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sábado, 9 de novembro de 2013

Os PEN do ano VI: "Groto Sato" de Raquel Nobre Guerra (Prémio Primeira Obra)


Pura


esta gente que colhe água para derramá-la
compassivamente sobre a chaga
esta virtuosa carraça pública
com redentor cigarro público também
esta solidão assediando cretinos e sábios
esta deserta implausível cartada
grande força erguida a prumo

esta gente esta imperial e sopa à frente
esta gente que se levanta de peito e escreve
para não matar ninguém

(poema retirado de “Groto Sato” de Raquel Nobre Guerra, Mariposa Azual)

Os PEN do ano V: "Travessa d'Abençoada" de João Bouza da Costa (Prémio Narrativa)



Sinopse do livro:


Uma criança autista escuta os sons de dois corpos entregues ao sexo e convoca os seus deuses contra a derrocada do tempo. Um tradutor apropria-se, coxeando, da sua cidade, enquanto a música inunda a noite e a sua mulher se debate com a memória. Um velho preso no labirinto da raiva enfrenta a morte caído numas escadas. Pessoas de uma pequena travessa de Lisboa, vinte e quatro horas da vida no mundo.


Curiosidades sobre João Bouza da Costa:


Carteiro, limpador de vidros, vendedor de vinhos, pintor de cenários de ópera, professor, tradutor e intérprete, João Bouza da Costa é o verdadeiro homem dos sete ofícios, ao qual se adicionou um oitavo, o de escritor, e ainda por cima escritor premiado. “Travessa d’Abençoada”, publicado pela Sextante, é o seu primeiro romance.



João Bouza da Costa sobre “Travessa d’Abençoada”:




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Os PEN do ano IV: "O Cinema da Poesia" de Rosa Maria Martelo (Prémio Ensaio, também)


Uma breve introdução ao livro:


«Os ensaios reunidos neste livro constituem diferentes tentativas de aproximação aos processos de fazer imagem na poesia moderna e contemporânea. Embora trabalhem obras e questões diferenciadas, todos incidem sobre formas de conceber e articular as imagens na poesia, ou sobre os modos como o texto poético se pensa em diálogo com outras artes da imagem, especialmente o cinema.
[...]
 Ao acentuar a visualidade e o visionarismo das imagens verbais, ou a sua tensão e rapidez, a poesia de tradição moderna apresenta-se muitas vezes como uma espécie de cinema, uma arte na qual o fluxo das imagens desempenha um papel determinante. «O cinema extrai da pintura a acção latente de deslocação, de percurso. Tome-se um poema: não há diferença», escreveu Herberto Helder. Como pensar esta similaridade, esta convergência? Em que consiste o cinematismo da poesia? Os autores estudados neste livro encaminham-nos para algumas respostas.”
(excerto do preâmbulo de “O Cinema da Poesia” de Rosa Maria Martelo, Documenta)


Curiosidades sobre a autora:


Investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Organizou a antologia “Poemas com Cinema” em parceria com Joana Matos Frias e Luís Miguel Queirós.


Alguns livros de Rosa Maria Martelo:


Os PEN do ano III:"Salazar e o Poder - A Arte de Saber Durar" de Fernando Rosas (Prémio Ensaio)

Uma breve apresentação do livro:


“A repressão é a resposta para a minoria que não respeita os sinais, as regras explícitas ou implícitas, as rotinas do enquadramento, da submissão, da conformação à ordem estabelecida. Para a maioria que é levada a obedecer, basta que se saiba que a repressão existe e que actua sobre os infractores. No salazarismo, no franquismo estabilizado, no fascismo italiano, ou no nacionalsocialismo alemão antes da guerra, o controlo totalizante da sociedade, a acção dos aparelhos de inculcação e de enquadramento ideológico, se se quiser, a prevenção, foram mais decisivos do que a repressão propriamente dita na estabilização desses regimes.”
(excerto da introdução de “Salazar e o Poder - A Arte de Saber Durar” de Fernando Rosas, Tinta da China)


Curiosidades sobre o autor:


Foi preso duas vezes durante o Estado Novo, tendo sido submetido à tortura do sono. É um dos fundadores do Bloco de Esquerda, tendo sido deputado e candidato à Presidência da República.


Alguns livros de Fernando Rosas:


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Os PEN do ano II: "A Terceira Miséria" de Hélia Correia (Prémio Poesia, também)


Um poema de “A Terceira Miséria”:


Poema 33
De que armas disporemos, senão destas
Que estão dentro do corpo: o pensamento,
A ideia de polis, resgatada
De um grande abuso, uma noção de casa
E de hospitalidade e de barulho
Atrás do qual vem o poema, atrás
Do qual virá a colecção dos feitos
E defeitos humanos, um início.
(poema de "A Terceira Miséria" de Hélia Correia, Relógio D'Água

Curiosidades sobre a autora:


Hélia Correia é uma repetente nos Prémios do PEN Clube Português, tendo recebido anteriormente o Prémio Narrativa por “Lilias Fraser”. A Grécia Clássica é um tema recorrente na sua escrita, sendo a única escritora a ter contos publicados nas duas edições da Granta Portugal.


Alguns livros de Hélia Correia:


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Os PEN do ano I: "Cólofon" de Manuel de Freitas (Prémio Poesia)


Um poema de “Cólofon”:


Lawrence's, Quarto Tradição
Dormes, e eu não. O que tem sido
uma constante, inversamente recíproca,
dos dias e das noites que aceitámos partilhar.

Lá em baixo, a desoras, o rebanho
passa, faz-me ouvir os breves
badalos, entre folhagem seca.
De Lisboa só nos chegam notícias
fúnebres, dispensáveis. Caim deu boleia
a Abel, num automóvel de luxo.
E arrasta-se, entre putas e ladrões,
um tango triste que já não queremos dançar.

É apenas isso. Dorme. Talvez amanhã,
subitamente, o mundo nos pareça perdoável.
(poema de "Cólofon" de Manuel de Freitas, ed. Fahrenheit 451) 


Curiosidades sobre o autor:


Dirige a editora Averno, escreve críticas literárias para o Expresso e é um dos responsáveis pela revista “Telhados de Vidro”.

Alguns livros de Manuel de Freitas:

A Última Porta