (vencedor do The Man Booker Prize 2013)

Tinta-da-China

«Obra completa de Álvaro de Campos» de Fernando Pessoa
“Os Meus Sentimentos” de Dulce Maria Cardoso
“Oblomov”, de Ivan Goncharov
2º volume de entrevistas da Paris Review (entre os entrevistados T. S. Eliot, Harold Pinter, Ezra Pound, Marguerite Yourcenar, Vladimir Nabokov e Philip Roth)

Dom Quixote

“O Organista” de Lídia Jorge

Babel

“Os Incuráveis” de Agustina Bessa-Luís

Cavalo de Ferro

“A Selva” de Ferreira de Castro
“Final do Jogo” de Julio Cortázar
“Primeiro os Idiotas” de Bernard Malamud
“Thérèse Desqueyroux” de François Mauriac (Prémio Nobel da Literatura em 1952)

Presença

“O Pintassilgo” de Donna Tartt (vencedor do Pulitzer Prize for Fiction 2014)

Sextante

“Amálgama” de Rubem Fonseca

Relógio D’Água

“O Planeta do Sr. Sammler” de Saul Bellow (Prémio Nobel da Literatura em 1976)
“Diário” de Franz Kafka
“Obras Escolhidas” de Lewis Carroll
“Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento” de Alice Munro (Prémio Nobel da Literatura em 2013)

Caminho

“Vagas e Lumes” de Mia Couto

Antígona

“Contos Seleccionados” de Aldous Huxley
"A Vida e Opiniões de Tristam Shandy" de Laurence Sterne

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Cheiro a livro novo - Setembro de 2013


Setembro é o mês das grandes novidades literárias e algo ficou claro: a recta final do ano será dominada pelos grandes grupos editoriais, que já têm as suas novidades nas livrarias e prometem uns próximos meses agitados.

E porque Outubro é mês de novo Nobel da Literatura, Setembro é o mês de editar antigos premiados. Se no ano passado a Quetzal marcou o final do ano com a edição de “A Piada Infinita” do Foster Wallace, este ano parece pronta a repetir a proeza com algo inédito em Portugal: com apenas 8 dias de diferença da edição espanhola, foi editado em português o novo livro de Vargas Llosa, “O Herói Discreto”. Se isto não é algo marcante, não sei o que será. No mínimo é um precedente fantástico e que talvez aponte caminho para o futuro da edição em Portugal.

Para fazer frente a esta iniciativa de peso, a Dom Quixote acena com a edição do último livro de Coetzee, “A Infância de Jesus”. Mas porquê ter apenas um Prémio Nobel quando se pode ter dois ou três, certo? Não fosse Coetzee sair-se mal no confronto com Vargas Llosa, a Dom Quixote conta ainda com a mais do que necessária reedição de “O Lobo das Estepes” de Hermann Hesse (que não se encontra nas livrarias desde a falência da Difel) e na edição de mais um livro de William Faulkner, “Mosquitos”.

Fora dos grandes grupos, a única editora a aventurar-se para já no mundo dos Nobel da Literatura é a Cavalo de Ferro, que continua a publicação de obras de Knut Hamsun, desta vez com “Mistérios”. Mas a fidelidade da Cavalo de Ferro aos seus autores não se fica por aqui e, alguns meses após a edição do 1º livro, a publicação das obras completa de Ferreira de Castro continua, desta feita com “A Missão”, que é para já a melhor capa da reentrée literária.

E por falar em autores portugueses, a grande novidade do mês é sem dúvida o primeiro livro de Valter Hugo Mãe com a Porto Editora – “A Desumanização”. Outro marco de Setembro é a edição pela Dom Quixote da “Antologia Poética“ de Natália Correia, uma das figuras de proa da cultura portuguesa do séc. XX e que, misteriosamente, tinha desaparecido das livrarias e dos catálogos das editoras.

Fora estas novidades de literatura portuguesa, a Assírio & Alvim presenteia-nos com a reedição de obras de duas mulheres incontornáveis: Maria Velho da Costa, com “Casas Pardas”; e Sophia de Mello Breyner Andresen, cuja obra poética começa a ser reeditada com “No Tempo Dividido”, “Mar Novo”, “Poesia” e “Coral”.


E as principais novidades de Setembro são estas. Duas notas finais: primeiro, a Relógio d’Água está assustadoramente calada, falando-se em alguns artigos de imprensa que a publicação de “Ulisses” de James Joyce e de “Guerra e Paz” de Tolstói está prevista para os próximos meses, mas até ao momento não há lista de novidades de editora, como habitualmente, nem nenhum livro publicado em Setembro; segundo, a Tinta da China entrou em Setembro com várias novidades, mas algo de estranho – a ficção ficou de lado, o que é preocupante, tendo em conta que são desta editora duas das melhores colecções de ficção dos últimos anos (a de Literatura de Humor e Clássicos). Reservar-nos-á a Tinta da China novidades de ficção para breve?