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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 4 de Junho


E porque a Hora H é uma fonte inesgotável de prazer, não deixem de passar pela Tinta-da-China que, embora não tenha todos os livros na promoção, tem uma selecção bastante significativa, em que se incluem “O Bom Soldado Svejk” de Jaroslav Hasek, “Entrevista da Paris Review” selecionadas por Carlos Vaz Marques e “Puta que os Pariu!”, a biografia de Luiz Pacheco da autoria de João Pedro George. E muitos livros da colecção de humor, da colecção de viagens, da colecção de literatura portuguesa…

Enquanto sonham com estas oportunidades, espreitem os Livros do Dia em destaque:

Grupo Porto Editora
“A Um Deus Desconhecido” de John Steinbeck - 6,65€ (banca da Livros do Brasil)
“Rumor Branco” de Almeida Faria - 6,45€ (banca da Assírio & Alvim)
“Todos os Poemas” de Ruy Belo - 24€ (banca da Assírio & Alvim)
“Uma Mentira Mil Vezes Repetida” de Manuel Jorge Marmelo - 6€ (banca da Quetzal)

Tinta-da-China
“Cadernos de Pickwick” de Chales Dickens - 10,2€

Grupo Leya
“Némesis” de Philip Roth - 10,1€ (banca da Dom Quixote)

Cotovia
“Peças escolhidas III” de Henrik Ibsen - 12,5€

Relógio D’Água
“O Jogador” de Fiódor Dostoievski - 8€

“O Vermelho e o Negro” de Stendhal - 14€

terça-feira, 2 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 2 de Junho


Para os aficionados dos clássicos o stand da Imprensa Nacional-Casa da Moeda é uma paragem obrigatória, pois por lá vão encontrar muitos tesouros com 50% de desconto. E não, não é na Hora H, o desconto aplica-se a toda a duração da Feira do Livro de Lisboa. Eu já por lá passei e comprei a edição crítica dos contos do Eça de Queirós, o primeiro volume, por pouco mais de 12€. De José Régio a Camilo Castelo Branco, sem esquecer os grandes clássicos latinos, o que não falta no stand da Imprensa Nacional-Casa da Moeda são tentações.

Deixo-vos então com os Livros do Dia em destaque hoje:

Grupo Porto Editora
“A Grande Arte” de Rubem Fonseca - 8,3€ (banca da Sextante)
“A Queda” de Albert Camus - 4,95€ (banca da Livros do Brasil)
“Breviário das Más Inclinações” de José Riço Direitinho - 6,95€ (banca da Quetzal)

Relógio D’Água
“A Metamorfose” de Franz Kafka - 6€
“A Vista de Castle Rock” de Alice Munro - 9€
“As Aventuras de Tom Sawyer” de Mark Twain 9€
“Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa - 18€

Presença
“A Vida de Pi” de Yann Martel - 10,7€

Cotovia
“Peças escolhidas I” de Henrik Ibsen - 12,5€

domingo, 31 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 31 de Maio


Antes da primeira Hora H deste ano, que vai acontecer amanhã, deixo-vos uma dica. Quando forem aos stands do grupo Porto Editora vão reparar que há vários livros com etiquetas amarelas e laranjas. As etiquetas laranja correspondem a livros que têm 50% de desconto na Hora H e as amarelas a, aguentem a emoção, 70% de desconto. Portanto, antes de começarem a agarrar em livros indiscriminadamente vejam se não é mais vantajoso comprá-los na Hora H. Foi assim que no ano passado consegui comprar o “Possessão” de A. S. Byatt por menos de 9€, um livro que custa cerca de 30€.

Entre os Livros do Dia de hoje destaque para:

Grupo Porto Editora
“2666” de Roberto Bolaño -  9,95€ (banca da Quetzal)
“A Desumanização” de valter hugo mãe - 8,3€ (banca da Porto Editora)
“A Leste do Paraíso” de John Steinbeck - 9,95€ (banca da Livros do Brasil)
“Myra” de Maria Velho da Costa - 8€ (banca da Assírio & Alvim)
“Pena Capital” de Mário Cesariny - 7,5€ (banca da Assírio & Alvim)
“Poesias Completas” de Alexandre O' Neill - 16,5€ (banca da Assírio & Alvim)

Relógio D’Água
“As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e do Outro Lado do Espelho” de Lewis Carroll - 8€
“Crime e Castigo” de Fiódor Dostoievski - 12€
“Folhas de Erva” de Walt Whitman - 16€
“Pela Estrada Fora” de Jack Kerouac - 12€

Cotovia
“Teatro 4” de Bertolt Brecht - 12,5€

Alfaguara
“Para onde vão os guarda-chuvas” de Afonso Cruz - 11,7€

Grupo Leya
“A Confissão da Leoa” de Mia Couto - 9,5€ (banca da Caminho)
“O Teu Rosto Será o Último” de João Ricardo Pedro - 7,1€

Cavalo de Ferro
“Gente Independente” de Halldór Laxness – 12,5€

Tinta-da-China
“Eu Sou Uma Antologia” de Fernando Pessoa - 15€

sábado, 30 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 30 de Maio


E ao terceiro dia trago-vos uma boa-nova: ontem, quando ia a caminho de casa, depois de uma extenuante sessão de Feira, distraí-me a ver o catálogo 2015 da Tinta-da-China, na esperança de encontrar novidades. Já diz o povo que quem procura acha e o que encontrei foi o suficiente para dar um mini grito na camioneta. 

Ao que parece a Tinta-da-China, para assinalar os 100 anos da revista Orpheu, decidiu publicar uma edição de luxo fac-similada e numerada da famosa revista literária, uma espécie de caixa dos prazeres que conterá os dois números publicados, assim como as provas tipográficas do terceiro número que nunca o chegou a ser e uma brochura editorial. Tudo por 68€, com direito a anjinhos querubins a cantar músicas celestiais. A cereja no topo de um dia intenso de grandes compras.

Mas é tempo de olhar em frente e analisar o que a Feira do Livro de Lisboa tem hoje para nos oferecer. Fiquem então com os destaques dos Livros do Dia de hoje:

Grupo Porto Editora
“A Divina Comédia” de Dante Alighieri - 11,98€ (banca da Quetzal)
“O Herói Discreto” de Mario Vargas Llosa - 9,4€ (banca da Quetzal)
“Diários” de Al Berto - 11€ (banca da Assírio & Alvim)

Relógio D’Água
“Anna Karénina” de Lev Tolstói - 16€
”As Aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain - 8€

Cotovia
“Teatro 3” de Bertolt Brecht - 12,5€
“Uma Aventura Secreta do Marquês de Bradomín” de Teresa Veiga - 7€

Antígona
“Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley - 9,25€

Grupo Leya
“Debaixo de Algum Céu” de Nuno Camarneiro - 6,9€
“Meio Sol Amarelo” de Chimamanda Ngozi Adichie – 8,4€ (banca da ASA)
“Obras Completas 1975-1985” de Jorge Luís Borges – 17,7€ (banca da Teorema)

Cavalo de Ferro
“Auto-de-Fé” de Elias Canetti - 12,5€
"A Ponte Sobre o Drina" de Ivo Andric - 11€

Tinta-da-China
“Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer” de Carlos Vaz Marques - 10,8€

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 28 de Maio


Os snobs torcem o nariz à Feira do Livro, mas quem quer verdadeiramente saber de opiniões que são mais uma projecção de imagem do que verdades ditadas pela consciência? Para mim, ir à Feira do Livro de Lisboa é como entrar numa loja de doces em que tudo brilha, olhamos desnorteados para todas as direcções, sem saber onde pousar os olhos primeiro.

Mas a excitação não pode aniquilar a racionalidade e o primeiro conselho que vos dou é: preparem-se. Não vão apenas despreocupadamente passar os olhos pelas bancas e escolher espontaneamente o que comprar. Isso funciona em casos específicos, por exemplo nas bancas de promoções da Relógio D’Água, em que os livros estão ao mesmo preço durante toda a Feira. Mas levados pela promoção do Livro do Dia, muitas vezes não se tomam as melhores opções. Por exemplo: os Livros do Dia da Relógio D’Água têm por norma 40% de desconto, mas se forem comprados a Hora H, noutro dia em que não sejam Livro do Dia, o desconto já é de 50%.

Por isso vos digo, percam uma horinha a programarem a vossa Feira, identifiquem que Livros do Dia valem a pena nos dias em que vão e definam que livros é melhor deixar para a Hora H. Um comprador preparado é um comprador mais poupado. E não se esqueçam, o lema é sempre: comprar mais pelo menor preço.

Da minha parte prometo acompanhar-vos diariamente, com os destaques dos Livros do Dia e dicas para tornarem a vossa Feira do Livro de Lisboa 2015 a melhor de sempre. Deixo-vos com alguns dos Livros do Dia de hoje:

Grupo Porto Editora
“1822” de Laurentino Gomes - 9,35€ (banca da Porto Editora)
“A Questão Finkler” de Howard Jacobson - 8,85€ (banca da Porto Editora)
“As Verdes Colinas de África” de Ernest Hemingway - 6,65€ (banca da Livros do Brasil)
“Mensagem” de Fernando Pessoa - 5,5€ (banca da Assírio & Alvim)
“Na Patagónia” de Bruce Chatwin - 7,75€ (banca da Quetzal)
“Poesia” de Sophia de Mello Breyner Andresen - 6,1€ (banca da Assírio & Alvim)

Relógio D’Água
“A Estrada” de Cormac McCarthy - 8€
“A Ilha do Tesouro” de Robert Louis Stevenson - 7€
“A Viagem do Beagle” de Charles Darwin - 15€
“A Sonata de Kreutzer” de Lev Tolstói - 8€
“As Flores do Mal” de Charles Baudelaire - 12€

Alfaguara
“A Laranja Mecânica” de Anthony Burgess - 11,34€

Antígona
“A Quinta dos Animais” de George Orwell - 7€

Grupo Leya
“Barroco Tropical” de José Eduardo Agualusa - 8,10€ (banca da Dom Quixote)

Cotovia
“Teatro 1” de Bertolt Brecht - 12,5€

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A dependência dos livros – edição Abril de 2015


Depois do desaire que foi a tentativa de comprar “A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao” de Junot Díaz no site da Fnac (que me levaria a jurar não voltar a comprar livros na Fnac), mal podia esperar para receber o livro na minha prateleira, de preferência sem rasgões na capa (sim Fnac, esta boca foi para ti!). E foi assim que comecei Abril, a encomendá-lo na Wook e, para que não se sentisse só no caminho, aproveitei para encomendar também “Coelho Enriquece”, um dos volumes da famosa tetralogia de John Updike, e curiosamente também um vencedor do Pulitzer. E que melhor companhia para dois romances vencedores do Pulitzer do que um livro de poesia de um Prémio Nobel? Acrescentei então “50 Poemas” do recentemente falecido Tomas Tranströmer à encomenda, não fosse o diabo tecê-las e o livro se esgotasse de vez.

Alguns dias depois, na visita menos frutífera que fiz à Fyodor até à data, acabei por comprar um livro de outro Prémio Nobel que também morreu há pouco tempo, Günter Grass. Como não tinha nenhuma obra de ficção deste autor e tendo encontrado “O Gato e o Rato” da colecção do Nobel do Diário de Notícias, não consegui encontrar razões para não ficar com ele.

E para terminar o mês em beleza, aproveitando que a Civilização trouxe de volta às livrarias o clássico russo “A Mãe” de Gorki, passei pela Bulhosa e fiz o gosto ao dedo. A cereja no topo do bolo foi a bela antologia “Cem Poemas Para Salvar a Nossa Vida” da Quetzal que me calhou em sorte num passatempo. Começo a acreditar no karma.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Cheiro a livro novo – Março de 2015


Com a chegada da Primavera parece que veio também um renovado vigor para as editoras, que nos ofereceram bastantes novidades e diversificadas. Mas primeiro que tudo tenho de assinalar a chegada às livrarias dos primeiros livros da nova Livros do Brasil, para já 9 (“O Adeus às Armas”, “Paris é uma Festa” e “Na Outra Margem, Entre as Árvores” de Hemingway; “Mrs Dalloway” de Virginia Woolf; “As Vinhas da Ira”, “O Inverno do Nosso Descontentamento” e “A Pérola” de Steinbeck; “Música para Camaleões” de Truman Capote; e “A Condição Humana” de André Malraux), estando previstos para breve mais 3 títulos.

Em termos de literatura em língua portuguesa, o acontecimento do mês tem de ser publicação pela Tinta-da-China de “Gente Melancolicamente Louca” de Teresa Veiga, o primeiro livro da autora em vários anos. Também a Glaciar nos deu motivos para celebrar com a edição de “O Ateneu” de Raul Pompeia, mais um clássico brasileiro integrado na colecção Biblioteca da Academia. E termino os destaques de autores lusófonos com a menção a “Presa Comum”, o primeiro livro de Frederico Pedreira na Relógio d’Água, depois da atenção que captou com “Um Bárbaro em Casa”, editado no ano passado pela Língua Morta.

Os autores premiados estão bem representados nas novidades de literatura estrangeira, começando por Richard Flanagan e “A Senda Estreita para o Norte Profundo”, o mais recente vencedor do The Man Booker Prize, editado pela Relógio d’Água, que também nos traz “O Buda dos Subúrbios” de Hanif Kureishi, vencedor do Prémio Whitbread para Melhor Primeiro Romance em 1990.

Quanto a Prémios Nobel, a Presença continua a apostar em Toni Morrison com a publicação de “A Nossa Casa é Onde está o Coração”, e a Quetzal faz o mesmo com V. S. Naipaul e a edição em português de “O Enigma da Chegada”. A Quetzal regressa ainda a outro autor habitual, Roberto Bolaño, com “Noturno Chileno”.

Aproveitando a polémica em torno do último livro de Michel Houellebecq, a Alfaguara faz chegar aos escaparates “Submissão”, e a Jacarandá edita “O Assassinato de Margareth Thatcher” de Hilary Mantel, livro que inclui o conto que dá nome ao livro e que gerou uma enorme polémica em Inglaterra no ano passado.

Mantendo a tradição de terminar com a não ficção, destaque para 2 livros: “1915 - O Ano do Orpheu”, organizado por Steffen Dix, que propõe uma reflexão sobre a revista Orpheu através da perspectiva de diferentes autores; e “Tratado Sobre a Tolerância” de Voltaire, cujas conclusões partem da execução Jean Calas pelo poder judicial, quando a sua inocência parecia provada, apenas por pressão popular.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cheiro a livro novo - Janeiro de 2015


No começo de um novo ano as editoras estão normalmente de ressaca, perdidas entre balanços do ano que acabou e visões daquilo que querem editar no novo ano. É por isso uma altura de promessas e poucas novidades, mas aos poucos e poucos, com maior ou menor excitação, lá foram saindo alguns livros.

A Relógio D’Água não costuma desiludir e há sempre qualquer coisa digna de menção. Para já destaque para mais um volume das obras de Nabokov, desta vez “Fogo Pálido”, e, para os aficionados dos contos, “Não Posso Nem Quero” de Lydia Davis, a vencedora do The Man Booker International Prize 2013.

E como prémio literário é sinónimo de Nobel da Literatura, a Porto Editora traz-nos mais um livro de Patrick Modiano, “Dora Bruder", anteriormente editado pela ASA e há muito esgotado. Igualmente prestigiada, mesmo sem ter ganho o Nobel, Simone de Beauvoir é uma das apostas do ano da Quetzal que começa por editar o romance “Mal-Entendido em Moscovo”.

Uma das boas notícias do início de 2015 foi a inauguração, pela Civilização, da colecção Noites Brancas com quatro emblemáticas obras de quatro autores clássicos: “Crime e Castigo” de Dostoievski, “Fausto” de Goethe, “Um Marido Ideal” de Oscar Wilde e “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós.

E por falar em autores nacionais, a Quetzal editou “Alegria Breve”, mais um livro da Obra Completa de Vergílio Ferreira. A Tinta-da-China trouxe-nos também a boa-nova da reedição de “O Crocodilo que Voa”, um livro que compendia várias entrevistas feitas a Luiz Pacheco, incluindo alguns entrevistadores sonantes como Baptista-Bastos, Paula Moura Pinheiro, Ricardo Araújo Pereira e Rui Zink. Na não-ficção destaque também para a reedição da Quetzal do 1º volume de “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir.

E terminamos com poesia, com a publicação pela não (edições) de “O Mar de Coral” de Patti Smith, a quarta obra da colecção de poesia traduzida Traditore.

domingo, 26 de outubro de 2014

A dependência dos livros - presentes de aniversário


Ao contrário do que o título vos pode levar a pensar, não acabei de fazer anos. Na verdade já passaram mais de quatro meses desde o meu aniversário. Mas então, porquê só agora um post sobre os presentes recebidos? Bom, não há nenhuma razão profundamente lógica. São os males da procrastinação.

Curiosamente, este foi o ano em que recebi mais livros de autores portugueses. Não poderiam faltar a Dulce Maria Cardoso e o Saramago neste lote, é claro, pública que é a minha adoração por ambos. Urbano Tavares Rodrigues e Rentes de Carvalho são dois autores que queria muito conhecer e foi-me feita a vontade.

Mas nem só de literatura nacional se alimenta uma alma, sendo também necessários autores internacionais. E se forem premiado, melhor, como é o caso de “Vida Roubada” de Adam Johnson, que recebeu o Pulitzer no ano passado, e de “As I Lay Dying” do Pémio Nobel William Faulkner (uma belíssima edição da Folio!). E também na categoria internacional, uma autora que há muito andava à procura de um lugar na minha prateleira – Flannery O’Connor.

Para terminar, num tom menos literário e mais musical, que me dizem a uma “Mozipedia”, ou seja, um enciclopédia sobre Morrissey e os The Smiths? A mim parece-me perfeito.

Deixo-vos com a lista completa:

As I Lay Dying” de William Faulkner, The Folio Society
Lôa Perdida no Paraíso” de Dulce Maria Cardoso, Tinta-da-China
Manual de Pintura e Caligrafia” de José Saramago, Porto Editora
Mozipedia” de Simon Goddard, Plume Books
Nenhuma Vida” de Urbano Tavares Rodrigues, Dom Quixote
O Chão dos Pardais” de Dulce Maria Cardoso, Tinta-da-China
O Rebate” de J. Rentes de Carvalho, Quetzal
Um Bom Homem É Difícil de Encontrar” de Flannery O’Connor, Cavalo de Ferro
Vida Roubada” de Adam Johnson, Saída de Emergência

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cheiro a livro novo - a rentrée literária de 2014



Setembro é um dos pontos altos do ano para os viciados em livros, esperando avidamente pelas novidades anunciadas pelas editoras para os últimos meses do ano, já de olhos postos no Natal. E este ano temos motivos de regozijo, com a Quetzal, a Tinta-da-China, a Cavalo de Ferro e a Relógio D’Água a dominarem a lista com as novidades mais apetecíveis.

Uma boa notícia é o regresso à publicação do grupo Babel que estava algo dormente nos últimos meses. Veremos o que nos reservam para os próximos tempos mas, para já, para além de algumas novidades, vai ser reeditado “A Síbila”, tanto a versão da Colecção Opera Omnia, como uma versão mais barata, comemorando assim os 60 anos da 1ª edição deste mítico livro.

No início de Outubro, com o anúncio do Prémio Nobel da Literatura, é de esperar que haja novidades (esperemos que sim!). Será que alguma editora terá a sorte de ver um dos seus autores a ser premiado e as vendas a subirem em flecha? Haverá uma corrida à publicação se for um autor por estrear no nosso mercado? Quem viver verá.

Deixo-vos então com uma lista daqueles que me parecem ser os lançamentos mais significativos dos próximos meses.


Porto Editora

"Alabardas, Alabardas" de José Saramago (Prémio Nobel da Literatura em 1998)
"Uma Menina Está Perdida no seu Século à Procura do Pai" de Gonçalo M. Tavares
"O Paraíso São os Outros" de Valter Hugo Mãe

Assírio & Alvim

"Poesia Presente" de António Ramos Rosa

Sextante

"Terra Amarga" de Joyce Carol Oates
"Mudwoman" de Joyce Carol Oates

Quetzal

“Montedor”  de J. Rentes de Carvalho
“Herzog” de Saul Bellow (Prémio Nobel da Literatura em 1976)
“O Rei Pálido” de David Foster Wallace

Bertrand

“Os Luminares” de Eleanor Catton (vencedor do The Man Booker Prize 2013)

Tinta-da-China

«Obra completa de Álvaro de Campos» de Fernando Pessoa
“Os Meus Sentimentos” de Dulce Maria Cardoso
“Oblomov”, de Ivan Goncharov
2º volume de entrevistas da Paris Review (entre os entrevistados T. S. Eliot, Harold Pinter, Ezra Pound, Marguerite Yourcenar, Vladimir Nabokov e Philip Roth)

Dom Quixote

“O Organista” de Lídia Jorge

Babel

“Os Incuráveis” de Agustina Bessa-Luís

Cavalo de Ferro

“A Selva” de Ferreira de Castro
“Final do Jogo” de Julio Cortázar
“Primeiro os Idiotas” de Bernard Malamud
“Thérèse Desqueyroux” de François Mauriac (Prémio Nobel da Literatura em 1952)

Presença

“O Pintassilgo” de Donna Tartt (vencedor do Pulitzer Prize for Fiction 2014)

Sextante

“Amálgama” de Rubem Fonseca

Relógio D’Água

“O Planeta do Sr. Sammler” de Saul Bellow (Prémio Nobel da Literatura em 1976)
“Diário” de Franz Kafka
“Obras Escolhidas” de Lewis Carroll
“Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento” de Alice Munro (Prémio Nobel da Literatura em 2013)

Caminho

“Vagas e Lumes” de Mia Couto

Antígona

“Contos Seleccionados” de Aldous Huxley
"A Vida e Opiniões de Tristam Shandy" de Laurence Sterne

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cheiro a livro novo - Abril, Maio, Junho e Julho 2014


Ando a dever-vos, já há algum tempo, uma actualização relativamente a novidades editoriais. Passemos então em revista os últimos meses, mesmo a tempo das férias de Verão e de algumas compras de última hora.

Não será certamente surpresa que, na minha opinião, o grande lançamento editorial dos últimos meses nos chegou pelas mãos da Relógio D’Água que decidiu, finalmente, pegar na obra de Marguerite Duras e, duma vez só, editar “Moderato Contabile” e “Olhos Azuis, Cabelo Preto”. Infelizmente são dois livros que já tenho na minha biblioteca, mas é sempre bom ver Duras a voltar às livrarias.

Não satisfeita com este lançamento, a Relógio D’Água tem submergido os seus leitores numa torrente de grandes livros: os volumes VIII e IX dos contos de Tchékhov, “A Morte de Virgílio” de Hermann Broch num único volume, “Ressurgir” de Margaret Atwood e “Falsos Segredos” da Prémio Nobel Alice Munro, só para referir os principais. Com um conjunto de livros como este a Relógio D’Água continua a melhorar um catálogo que é de longe o melhor em Portugal. E a concorrência não parece ter pernas para acompanhá-la…

A Porto Editora, como já vos disse anteriormente, tem estado focada em Saramago, com as novas edições de alguns dos seus livros e também com a publicação de “Lanzarote – A Janela de Saramago”, que reúne fotos de João Francisco Vilhena com excertos dos “Cadernos de Lanzarote”. E, assinalando os quatro anos da morte de Saramago e os dois anos da revista online Blimunda, a Fundação José Saramago preparou uma belíssima edição especial em papel da Blimunda que reúne alguns dos principais artigos publicados nestes dois anos, assim como um artigo original. Eu já tenho a minha e digo-vos que vale mesmo a pena!

E por falar em coisas que valem mesmo a pena, os últimos meses da Tinta-da-China foram marcados por uma autora (e não, não estou a falar da Matilde Campilho). Depois do lançamento do inacreditavelmente bom “Tudo São Histórias de Amor”, tivemos Dulce Maria Cardoso em dose tripla, com os dois primeiros números da colecção juvenil “A Bíblia de Lôá” – “Lôá e a Véspera do Primeiro Dia” e “Lôá Perdida no Paraíso” – genialmente ilustrados por Vera Tavares e uma nova edição de “O Chão dos Pardais”, romance que valeu à autora o Prémio PEN Club em 2009. Para além disso, consta que vem aí uma nova edição de “Jacques, O Fatalista” de Denis Diderot, um dos grandes títulos da colecção de humor organizada por Ricardo Araújo Pereira. Praise the lord!

A Dom Quixote recuperou algum do seu vigor depois de meses de absoluto tédio. E assim chegaram até nós “Os Factos” de Philip Roth, o terceiro volume das “Obras Completas” de Urbano Tavares Rodrigues, “Contos Maravilhosos” do Prémio Nobel Hermann Hesse e o clássico “O Leopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa.

A Cavalo de Ferro apostou num Prémio Nobel pouco explorado em Portugal e publicou o ensaio “Massa e Poder” de Elias Canetti, continuando também a publicação de obras de Julio Cortázar com o volume de contos “As Armas Secretas”, preparando as comemorações do centenário do seu nascimento.

E terminemos em português, com a Quetzal, que nos trouxe uma nova edição de “Ernestina” de Rentes de Carvalho e um novo livro de José Eduardo Agualusa, “A Rainha Ginga”, que conta a história de uma mítica heroína Angolana.

Esperam-nos agora meses calmos até à rentrée em Setembro/Outubro, um dos pontos altos editoriais do ano. Pode ser que entretanto a Ahab regresse à vida, depois do destaque que teve no ano passado com a promessa de publicar em Portugal "A Minha Luta" de Karl Ove Knausgård e de, entretanto, não ter editado livro nenhum.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Em estado crítico: "Hiroshima Meu Amor" de Marguerite Duras


“O tempo virá em que não saberemos que nome dar ao que nos unirá. O nome apagar-se-á a pouco e pouco da nossa memória.”


Hiroshima. Nevers. O que une estes dois locais? A destruição? Que destruição poderá Nevers conter que se iguale a uma cidade dizimada por uma bomba atómica? Que horrores terão sido vividos nas suas ruas? De quantas mortes desnecessárias terá sido palco? Nevers. Uma aparentemente doce e bucólica terra francesa, a terra que viu morrer o amor.

Uma mulher, uma actriz, está em Hiroshima no pós-guerra a rodar um filme sobre a paz. Que outro tipo de filme se poderia fazer em Hiroshima, questiona. O passado é, em Hiroshima, um fantasma que a persegue. Na vida que regressou ao normal, na cidade plenamente reconstruída, onde a catástrofe não é mais do que uma memória longínqua que se afugenta, há uma ameaça eminente de que o que Hiroshima viveu seja esquecido. Hiroshima tem de ser lembrada sempre, como o têm de ser todas as grandes tragédias. Mas a vida teima em cobrir os acontecimentos desagradáveis com um véu apaziguador. Até que não restem mais do que sombras. Até que comecemos a duvidar que o que aconteceu aconteceu mesmo.

Um amor em Hiroshima. Um homem casado, como ela, que nos seus braços sonha com um grande amor. Um homem que é mais do que aquele homem japonês, que é um arquétipo do amante proibido, uma recordação viva do amor vivido em Nevers. Em Hiroshima, a mulher percebe que ela própria tem vindo a esquecer, que a dor dilacerante que parecia capaz de a matar acabou por sossegar e, com o avançar dos dias, a vida continuou, apesar da imagem de destruição absoluta. Experimentou o maior dos horrores e agora vive, com uma aparência de normalidade.

O que une Hiroshima e Nevers? A destruição. A destruição de que pensamos não conseguir emergir. Mas também o esquecimento, a traição de uma vida que o continua a ser, a insustentável leveza do ser de que Kundera falaria.

“Hiroshima Meu Amor”, o guião que valeu a Marguerite Duras a nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original, foi também a primeira longa-metragem de Alain Resnais, protagonizada por Emmanuelle Riva. O filme tem o mérito de, mantendo-se fiel à visão de Duras, a ter dotado de imagens icónicas cuja beleza nada fica a dever às palavras escritas. 

Já que o livro, em tempos editado pela Quetzal, é muito difícil de encontrar hoje em dia, recomendo-vos vivamente o filme, cuja versão restaurada foi recentemente lançada em DVD pela Leopardo Filmes.


Classificação: 17/20


domingo, 30 de março de 2014

Cheiro a livro novo - Março de 2014


Março tem sido um mês interessante para os autores portugueses, com vários livros de grandes nomes a chegarem às livrarias. No espaço de poucas semanas a Tinta da China trouxe-nos “Tudo São Histórias de Amor” de Dulce Maria Cardoso, que reúne 12 contos de autora que, tendo em conta o desempenho na abertura da 1ª Granta portuguesa, prometem muito. Também a Sextante decidiu avançar com uma autora de peso e fez chegar às livrarias “Passagem” de Teolinda Gersão. E, como onde há duas há três, não é de estranhar que também a Dom Quixote tenha publicado um novo livro de Lídia Jorge, “Os Memoráveis”, mesmo a tempo das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, data também aproveitada pela Quetzal, que edita finalmente no nosso país “Portugal, a Flor e a Foice” de Rentes de Carvalho. Dois livros que se propõem rever os mitos do 25 de Abril. Uma verdadeira luta de editoras.

E por falar em luta de editoras, um dos grandes mistérios editoriais dos últimos tempos é a decisão da Relógio D’Água e da Presença (duas editoras em espectros profundamente opostos do mundo editorial, diga-se de passagem) de editarem em simultâneo “Doze Anos Escravo” de Solomon Northup. A sério?! Como se não houvesse livros suficientes no mundo para serem editados ou clássicos que há muito tempo desapareceram das livrarias. Sinto-me revoltado.

A Relógio D’Água prometia ter um mês interessante mas poucos livros viram para já a luz do dia, parecendo-me justo destacar “Sobre Literatura” de Umberto Eco. De resto, a Temas e Debates editou também este mês um ensaio sobre literatura que me parece muito interessante, “Génio - Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura" de Harold Bloom.

Para terminar, menção obrigatória à edição pela Presença de “Colheita” de Jim Crace, um dos finalistas da última edição do Man Booker Prize (que, a julgar pela capa, ninguém diria que não se trata de um livro de literatura light) e, pela Cavalo de Ferro, de “Gostamos Tanto da Glenda” de Julio Cortázar, um volume de contos nunca antes publicados em Portugal e que é um ponto de partida para as comemorações do centenário do autor, que se aproxima a passos largos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A dependência dos livros - edição Fevereiro de 2014


Compras de grande envergadura. Assim descreveria o meu mês de Fevereiro, dedicado que foi à compra de duas obras fundamentais de dois escritores incontornáveis, que já estavam no meu radar há bastante tempo. Falo de “Todos os Contos” de Edgar Allan Poe editado pela Quetzal, cujo primeiro volume infelizmente há muito que está esgotado e o segundo não vai tardar muito a também desaparecer dada a descida de preço de 40€ para menos de 18€. Um dos meus hábitos é ver-me livre de capas descartáveis de livros sempre que estas não me agradam e neste caso a horrorosa capa de folhas secas que cobria o livro escondia uma capa dura trabalhada com todo o primor. Nem precisei pensar duas vezes.

Curiosamente, o segundo livro que comprei, a “Poesia Completa” de Miguel Torga (um pack da Dom Quixote bem bonito, com 2 volumes), também se encontrava com uma baixa de preço significativa, tendo passado de mais de 40€ (segundo me recordo) para cerca de 30€. Parece caro? Bom, considerando que a “Antologia Poética” recentemente editada custa cerca de 23€ e cada volume separado da “Poesia Completa” está perto dos 25€, eu diria que é uma excelente compra. Se querem ter poesia do Torga não façam-se à vida porque já há poucos packs nas lojas. Comprei o meu na loja online da Leya ( já não está disponível), mas pelo que sondei ainda se avistam exemplares do livro na Ferin e na Bulhosa.

E para completar este belo ramalhete, que tal um livrinho de um Prémio Nobel por truta e meia? Neste caso, por 4.5€, que foi quanto me custou “O Amor e o Escárnio” de Dário Fo editado pela Gradiva. Um mês em grande!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cheiro a livro novo - Janeiro de 2014


Uma pobreza franciscana. Assim se pode descrever este início de ano em termos editoriais. Poucas novidades e as saídas mais mediáticas não foram as de livros, mas antes a de Saramago e João Tordo da Leya (Saramago entretanto já acolhido na Porto Editora).

Se há algum esforço na Leya para que não seja óbvio que as coisas não andam bem, será certamente muito tímido. Basta olhar para o que as novidades das editoras do grupo em Janeiro e percebe-se que os tempos não estão para grandes investimentos. Digna de nota, portanto, apenas a reedição da “Antologia Poética” de Miguel Torga pela Dom Quixote. Mas, conselho de amigo: se querem comprar poesia do Torga, ainda circula por algumas lojas uma edição da poesia completa do autor, com 2 volumes num único pack, e cujo preço é pouco maior do que o desta antologia.

Falando ainda de autores portugueses, a Tinta da China publicou “Traição”, uma peça de teatro de Luís Mário Lopes, vencedora do Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia António José da Silva. Saúde-se o regresso da Tinta da China à ficção, e particularmente à portuguesa, após uma grande leva de não-ficção. Quem ficava bem entregue nas suas mãos era o João Tordo, mas a ver vamos o que o futuro reserva. Destaque também na Tinta da China para um novo livro da colecção de literatura de viagens, “Hav” de Jan Morris, o segundo livro do autor nesta colecção e que foi finalista do Booker Prize.

Também finalista do Booker Prize, em 2013, foi “Planície” de Jhumpa Lahiri, que a Relógio D’Água se prepara para editar. Mas a Relógio D’Água nunca esquece os clássicos e este mês iniciou a publicação das "Obras Escolhidas" de Virgínia Woolf, em capa dura, juntando num único volume 4 dos seus livros mais conhecidos: “Orlando”, “As Ondas”, “Mrs. Dalloway” e “Rumo ao Farol”.

E, por falar em clássicos, a Quetzal anunciou para breve o início de uma colecção de clássicos, que será inaugurada por “Anatomia da Melancolia” de Robert Burton e “Páginas Escolhidas” de Samuel Johnson. Para já, a Quetzal editou um clássico mais moderno e que desde o fim da Difel estava afastado das livrarias. Falo de “Nove Histórias” de J. D. Salinger.

Com tanta ficção, que tal um livrinho de não-ficção para desenjoar? A Antígona inicia o ano com o ensaio de CondorcetReflexões sobre a Escravidão dos Negros” e “A Escravatura – Subsídios Para a Sua História” de Edmundo Correia Lopes. A ver vamos, que outras novidades terá a Antígona preparadas para 2014.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Rentes de Carvalho com os portugueses

A Joana Ribeiro anda há 2 anos a falar-me de Rentes de Carvalho, não poupando elogios. E assim foi crescendo em mim uma vontade de o ler, vontade que no entanto ainda não se concretizou. Foi então que há cerca de duas semanas, a propósito do Grande Prémio da Crónica APE que Rentes de Carvalho recebeu por “Mazagran”, decidi ressuscitar um velho projecto: obrigar a Joana a escrever um post. Deixo-vos assim com o primeiro guest post do Sentido dos Livros, esperando que este seja o primeiro de muitos.


A primeira vez que ouvi falar de José Rentes de Carvalho foi há pouco mais de dois anos e logo aí, ignorando por completo o seu universo, fui apanhada de surpresa pela adjectivação forte com que o caracterizavam: "mestre".  De início ainda pensei ingenuamente tratar-se de um desses novos nomes da literatura contemporânea portuguesa sobre os quais se criam cultos, tal era o entusiasmo com que falavam da melhor descoberta dos últimos tempos.

Antes de mencionar as minhas duas experiências com a leitura de Rentes, gostava só de fazer este parêntesis sobre alguns motivos extra-literários que me levam a sentir especial carinho pela figura. Digamos que sou susceptível às circunstâncias pessoais de quem escreve as histórias que eu leio. Pois estamos perante um homem que já ultrapassou os oitenta anos, que distribuiu uma vida longa entre São Paulo, Rio de Janeiro, Nova Iorque, Paris e Amesterdão, que consta ter sido apresentado pela rainha Beatriz ao presidente Sampaio (que não sabia quem ele era?) e que ainda hoje viaja de carro entre Trás-os-Montes e a Holanda umas cinco vezes ao ano. Que continua a escrever e finalmente a ser publicado, com o reconhecimento devido, entre os portugueses – para quem sempre escreveu os seus livros, à excepção de “Com os Holandeses”.
                                                                                      
Comprei então na altura “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia” e atirei-me a ele como em busca do Santo Graal. Confesso que inicialmente tive um desapontamento instantâneo, porque não tinha percebido que se tratava de um livro de contos e talvez ainda estivesse sob o 'mindset’ pedrosiano que reserva apenas e só ao romance a categoria de grande literatura. Talvez Rentes tenha sido o primeiro a ajudar a desfazer essa barreira. Mas não só: terá também sido com Rentes que comecei a redescobrir o prazer incomparável de ler prosa bem escrita na língua portuguesa. Admito que as histórias de “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia” possam não apelar a toda gente. Reportam-se a maioria das vezes às décadas do pré-25 de Abril, relatos ficcionados sempre numa primeira pessoa que parece ir diferindo vagamente de uma história para outra (ou talvez não), cujas peripécias parecem confundir-se com as que o próprio Rentes terá vivido ou ouvido contar, num tom confessional e de grande transparência perante o leitor. Com uma linguagem muito próxima da oralidade que se revela fonte inesgotável sobre costumes, manhas, expressões, etiquetas. Poderia destacar vários contos, mas escolho para meu favorito um que faz essa síntese entre a mundividência do homem feito nas megalópoles e a simplicidade rústica das terras do norte de Portugal, dois pólos que perpassam todo o livro. Em “O Enterro de Meus Pais”, lemos sobre a longa e tortuosa viagem de um português, de Amesterdão até uma aldeia perdida nos confins transmontanos, para o funeral do pai. Será também, perante o fundo significado dos rituais de comunidade e luto, a constatação súbita de uma incapacidade a roçar o infantil e da «consciência da própria insignificância». Cito também com curiosidade a observação final de “O Incêndio de Lisboa”, em que o emigrante, sempre nostálgico da juventude vivida no Chiado, regressa a Lisboa de propósito para ver o que resta do incêndio nos armazéns e concluir que «os escombros parecem-me ainda mais terríveis e desesperados, ao mesmo tempo símbolo e sinal de mau agouro num país onde, mau grado a democracia recuperada, a vida da maioria continua a ser uma longa espera imponente e triste entre coisas que apodrecem e coisas que ardem».

Extremamente divertida foi a leitura de “Com os Holandeses”, que comprei pouco tempo depois de ter viajado por diversas cidades e vilas holandesas. Mesmo considerando as inevitáveis mudanças ocorridas desde a publicação original em 1971, reconheci com deleite os diversos choques e estranhezas que um meridional sofre às mãos de um povo fanático pela organização, a eficiência e o lucro, naturalmente sensaborão e avesso a espontaneidades - apesar de tudo ter para que a vida lhe corra doce, desprezador da culinária como algo mais do que a satisfação de uma necessidade, suspeitoso de tratos delicados e subtilezas (que pretende este?), e por aí fora. Sorri quando reconheci, entre outros, os «croquetes insípidos e os sacos de batatas fritas do automatik da esquina» com que os jovens que vão jantar fora se contentam. E o aparto total de afectos entre pais e filhos? Só me lembra a minha mãe quando diz, com o desconsolo de alma português, que na Inglaterra onde o meu irmão está emigrado, e que ela pouco ou nada conhece, eles não sentem a família como nós. Eis o retrato da típica mulher holandesa que alugou o quarto a Rentes de Carvalho e que anos mais tarde recordava tê-lo tratado como mãe:

«A Holanda nesse tempo só ia de férias para onde lhe garantissem as batatas cozidas e o estufado nacional, e os meus temperos e óleos agrediam o nariz da dona como murros. Vinha inspeccionar o azeite, o colorau, o alho, sem nela pegar examinava a folha de loureiro, tudo venenos voláteis que espalhados pela casa lhe punham a saúde em perigo. Abria as janelas e informava os vizinhos da minha culpa, porque também eles se doíam. Obrigou-me à promessa de não fazer fritos. Reduziu-me o fumar, porque o tabaco amarelece as paredes, os cortinados, levantando assim despesas de pintura e de lavagem. Pediu-me que não fizesse barulho no corredor, que não entrasse tarde, não lesse de noite, me levantasse cedo.»

“Com os Holandeses” e outros títulos de Rentes de Carvalho foram, ironicamente, grandes êxitos no país que o acolheu. Em Portugal só nos resta recorrer ao ditado: mais vale tarde do que nunca.

Por Joana Ribeiro


Livros de J. Rentes de Carvalho publicados pela Quetzal:


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Cheiro a livro novo - Outubro de 2013


Estamos perante um final de ano morno. E não, não falo apenas da temperatura, que agora já começa a mostrar sinais de querer baixar, falo das escolhas editoriais, que não se pode dizer que sejam más, mas esperava-se melhor, especialmente tendo em conta que estamos em época alta. Estarão as editoras a guardar as grandes cartadas para Novembro? Fala-se da edição do “Guerra e Paz” e do “Ulisses” pela Relógio d’Água nesse mês, mas tendo em conta os sucessivos atrasos (estes livros estão na calha há quase um ano) é mesmo caso de ver para crer.

Em Outubro, surpreendentemente, o grande anúncio veio da Antígona, que se prepara para editar vários livros de Aldous Huxley, começando pelo “Admirável Mundo Novo”, livro muito difícil de encontrar nas livrarias, embora ainda se vejam de vez em quando uns exemplares esquecidos e velhinhos da colecção Dois Mundos da Livros do Brasil. Sem dúvida um autor até aqui maltratado pelas nossas editoras e que vai ter finalmente edições à sua altura. Excelente opção da Antígona!

Falando de grandes autores do século XX, a Relógio d’Água continua a publicação das obras de Nabokov, com uma regularidade surpreendente, diga-se de passagem, desta vez com “Pnin”.E porque nem só de clássicos vive o leitor, há também lugar para a edição do polémico “As Partículas Elementares” de Michel Houellebecq, editado anteriormente pela Temas e Debates mas entretanto desaparecido das livrarias.

Compreendo a edição de um livro por mais de uma editora quando o livro esgotou e já não se encontra no mercado, mas que de resto parece-me um exercício estéril. Posto isto, gostava que alguém me explicasse porque é que a Tinta da China decidiu publicar mais uma versão do “Livro do Desassossego” do Fernando Pessoa? Não ponho em causa a qualidade de Jerónimo Pizarro, o editor da obra, mas havendo pelo menos a edição da Assírio & Alvim e a da Relógio d’Água, não será uma má alocação de recursos editar um livro que se encontra facilmente no mercado? Não vejo a mais-valia, e volto a dizer que a Tinta da China se está a deixar ficar para trás na ficção, especialmente na estrangeira.

Também não percebo muito bem a motivação da Alfaguara para editar “Coração Tão Branco” de Javier Marías, que na Feira do Livro se encontrava na banca da Relógio d’Águas a 5€. Com tanto livro por editar em Portugal... A editar um livro que se já se encontra pelas livrarias, então que se faça algo em grande, como a Divina Comédia, que decidiu apostar numa nova edição de  “Cartas Portuguesas”, a obra clássica de Mariana Alcoforado, que conta com tradução de Pedro Tamen, prefácio de Maria Teresa Horta, ilustrações de Modigliani e capa dura. Querem melhor? Tudo isto por apenas 13.5€.

E porque falar em literatura em Outubro é sinónimo de falar de Nobel, chegaram até nós algumas edições de vencedores do prémio, poucas, verdade seja dita, mas escolhas interessantes. A Bertrand editou uma colectânea de contos de Thomas Mann, surpreendendo-nos a Sextante com a publicação de mais um livro de Aleksandr Soljenítsin, “A Casa de Matriona”. Um livro sem dúvida inesperado, tal como o é o regresso às livrarias de “Uma Cana de Pesca para o Meu Avô” de Gao Xingjian, reedição da Dom Quixote, editora que também nos traz o último livro de Urbano Tavares Rodrigues, “Nenhuma Vida”, entregue dias antes de falecer.


E por fim, talvez um dos mais interessantes livros de não ficção editados nos últimos tempos, ou pelo menos assim se espera que seja. “Uma Coisa Supostamente Divertida que Nunca Mais Vou Fazer” é o segundo livro que a Quetzal edita de David Foster Wallace, reunindo alguns dos seus artigos e ensaios mais célebres, nomeadamente aquele que dá nome ao livro, e que relata a experiência de Foster Wallace a bordo de um cruzeiro às Caraíbas que durou uma semana. Consta que é um relato bem corrosivo, com generosas doses de ironia. Diversão garantida.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Cheiro a livro novo - Setembro de 2013


Setembro é o mês das grandes novidades literárias e algo ficou claro: a recta final do ano será dominada pelos grandes grupos editoriais, que já têm as suas novidades nas livrarias e prometem uns próximos meses agitados.

E porque Outubro é mês de novo Nobel da Literatura, Setembro é o mês de editar antigos premiados. Se no ano passado a Quetzal marcou o final do ano com a edição de “A Piada Infinita” do Foster Wallace, este ano parece pronta a repetir a proeza com algo inédito em Portugal: com apenas 8 dias de diferença da edição espanhola, foi editado em português o novo livro de Vargas Llosa, “O Herói Discreto”. Se isto não é algo marcante, não sei o que será. No mínimo é um precedente fantástico e que talvez aponte caminho para o futuro da edição em Portugal.

Para fazer frente a esta iniciativa de peso, a Dom Quixote acena com a edição do último livro de Coetzee, “A Infância de Jesus”. Mas porquê ter apenas um Prémio Nobel quando se pode ter dois ou três, certo? Não fosse Coetzee sair-se mal no confronto com Vargas Llosa, a Dom Quixote conta ainda com a mais do que necessária reedição de “O Lobo das Estepes” de Hermann Hesse (que não se encontra nas livrarias desde a falência da Difel) e na edição de mais um livro de William Faulkner, “Mosquitos”.

Fora dos grandes grupos, a única editora a aventurar-se para já no mundo dos Nobel da Literatura é a Cavalo de Ferro, que continua a publicação de obras de Knut Hamsun, desta vez com “Mistérios”. Mas a fidelidade da Cavalo de Ferro aos seus autores não se fica por aqui e, alguns meses após a edição do 1º livro, a publicação das obras completa de Ferreira de Castro continua, desta feita com “A Missão”, que é para já a melhor capa da reentrée literária.

E por falar em autores portugueses, a grande novidade do mês é sem dúvida o primeiro livro de Valter Hugo Mãe com a Porto Editora – “A Desumanização”. Outro marco de Setembro é a edição pela Dom Quixote da “Antologia Poética“ de Natália Correia, uma das figuras de proa da cultura portuguesa do séc. XX e que, misteriosamente, tinha desaparecido das livrarias e dos catálogos das editoras.

Fora estas novidades de literatura portuguesa, a Assírio & Alvim presenteia-nos com a reedição de obras de duas mulheres incontornáveis: Maria Velho da Costa, com “Casas Pardas”; e Sophia de Mello Breyner Andresen, cuja obra poética começa a ser reeditada com “No Tempo Dividido”, “Mar Novo”, “Poesia” e “Coral”.


E as principais novidades de Setembro são estas. Duas notas finais: primeiro, a Relógio d’Água está assustadoramente calada, falando-se em alguns artigos de imprensa que a publicação de “Ulisses” de James Joyce e de “Guerra e Paz” de Tolstói está prevista para os próximos meses, mas até ao momento não há lista de novidades de editora, como habitualmente, nem nenhum livro publicado em Setembro; segundo, a Tinta da China entrou em Setembro com várias novidades, mas algo de estranho – a ficção ficou de lado, o que é preocupante, tendo em conta que são desta editora duas das melhores colecções de ficção dos últimos anos (a de Literatura de Humor e Clássicos). Reservar-nos-á a Tinta da China novidades de ficção para breve?

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Cheiro a livro novo – Agosto de 2013





Agosto é um mês triste. Poucas novidades a chegar às livrarias, os escaparates com livros requentados para serem levados para a praia e sujos sem culpa. Vem depressa Setembro, com as grandes novidades da rentrée!

Para já, 3 novidades dignas de nota. A Bertrand edita o multi-premiado “A História de Uma Serva” de Margaret Atwood, anteriormente editado pela Europa-América, livro que em 1986 chegou à shortlist do The Man Booker Prize. Mas não se deixem enganar pela capa certinha, não estamos perante um romance feminino. Um teaser: imaginem que o Governo dos Estados Unidos era derrubado por extremistas religiosos ultra-conservadores, como seria viver nesse mundo?

Mantendo-nos em livros com temáticas pesadas, a Sistema Solar continua a percorrer um caminho muito próprio, com escolhas surpreendentes, desta vez com “O Aperto do Parafuso” de Henry James, também editado por cá pela Relógio d’Água, que nos apresenta uma história de fantasmas que tem divido o mundo literário. Os livros da Sistema Solar são muito interessantes dos ponto de vista estético, e há uma grande coerência de design a reforçar uma coerência editorial mais do que óbvia.

E por fim, um livro desafiante. W. G. Sebald tem o seu nome inscrito nas listas de grandes referências. Era mesmo considerado um dos favoritos ao Nobel, mas quis o destino que a morte chegasse mais depressa que o prémio. Com ou sem Nobel, Sebald tem alguns livros muito bem reputados no mercado, um dos quais “Os Anéis de Saturno” editado agora pela Quetzal (já editado pela Teorema). O desafio deste livro prende-se com a sua indefinição quanto a género: não é bem um livro de viagens, não é bem um livro de memórias, não é bem ficção… Algo na boa tradição de Jorge Luís Borges.

Mais livros para a vastíssima lista de compras. Curiosa esta tendência de editoras repescarem livros já editados em Portugal. Não sou contra. Se for para termos melhores edições que as já existentes, vamos a isso. Mas por outro lado, há tanto livro por editar, tanto clássico…