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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cheiro a livro novo - Janeiro de 2015


No começo de um novo ano as editoras estão normalmente de ressaca, perdidas entre balanços do ano que acabou e visões daquilo que querem editar no novo ano. É por isso uma altura de promessas e poucas novidades, mas aos poucos e poucos, com maior ou menor excitação, lá foram saindo alguns livros.

A Relógio D’Água não costuma desiludir e há sempre qualquer coisa digna de menção. Para já destaque para mais um volume das obras de Nabokov, desta vez “Fogo Pálido”, e, para os aficionados dos contos, “Não Posso Nem Quero” de Lydia Davis, a vencedora do The Man Booker International Prize 2013.

E como prémio literário é sinónimo de Nobel da Literatura, a Porto Editora traz-nos mais um livro de Patrick Modiano, “Dora Bruder", anteriormente editado pela ASA e há muito esgotado. Igualmente prestigiada, mesmo sem ter ganho o Nobel, Simone de Beauvoir é uma das apostas do ano da Quetzal que começa por editar o romance “Mal-Entendido em Moscovo”.

Uma das boas notícias do início de 2015 foi a inauguração, pela Civilização, da colecção Noites Brancas com quatro emblemáticas obras de quatro autores clássicos: “Crime e Castigo” de Dostoievski, “Fausto” de Goethe, “Um Marido Ideal” de Oscar Wilde e “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós.

E por falar em autores nacionais, a Quetzal editou “Alegria Breve”, mais um livro da Obra Completa de Vergílio Ferreira. A Tinta-da-China trouxe-nos também a boa-nova da reedição de “O Crocodilo que Voa”, um livro que compendia várias entrevistas feitas a Luiz Pacheco, incluindo alguns entrevistadores sonantes como Baptista-Bastos, Paula Moura Pinheiro, Ricardo Araújo Pereira e Rui Zink. Na não-ficção destaque também para a reedição da Quetzal do 1º volume de “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir.

E terminamos com poesia, com a publicação pela não (edições) de “O Mar de Coral” de Patti Smith, a quarta obra da colecção de poesia traduzida Traditore.

segunda-feira, 24 de março de 2014

A dependência dos livros - edição Março de 2014


Este mês, graças a duas generosas iniciativas, o volume de livros que entrou na minha biblioteca pessoal foi bastante superior ao que pensava inicialmente. Por um lado, a campanha de oferta de livros da Presença valeu-me três livros, que normalmente custariam à volta de 70€, pelos quais paguei menos de 7€ em portes de envio. Excelente iniciativa esta, sem dúvida, que me permitiu finalmente comprar dois dos volumes da trilogia USA do John dos Passos e “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles.

A outra oportunidade que me deixou particularmente eufórico veio pela mão da Tinta da China, a respeito do lançamento do novo livro da Dulce Maria Cardoso, “Tudo São Histórias de Amor”, Quando feita a pré-encomenda do livro através do site da Tinta da China recebia-se gratuitamente um título à escolha de três opções da colecção de clássicos. Como já tinha o “O Livro da Selva”, fiquei na dúvida entre “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” e “A História de um Rapaz Mau” mas acabei por escolher este último.

Deixo-vos com a lista completa das compras do mês, mas não posso deixar de destacar o “Autismo” do Valério Romão, uma das compras que mais felicidade imediata me trouxe. Conto os dias pelo momento em que o lerei.

Autismo” de Valério Romão, Abysmo
Corre, Coelho” de John Updike, Civilização
Contos de Amor, Loucura e Morte” de Horácio Quiroga, Cavalo de Ferro
O Anão” de Par Lagerkvist, Antígona
O Grande Capital” de John dos Passos, Presença
1919” de John dos Passos, Presença
As Meninas” de Lygia Fagundes Telles, Presença
Tudo São História de Amor” de Dulce Maria Cardoso, Tinta da China
A História de um Rapaz Mau” de Thomas Bailey Aldrich, Tinta da China
O Inominável” de Samuel Beckett, Assírio & Alvim
“A Rainha Restauradora – Luísa de Gusmão” de Monique Vallance, Círculo de Leitores
“A Rainha Coleccionadora – Catarina de Áustria” de Annemarie Jordan, Círculo de Leitores

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

5 livros a 5 euros

Um dos meus passatempos preferidos é andar, horas e horas, à deriva em sites de livrarias, a pesquisar livros que um dia irei comprar e que vão entrando para a minha listinha de compras (sem a qual já não consigo viver). E nessas pesquisas deparo-me muitas vezes com livros conceituados a preços muito convidativos. Não sendo eu uma pessoa egoísta e pensando no vosso bem, aqui vos deixo uma lista de 5 livros que podem adquirir por cerca de 5€ (cada), para que o preço não sirva de desculpa para não ler bons livros.


“Corre, Coelho” de John Updike, Civilização (5€)


Sinopse: Harry "Coelho" Angstrom tem 26 anos e é uma antiga estrela do basquetebol. Casado com a sua namorada do liceu (alcoólica e grávida do segundo filho), vive nos subúrbios da Pennsylvania e é vendedor de acessórios de cozinha. "Coelho" começa a sentir que a sua vida não faz sentido e que só tem duas hipóteses: tentar fazer com que a sua vida seja melhor ou fugir. Decide fugir e abandona a família. Quando parte em direcção a Virgínia encontra o seu antigo treinador que o apresenta a Ruth, uma prostituta em part-time, e nessa mesma noite começam a viver juntos. "Coelho" só não sabe o que o futuro lhe reserva…

Reconhecimento: Considerado pela Time como um dos 100 melhores romances em inglês entre 1923 e 2005, é o primeiro livro de uma saga que abrange no total 4 livros e 1 novela, tendo o Pulitzer Prize for Fiction sido concedido a 2 livros da colecção: “Coelho Enriquece” e “Coelho em Paz”.



Contos de Amor, Loucura e Morte” de Horácio Quiroga, Cavalo de Ferro (5€)


Sinopse: Nestes pedaços de narrativa Quiroga ilustra de forma esmagadora a luta do homem contra o destino, as batalhas contra a natureza e a solidão incomensurável dos personagens, a presença totémica da morte, da doença, do lado negro da realidade; tudo nestas histórias segue um percurso de decadência que, contudi, estabelece uma espécie de catarse que exorciza a esperança.

Reconhecimento: Quiroga é considerado o pai do conto sul-americano.



“Maina Mendes” de Maria Velho da Costa, Dom Quixote (4.9€)


Sinopse: «É na trama de uma escrita densa e plural, de um virtuosismo sem exemplo entre nós, que Maina Mendes se encontra inscrita e dispersa em múltiplos perfis, «puzzle» voluntário organizado do interior (ou do lado invisível da trama) pela pressão uniforme do mundo recusado, mundo masculino onde ela é a voz silenciada, negada ou submersa que se recusa à afonia definitiva. (...) Nenhum dos nossos livros contemporâneos redistribui com tanto sucesso as experiências mais criadoras da prosa portuguesa, de Fernão Lopes a Guimarães Rosa, paisagens atravessadas e recriadas, a par de outras, com uma originalidade absoluta.» Eduardo Lourenço

Reconhecimento: Maria Velho da Costa venceu o Prémio Camões em 2002



“O Amor e o Escárnio” de Dario Fo, Gradiva (5€)


Sinopse: Hereges, fanfarrões, transgressores deliberados ou involuntários, protagonistas das histórias de uma outra História, não da oficial e expurgada, recriadas e contadas pela voz única de Fo. Com ilustrações do autor.

Reconhecimento: Dario Fo venceu o Prémio Nobel da Literatura em 1997.


“A Correspondência de Fradique Mendes” de Eça de Queirós, Biblioteca Editores Independentes (4.5€)


Sinopse: O livro é constituído por 2 partes: na primeira o narrador apresenta Fradique, um poeta que muito admira, colocando-o em interacção com personalidades reais (Antero de Quental, Ramalho Ortigão…); na segunda são apresentadas cartas escritas por Fradique.


Reconhecimento: É o Eça! São necessárias provas de reconhecimento?!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal com os clássicos


«Os Cratchit não eram uma família distinta, nem se encontravam bem vestidos; os seus sapatos estavam longe de serem impermeáveis; as roupas eram escassas; e Peter devia já ter visto, muito provavelmente já vira, o interior de uma casa de penhores. Mas sentiam-se felizes, agradecidos, agradáveis uns para os outros e satisfeitos com a ocasião; e enquanto se iam gradualmente extinguindo, parecendo ainda mais felizes sob a luminosa aspersão do archote do Espírito, à partida, Scrooge conservou os olhos fixos neles, particularmente em Tim, até desaparecerem por completo.»


(excerto de Cântico de Natal, in “Contos de Natal” 
de Charles Dickens, Civilização Editora)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cheiro a livro novo – Novembro e Dezembro 2013


Os meses que antecedem o Natal são por norma pródigos em novidades editoriais, aproveitando o ímpeto consumista originado pelos presentes. Não se pode dizer que tenha sido esse o caso este ano, com poucas novidades e as que existiram foram sobretudo novas edições de obras já publicadas em Portugal. De realçar a pouca actividade dos dois maiores grupos editoriais, Leya e Porto Editora, sem nenhum livro particularmente excitante editado neste período.

A novidade do final do ano e, na minha opinião, a edição mais relevante de 2013 é “Dicionário de Lugares Imaginários” de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, um gigantesco livro de 1000 páginas trazido até nós pela Tinta da China, que compendia locais fictícios famosos na literatura mundial, com direito a ilustrações. Se isto não é o presente de Natal perfeito, não sei o que o será. Mas, como se este livro não fosse suficiente, a Tinta da China editou ainda o segundo livro da colecção pessoana, “Eu Sou uma Antologia”, com organização de Jerónimo Pizarro e Patrício Ferrari, reunindo escritos de 136 autores criados por Fernando Pessoa. E para fechar com chave de ouro, há ainda "Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer", um livro com entrevistas realizadas por Carlos Vaz Marques na Ler, com alguns dos autores portugueses mais relevantes dos últimos anos (Saramago, Agustina, Lobo Antunes, M. Tavares e Dulce Maria Cardoso, por exemplo).

A única editora a competir com a Tinta da China nas novidades de final de ano é a Relógio d’Água, com duas grandes apostas já disponíveis nas livrarias. Falo das tão aguardadas edições de “Ulisses” de James Joyce, desaparecido do mercado desde que a Difel fechou portas, com uma nova tradução para português de Jorge Vaz de Carvalho, e de “Guerra e Paz” de Tolstoi, que não estava propriamente desaparecido das livrarias. Sendo fácil de encontrar a edição da Presença deste livro, que mais-valias pode ter a versão da Relógio d’Água? Para começar, menos volumes: dois em vez dos quatro da Presença. E depois, há ainda a garantia de qualidade da tradução de António Pescada, que já anteriormente tinha traduzido, de forma exemplar diga-se, “Anna Karénina”, também pela Relógio d’Água.

Por falar em clássicos, a Civilização teve a excelente iniciativa de aumentar a sua colecção Novos Clássicos, com algumas edições dignas de relevo, caso de “O Pai Goriot” de Balzac e de “Quo Vadis” do Prémio Nobel Henryk Sienkiewicz, ambas obras editadas anteriormente pela Europa-América e que mereciam novas edições. Se procuram livros bons, bonitos e baratos (menos de 10€), vejam esta colecção que vale mesmo a pena.

Mas nem só de novas versões de clássicos vive o mercado, e a Cavalo de Ferro continua a sua aposta no género conto, editando pela primeira vez em Portugal “O Barril Mágico” de Bernard Malaud, autor querido por nomes como Philip Roth e Flannery O’Connor.

E por fim, não esquecendo os ensaios, a Antígona propõe mais uma vez um livro singular, integrado na edição da obra de Aldous Huxley. “As Portas da Percepção” relata experiências de Huxley com o consumo de alucinogénios e poderá ser, sem dúvida, um presente de Natal original. Um bom presente poderia ser também o “Admirável Mundo do Novo”, editado também pela Antígona nos últimos meses, mas confesso que a capa me desmotivou e coloquei de lado o meu plano de dar a minha edição da Livros do Brasil a alguém e de comprar esta versão.


Bom, resta-nos esperar para ver o que 2014 nos trará. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

5 livros para oferecer no Natal

Um livro é a melhor prenda que se pode dar a uma pessoa. Bom, talvez haja algo melhor… vários livros. Têm dúvidas quanto à veracidade desta afirmação? Ora vejamos, sem ser um livro, que outra prenda podem dar a alguém que possa passar de geração em geração sem perder o interesse, que proporcione várias horas de prazer, que permita conhecer novos locais e pessoas sem sair do mesmo lugar, que seja de arrumação fácil e tenha um preço em conta? Por isso, não batam mais com a cabeça nas paredes a pensar nos presentes que ainda vos falta comprar, corram para uma livraria e resolvam o assunto de uma vez! Precisam de sugestões? Os vossos desejos são ordens.


Um presente para crianças



Hans Christian Andersen escreveu alguns dos contos infantis mais memoráveis da história da literatura. “A Princesa e a Ervilha”, “A Sereiazinha” (também conhecida como “A Pequena Sereia”), “O Valente Soldadinho de Chumbo” ou “O Patinho Feio” dizem-vos alguma coisa? É claro que sim. Andersen tem uma forma muito particular de criar histórias para crianças, assegurando-se que nem tudo são relatos de felicidade e de um mundo sem problemas. O mundo não é assim, logo os contos também não o podem ser, para que as crianças possam encarar as dificuldades futuras de cabeça erguida. E assim tem sido, geração após geração, com as personagens de Andersen a povoarem as memórias de infância de todos nós. Todo este universo em "Contos de Andersen", numa lindíssima edição de capa dura da Relógio D’Água.


Um presente para quem gosta de clássicos



Falar em contos de Natal é sinónimo de falar de Charles Dickens e de “Um Cântico de Natal”, a emblemática história de Ebenezer Scrooge, um velho avarento e rezingão, que na véspera de Natal é visitado por três espíritos que o farão ver a vida com novos olhos. O segredo de Dickens é perceber que há uma melancolia intrínseca ao Natal, que anda de mãos dadas com o desejo de estarmos com aqueles que mais amamos. Não esperem por isso histórias leves e divertidas, porque há lições para serem aprendidas e Dickens é a melhor pessoa para as ensinar.

Tenho duas edições de “Contos de Natal” em português: uma da Civilização Editora e a outra da Guimarães. Os contos incluídos em cada uma são diferentes, embora se encontre em ambas “Um Cântico de Natal” e “As Vozes dos Sinos” (“Os Carrilhões”, na edição da Civilização). Se quiserem oferecer uma edição mais bonita, optem pela da Civilização. Mas se quiserem a que tem os melhores contos, então terão de comprar a da Guimarães que, para além dos contos já mencionados, tem ainda outros dois, um dos quais “As Receitas do Dr. Marigold”, um produtor instantâneo de lágrimas.


Um presente para quem só lê grande autores



Se gostam de ler e nunca ouviram falar de J. M. Coetzee é porque algo de muito errado aconteceu. Coetzee é um autor sul-africano, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2003, conhecido por um estilo de escrita económico e assertivo. “A Idade do Ferro” é um exemplo disso mesmo. Em menos de 180 páginas Coetzee apresenta-nos o confronto de uma mulher idosa a morrer de cancro com as realidades do apartheid, regime a que sempre se opusera, mas cujo lado mais negro era para si desconhecido. Quem lê o livro nunca esquecerá o relato de uma noite em particular, em que a personagem principal é acordada a meio da noite e arrastada para uma enervante viagem cujo infeliz desfecho se antevê em cada linha. Um livro obrigatório, editado pela Dom Quixote.


Um presente para os fãs de literatura portuguesa



Muito se tem falado nos últimos anos nos novos autores portugueses. E quase sempre se fala em homens, deixando por mencionar um nome incontornável, que editou nos últimos anos um livro capaz de ombrear com o que de melhor foi escrito em português. Falo de Dulce Maria Cardoso e de “O Retorno”, um livro que nos apresenta a visão de um adolescente sobre a descolonização. Confesso que o tema não me diz muito e de início tive algumas dúvidas de que esta leitura seria interessante para mim. Mas o cunho pessoal que Dulce Maria Cardoso inscreve na história, em que a descolonização interessa pelas consequências que tem para Rui e para a sua família, e não enquanto acontecimento por si só, tornou a leitura deste livro numa experiência muito intensa.

Incomodou-me um pouco a forma como Rui fala dos africanos que, digamos, não é propriamente abonatória nem respeitosa, mas essa é uma das provas da excelência de Dulce Maria Cardoso: a não necessidade de criar personagens perfeitas, conseguindo que nos identifiquemos com as pessoas, sem que nos identifiquemos com as suas opiniões. Um clássico para as gerações futuras, com a chancela da Tinta da China.


Um presente para quem só lê não ficção



As biografias históricas estão na moda. Ou melhor, as biografias romanceadas. Há por isso que prosseguir com cuidado nesta área ou corremos o risco de levar para casa uma história que de real só tem o esqueleto, preenchido com os devaneios românticos de escritoras de qualidade duvidosa. Mas há, felizmente, muitas biografias escritas por historiadores conceituados. Um bom exemplo é “Catarina de Áustria: Infanta de Tordesilhas, Rainha de Portugal” de Ana Isabel Buescu, um relato rigoroso e envolvente da vida da mulher de D. João III, uma personagem com um papel fundamental na aproximação de Portugal a Espanha, que viria a culminar com a anexação do nosso país ao império de Filipe II.

Buescu abre-nos as portas para a infância de Catarina, passada em clausura com a mãe, Joana a Louca, filha dos Reis Católicos, que após a morte do marido, Filipe o Belo, percorre parte do país numa procissão fúnebre em que, segundo as lendas, o caixão era aberto todas as noites para que Joana pudesse rever o seu amado. Trazida para Portugal para se casar com o seu primo direito, Catarina terá muitos filhos, mas apenas dois chegarão à adolescência, e ambos serão casados com os seus primos direitos, cumprindo a tradição de consanguinidade dos Habsburgo, que neste caso daria origem a duas figuras trágicas: Dom Sebastião e Dom Carlos. 

Mas se pensam que Catarina foi apenas uma figura decorativa, estão muito enganados. O seu papel no governo do país foi fundamental, num período em que Portugal se via governado por um monarca que não se pode dizer que fosse brilhante. Coube a Catarina e ao Cardeal D. Henrique prepararem D. Sebastião para governar, tarefa que se revelaria impossível, incapazes que foram de conter os ímpetos de um jovem rei, que apenas tinha quatro bisavós, em vez dos oito habituais.

Uma biografia à prova de bala de um dos períodos mais importantes da História de Portugal e de uma das rainhas mais interessantes da nossa monarquia. Entretenimento e cultura garantidos nesta edição da Esfera dos Livros.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A dependência dos livros: edição Agosto de 2013




Agosto tem sido um bom mês. Muitos livros e orçamento respeitado. Tirando “Crematório” do Rafael Chirbes e “Contra-Natura” do Álvaro Pombo da colecção Minotauro, que foram uma oferta, comprei ao todo 7 livros e gastei menos de 60€. 

A trilogia “Os Subterrâneos da Liberdade” de Jorge Amado, publicada pela Dom Quixote, era uma compra programada desde o Natal, altura em que a Leya lançou este generoso pack (cada livro individualmente custa cerca de 19€, custando o conjunto 30€). Já o tinha encomendado na Fnac mas o stock da loja online esgotou-se e fui adiando até que percebi que corria o risco de desaparecer em todo o lado (só já o encontrei na loja online da Bertrand) e avancei destemidamente, contando ainda por cima com um bónus de 10% de desconto.

Do Naguib Mahfouz faziam parte da minha lista de livros “Os Filhos do Nosso Bairro” e a “Trilogia do Cairo”, todos publicados pela Civilização, e, perante a promoção da Fnac que já aqui vos falei, era impossível não comprá-los. Livros que me teriam custado por si só perto de 60€ ficaram em menos de 22€. Se isto não é uma boa compra, não sei o que será! Ficará para outro mês o segundo volume da “Trilogia do Cairo” que estava fora da promoção.

Por fim, numa ida à Culsete, não consegui resistir ao “Manual de Prestidigitação” do Cesariny, editado pela Assírio & Alvim, que estava a 7€. Mais uma leitura para me preparar para o curso de Surrealismo Português.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Promoção Fnac: Naguib Mahfouz ao preço da chuva





Aproveitando a temporada de férias, tão convidativa à compra de livros e afins para ocupar o tempo, a Fnac lançou a promoção Best %ff, disponível até dia 21 de Agosto. Diga-se desde já que não é das melhores promoções da Fnac em termos de livros. Belos tempos esses em que grande clássicos da literatura entravam em promoções com 50% de desconto. Desta vez temos alguns livros com desconto de 50% em cartão. Pessoalmente, não sou muito fã deste sistema, não gosto muito que me obriguem a fazer mais compras para ter de usufruir de uma benesse, mas tudo bem.

Olhando com mais atenção, reparei que havia uma selecção de livros com desconto directo até 60%. “Hum, isto é capaz de ser bom”, pensei já a sentir ânsias consumistas. A verdade é que a selecção de livros não é grande coisa. Muito romance banal, muito chick lit, coisas a inspirar muito pouca confiança. Lá pelo meio está o “Norwegian Wood” do Haruki Murakami, editado pela Civilização, a 11,10€. Se quiserem comprar este livro, procurem primeiro nas livrarias, porque havia um pack da Civilização que o tinha, juntamente com o “Revolutionary Road” do Richard Yates, por apenas 10€. Não sei se ainda o encontram, mas vale a pena verificar.

Bom, mas o que interessa mesmo nesta promoção é o conjunto de obras do prémio Nobel egípcio Naguib Mahfouz, editadas também pela Civilização, todas com 60% de desconto (dos 6 livros, o mais barato está 5,86€ e o mais caro a 7,63€). Entre os livros contemplados pela promoção encontram-se “O Cairo Novo”, “Conversas de Manhã e de Tarde”, “Khan al-Khalili” e 3 dos livros mais populares de Mahfouz: “Entre os Dois Palácios” e “O Açucareiro” (2 volumes da Trilogia do Cairo, da qual faz também parte “O Palácio do Desejo” que ficou convenientemente fora da promoção) e “Os Filhos do Nosso Bairro”.

Pela minha parte, estão encomendados o “Entre os Dois Palácios”, “O Açucareiro” e “Os Filhos do Nosso Bairro”. Estou particularmente curioso relativamente a este último livro e parece-me que seria o eleito caso decidisse encomendar apenas 1. Segundo li, Mahfouz procura recriar no espaço de um bairro, através de uma família, a história do Judaísmo, do Islamismo e do Cristianismo e os conflitos existentes entre estas religiões. Promete.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

4 livros de qualidade para ler no Verão



Ah, as férias de Verão! Essa altura mágica do ano em que suamos em bica, em que qualquer momento na rua que não seja acompanhado por um gelado ou uma bebida fresca parece um sacrifício desumano. Sentimos que podemos mandar no nosso tempo e dedicar-nos àquilo que mais gostamos e então corremos para as livrarias e compramos as Margaridas Rebelo Pinto, os Josés Rodrigues dos Santos e os Paulos Coelhos para nos acompanharem para todo o lado, certo? Errado! Chega de silly literature na silly season!

Um mito que tem sido perpetuado por um certo tipo de intelectuais é o de que a boa literatura tem de ser difícil e quase indecifrável. Pois, mas não tem. O que não faltam são exemplos de livros muito bons e simples, que qualquer pessoa consegue ler facilmente, sem ter de estar de 3 em 3 frases a voltar para trás porque não está a perceber nada do que se passa.

Deixo-vos então com 4 propostas de livros para lerem neste Verão. São 4 livros acima de qualquer suspeita, todos com grandes doses de comédia, bem leves e fluidos como o Verão exige. E a boa notícia é que não precisam de os forrar com folhas brancas! (Pessoas que forram os livros duvidosos a branco para irem a ler no metro, tenho uma notícia para vós: isso não resulta!!! Podemos não saber que livros estão a ler, mas ficamos a saber que algo bom não é. O livro a branco é um chamariz, parece que o ouvimos dizer “Olha para mim! Esta pessoa tem mau gosto!”)


O Complexo de Portnoy” de Philip Roth, Dom Quixote


Se há coisa que aprendemos em todos estes anos a ver séries com humoristas americanos é que as famílias judias têm as suas peculiaridades. Mães possessivas, quase agressivamente intrusivas. E a culpa, esse sentimento que não é exclusivo dos católicos, gerador de tantas frustrações e comportamentos desajustados. De tudo isto nos fala Philip Roth, fazendo uso de uma prerrogativa internacional que diz que apenas podem criticar grupos minoritários quem deles faz parte. Como não gostar de um livro em que a personagem principal, um verdadeiro garanhão, se torna impotente enquanto pisa solo israelita?


A Grande Arte” de Rubem Fonseca, Sextante


Um homem facilmente dominado pela libido a tentar desvendar um crime. E então? Qual é a novidade?! Novidade não haverá, mas há a mestria na escrita e o sentido de humor corrosivo de Rubem Fonseca, vencedor do Prémio Camões em 2003. “A Grande Arte” é uma paródia aos policiais, com cenas e cenas em que o ridículo é continuamente posto à prova, tudo embrulhado em grandes doses de mistério. Aviso: inclui cenas de sexo com prostitutas muito pouco recomendáveis, porque Mandrake, o investigador de serviço, pode até ser bem-parecido, mas quando a natureza o chama, ele tem de responder.


Cândido ou o Optimismo” de Voltaire, Tinta da China


Sim, estou a recomendar um livro de Voltaire como leitura leve de Verão. Os cépticos de serviço estão já a pensar “um livro de Voltaire fácil de ler, sim sim”. É verdade. Acreditem ou não, “Cândido ou o Optimismo” é um livro que se lê de uma assentada. Tudo começa com uma violação e o brutal assassinato de uma família. E de que melhor forma podia começar uma comédia sobre o optimismo? Nenhum homem de boa-fé teceria uma crítica que fosse ao facto de Cândido reencontrar a sua amada Cunegundes algures em Portugal, transformada na escrava sexual do Inquisidor-Mor e de um Judeu, que a repartem segundo os dias da semana. E daqui se parte para um conjunto de peripécias inusitadas, que colocam à prova a crença inabalável de Pangloss, o líder espiritual de Cândido, no optimismo. Para ler, com um prazer muito malicioso.


A Queda de um Anjo” de Camilo Castelo Branco, Civilização


Pronto, está-se mesmo a ver que este livro é um daqueles romances trágicos à Camilo! Não é não senhor. Também eu pensei, quando peguei no livro, que ia ler uma história de amor impossível entre um jovem rebelde que levaria uma inocente rapariga a práticas indecentes, pouco dignas para quem se diz de boas famílias. Em vez disso, deparei-me com Calisto Elói, um bonacheirão como só o interior os sabe produzir, que vem para Lisboa ser político. Calisto chega cheio de si, transpira honra e honestidade por todos os poros, mas ao que parece a carne era fraca e a mulher, que por acaso também era prima, lá fica desterrada na terrinha, enquanto Calisto esbanja os recursos com uma jovem voluptuosa. Que queda! Que anjo!