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sexta-feira, 27 de março de 2015

Discurso Directo: Recordar Tomas Tranströmer


“Fantastic to feel how my poem grows
while I myself shrink.
It grows, it takes my place.
It pushes me aside.
It throws me out of the nest.
The poem is ready.”

(excerto do poema “Morning Birds”)

terça-feira, 15 de julho de 2014

Nadine Gordimer, a doce lutadora

“Nada factual que eu escreva ou diga será tão verdadeiro como a minha ficção. A vida, as opiniões, não são a obra, porque é na tensão entre colocar-se à parte e estar envolvido que a imaginação transforma ambos.” (in "Nobel Lecture")

  
Nadine Gordimer morreu. No intervalo de um ano é a quarta Prémio Nobel da Literatura a deixar-nos e é talvez dos quatro a que terá um maior peso histórico pelo seu envolvimento na luta contra o apartheid.


Lembremo-la pelas suas palavras:


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gabriel García Márquez e a Crónica de uma Vida Recordada


“Nós, os inventores de histórias, que acreditamos em tudo, sentimos o direito de acreditar que não é ainda demasiado tarde para nos empenharmos na criação da utopia oposta. Uma nova e imensa utopia de vida, em que ninguém poderá decidir pelos outros como irão morrer, em que o amor se revelará verdadeiro e a felicidade será possível, e em que as raças condenadas a cem anos de solidão terão, finalmente e para sempre, uma segunda oportunidade na terra.” (Gabriel Gacía Márquez, "The Solitude of Latin America", Nobel Lecture)


Gabriel García Márquez tinha um livro dentro de si. Um livro sobre Aracataca. Sobre o mundo místico, onde tudo era possível, em que o real era continuamente questionado por fenómenos que transcendiam os limites da compreensão. E assim, na infância passada com os seus avós naquele mitológico universo que sempre o perseguiria, Gabo encontra anos depois a inspiração para escrever um romance em que, segundo ele, tudo aconteceria.

Uma sucessão de Aurelianos e de Josés Arcadios, que ao longo das gerações vão conhecendo diferentes existências. Dois nomes que se impõem àqueles que os carregam, que são ocupados por diferentes corpos que representam uma mesma essência. Sempre em Macondo, uma nova Aracataca, uma representação do que Aracataca foi para García Márquez.

Olho para “Cem Anos de Solidão”, para a fotocópia da árvore genealógica dos Buendía que a minha melhor amiga me deu quando iniciei a leitura (para que não me perdesse), e sinto que o li há demasiado tempo, numa altura em que talvez não estivesse preparado para descodificar tudo o que o livro tinha para me dar. Restam-me recordações distantes de um mundo encantado, em que a morte e vida se confundiam e personagens se recusavam a partir. Também García Márquez não partirá.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Recordar Doris Lessing


O momento em que um grupo de jornalistas anuncia a Doris Lessing que acabou de ganhar o Nobel da Literatura é um clássico, uma inesgotável fonte de diversão. “Oh Christ!” diz Lessing, como quem diz “Isto agora é que não vinha nada a calhar! Se eu soubesse não tinha ido às compras e tinha-me arranjado um bocadinho melhor”. A surpresa de Lessing era de resto bastante representativa do sentimento de quase todo o mundo literário.
  
Há uns meses li um artigo na New Yorker que vos recomendo vivamente, intitulado “Doris Lessing and the Perils of the Pseudonymous Novel” e que, a respeito da revelação de que J. K. Rowling tinha escrito um livro usando um pseudónimo, recorda um feito semelhante de Doris Lessing, que apresentou “The Diary of a Good Neighbour” a uma editora como sendo a primeira obra de Jane Somers. O livro foi absolutamente dilacerado por um jovem leitor contratado pela editora (o penitenciado autor do artigo, importa referir), facto que na altura gerou muita polémica. O que levanta muitas questões sobre os méritos próprios dos livros e a forma como o prestígio de um autor condiciona a crítica, mas isso será tema para aprofundar noutra altura.

Agora que Doris Lessing morreu, momento propício a reflexão, não deixa de ser importante referir que a edição das obras desta autora em Portugal tem sido errática e estranha, estando dispersas por várias editoras (Presença, Ulisseia, Europa-América, Cotovia…) e sem que"The Golden Notebook", o livro mais importante da autora, tenha sido publicado. 

Quanto à minha relação com Lessing, até ao momento comprei dois livros seus, “O Sonho Mais Doce” editado pela Presença e “Gatos e Mais Gatos” da Cotovia, mas confesso que ainda não li nenhum, pelo que não posso defender a sua qualidade literária, embora tenda a acreditar que um autor que ganhe o Nobel tem de ter qualidade (teoria que acidentes de percurso, como Herta Müller, me levam a questionar). Mas pode ser que alguma editora portuguesa se lembre entretanto que “The Golden Notebook” existe e nos surpreenda, compelindo-me a ler Doris Lessing com urgência. Será?

sábado, 31 de agosto de 2013