Poe parece empenhado em converter todos os seus escritos em pequenas
dissertações que servem para pouco mais do que expor as suas capacidades retóricas.
Desta vez é o hipnotismo o tema em análise, procurando convencer-nos inicialmente da sua capacidade para conduzir o indivíduo a um estado
elevado de consciência, no qual se acede a uma espécie de verdade suprema.
Estando o Sr. Vankirk moribundo, o narrador da história é
chamado a submete-lo a uma sessão de hipnotismo, prática que parece aliviá-lo.
Aproveitando a visão clarificadora que essa condição supostamente proporciona,
o Sr. Vankirk discorre sobre a existência de Deus com uma certeza directamente
proporcional ao ridículo da sua tese de que Deus é aquilo a que chama matéria
impartível, uma matéria una que tudo atravessa.
No final, e apenas para dar um ar da sua graça, Poe ainda
nos atiça a curiosidade quanto à capacidade de a alma, quando submetida ao
hipnotismo, sobreviver ao corpo. Enfim, não sei o que me espera dos seguintes
contos incluídos em "Todos os Contos" de Edgar Allan Poe, mas espero que a qualidade melhore, caso contrário só mesmo sob
hipnotismo é que conseguirei levar a sua leitura a bom porto.









