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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O que é que a Granta tem? “A Revolução Instantânea” de James Fenton


Gostando eu de política e de reportagens, seria de esperar que uma reportagem sobre um acontecimento marcante da política internacional fosse algo que me suscitasse imenso interesse. Mas não é esse o caso, e já o relato de Kapuścińsk na 1ª Granta havia sido um desafio à minha vontade. Muitas vezes sinto neste tipo de textos que o jornalista sente que está a falar com especialistas e parte portanto do princípio que acontecimentos e personagens nos são familiares, dispensando contextualização. E depois, o pobre o leitor quando dá por si está no meio de um realidade que lhe é completamente alheia, sentindo-se o mais ignorante dos seres.

Mas apesar das minhas reticências iniciais, Fenton tem a seu favor poder contar com o fascínio que o casal Marcos (o ditador Filipino e a sua espampanante mulher Imelda) exercem,  o que sempre torna a leitura mais cativante. Focando-se na queda do regime de Ferdinand Marcos, o relato de Fenton evidencia o efeito que uma sequência vertiginosa de acontecimentos pode ter sobre a realidade, como se presente, passado e futuro se confundissem por instantes e o mundo tal como o concebemos ruísse perante os nossos olhos, pertencendo tudo ao passado embora ainda exista no presente.

E é assim que num momento o casal Marcos está a receber jornalistas na sua luxuosa residência, e no momento seguinte estranhos caminham pelos seus aposentos como se lhe pertencessem. Aquela já não era a casa de Imelda e Ferdinand, mas era como se os seus passos ainda se ouvissem ao fundo do corredor.

Fenton deixa-nos no final algumas provocações. Perante a rapidez com que tudo ocorreu, a revolução terá sido orquestrada? Mas mais do que isso: a revolução foi feita em nome o quê? Será que o que se segue é melhor do que aquilo de que se viram livres? As revoluções têm muitas vezes esse defeito, o de serem um fim em si mesmo, e de repente acorda-se no dia seguinte e pergunta-se “e agora?”.

domingo, 26 de julho de 2015

O que é que a Granta tem? “É Perigoso Ser Feliz Duas Vezes” de Raquel Ribeiro


Uma das coisas boas da Granta é permitir-nos conhecer novos autores portugueses cujos livros, de outra forma, não nos sentiríamos compelidos a ler. Raquel Ribeiro é um bom exemplo disso, e certamente poucos resistirão à vontade de ler “Este Samba no Escuro” após conhecerem o seu conto no 2º número da Granta portuguesa.

Raquel Ribeiro apresenta-nos um relato da sua segunda ida a Cuba, quando trabalhava na sua tese. Sob uma capa de normalidade, revela-se de forma inesperada o lado negro de um regime não democrático quando Raquel é submetida a um interrogatório pelas autoridades por ter feito questões sobre um tema sensível. O seu testemunho torna evidente o papel dos níveis médios e baixos do poder, que são os elementos que perpetuam os princípios do regime, cujo controlo se pode reflectir em coisas tão simples como impedir que um investigador consulte um livro, não permitir que uma janela seja aberta ou bloquear a entrada num edifício mesmo quando há um convite de um superior.

Depois de uma primeira visita feliz, Raquel Ribeiro vê o mito desvanecer-se e uma nova visão da realidade erguer-se. Num momento surreal, após o interrogatório, um dos agentes mostra-se preocupado com o testemunho futuro dela quanto ao que ali se passou e tenta assegurar-se que Raquel nunca se sentiu ameaçada. E o mais pernicioso é que Raquel, que estava aterrada, escondeu o que sentia apenas para poder sair dali rapidamente. E esse é o efeito mais perigoso do medo: o silêncio.

Às vezes é de facto um perigo regressarmos aos lugares onde fomos felizes, mas mesmo assim não perderei a oportunidade de me reencontrar com a escrita de Raquel Ribeiro.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Paraíso dos livros: edição de coleccionador da "Orpheu"


Há uns meses, a propósito da comemoração do centenário da revista “Orpheu” e do lançamento de “1915” pela Tinta-da-China, livro que reúne vários ensaios a respeito da importância da emblemática revista, comentei com uma amiga: “mas porque é que ninguém se lembra de reeditar a Orpheu?!” Mal sabia eu que Bárbara Bulhosa estava umas jogadas bem à frente, preparando no segredo dos deuses não apenas uma simples reedição mas uma peça digna de museu, feita para ser acarinhada por leitores devotos.

Chegou há poucos dias a minha casa a minha “Orpheu”, a número 272 das 1200 produzidas e foi uma emoção segurá-la pela primeira vez. Abri a luxuosa caixa e retirei cerimonialmente as duas reproduções dos números publicados da revista e um terceiro caderno, mais pequeno, com as provas tipográficas do terceiro número que não chegou ao grande público e que teria, para além de pinturas de Amadeo de Souza-Cardoso, poemas de Sá-Carneiro, Pessoa e Almada-Negreiros e composições de outros autores.

A atenção aos detalhes, a preocupação com os materiais escolhidos, tornam o simples acto de folhear a “Orpheu” numa experiência sensorial e emocional, como se fossemos transportados no tempo. E no meio das revistas, delicadamente colocados, um marcador e uma publicidade à segunda revista, absolutamente fiéis à época, como também o são as folhas por separar, tão típicas das publicações daquela altura, por isso preparem-se para ter uma faca bem afiada à mão! Eu confesso que tinha dispensado este rigor histórico final e que me senti um herege a estragar algo perfeito, mas percebo o charme.

Por esta preciosidade pedem-nos 70€ e é dinheiro bem gasto. Uma peça que orgulhosamente passarão às próximas gerações, depois de horas e horas de prazer a ler a “Orpheu” como a leram os seus contemporâneos. Obrigado Tinta-da-China e Fundação EDP!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O que é que a Granta tem? “Servindo o Chá” de Hélia Correia


Uns dias antes de ser anunciado o vencedor deste ano do Prémio Camões, e estando eu bem longe de imaginar o que iria acontecer, parti para a leitura do segundo conto criado por Hélia Correia para a Granta portuguesa. Não parti esfuziante, há que dizê-lo, porque o seu conto na primeira Granta foi um dos que menos gostei e também porque a entrevista de Hélia Correia a Carlos Vaz Marques apresentada no livro “Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer” foi a que menos me interessou. Tinha colocado Hélia Correia na categoria “senhora dos gatos esotérica obcecada pela Grécia” e tinha seguido em frente, pouco motivado para a reencontrar.

E é nestes momentos que agradeço a minha persistência e o por vezes obrigar-me a ler coisas, porque as primeiras opiniões são muitas vezes más conselheiras e nunca se sabe o que nos pode escapar quando lhes damos ouvidos. Assim, num segundo encontro com um conto de Hélia Correia saí confiante quanto ao nosso futuro juntos.

Hélia Correia continua a história de Laura, que após as suas cirurgias plásticas se vê atormentada por um sonho com Jane Fonda, que lhe revela que o segredo está em algo mais profundo do que a admiração física, um amor, a capacidade de suscitar uma devoção no outro enquanto instrumento de poder. A frustração de Laura é palpável. “Tanto esforço para nada”, quase parece dizer, sabendo que no seu processo de melhoramento físico perdeu a ligação emocional que tinha com o seu marido. Torna-se então claro que é necessária uma ruptura.

Com a mesma voracidade com que se entregou a um cirurgião plástico, Laura tenta uma nova vida e surpreendentemente encontra a devoção que procurava. No final há sempre uma lição: não importa o que se é ou o que se tem, mas sim a percepção que os outros têm. Pelo menos para já. Veremos o que o futuro trará para Laura nas próximas Grantas...

domingo, 14 de junho de 2015

A dependência dos livros – edição Maio de 2015


Agora que a loucura da Feira do Livro passou, tempo de arrumar a casa e voltar à normalidade. E antes do balanço das compras feitas na Feira do Livro, estou em dívida para convosco em relação a Maio, que já preconizava as boas compras que se seguiriam em Junho.

Dos 7 livros que comprei em Maio, apenas 1 foi comprado praticamente sem desconto. Falo de “Gente Melacolicamente Louca” de Teresa Veiga, editado pela Tinta-da-China, a cujo lançamento tive o prazer de ir. Conheci por isso a misteriosa Teresa Veiga, surpreendentemente simpática, que para além de 2 dedos de conversa (de circunstância claro) ainda me autografou o livro.

Dos restantes livros, grande parte foi comprada com 30% de desconto: “A Liga da Chave Dourada” de Michael Chabon (Prémio Pulitzer), “Expiação” de Ian McEwan e “O Labirinto da Saudade” de Eduardo Lourenço na promoção disponível no site da Gradiva no âmbito do Dia Mundial do Livro (comprei também uma antologia do Calvin & Hobbes que me esqueci de incluir no foto!); e “Pnin” de Nabokov numa promoção semelhante que ocorreu no site da Relógio D’Água.

E como não podia deixar de ser, a Wook voltou a fazer das suas e foi-me absolutamente impossível resistir aos 40% de desconto em “A Volta ao Dia em 80 Mundos” de Cortázar e aos 50% de desconto em “Pulp” de Bukowski.


Foi um mês de boas compras, mas um mero aperitivo para a Feira do Livro! Mas disso falaremos no próximo post.

sábado, 13 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 13 de Junho


Durante a Feira do Livro, assinalando a comemoração dos 50 anos da Dom Quixote, uma selecção de 50 títulos da editora estará disponível com 50% de desconto. Entre os livros disponíveis encontram-se:

“Contos” de Miguel Torga
“Correcções” de Jonathan Franzen
“Gente Feliz com Lágrimas” de João de Melo
“Goodbye, Columbus” de Philip Roth
“O Homem Lento” de J. M. Coetzee
“Obras Completas I” de Urbano Tavares Rodrigues
“Os Buddenbrook” de Thomas Mann
“Rabos de Lagartixa” de Juan Marsé
”Sartoris” de William Faulkner
“Se Não Agora, Quando?” de Primo Levi
“Siddhartha” de Hermann Hesse
“Tieta do Agreste” de Jorge Amado

Aproveitem estes últimos dias da Feira do Livro para tirarem partido dessa promoção e, se passarem por lá hoje, não se esqueçam dos Livros do Dia em destaque:

Grupo Porto Editora
“A Liberdade de Pátio” de Mário de Carvalho - 6,65€ (banca da Porto Editora)

Relógio D’Água
“Crime e Castigo” de Fiódor Dostoievski - 12€
“Orgulho e Preconceito” de Jane Austen - 10€

Tinta-da-China
“Os Maias” de Eça de Queirós - 12€

Alfaguara
“O Mapa e o Território” de Michel Houellebecp - 11,94€

Cavalo de Ferro
“Obra Reunida” de Juan Rulfo - 9,5€

Babel
“Sinais de Fogo” de Jorge de Sena - 17,57€

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 10 de Junho


Quem aproveitar o feriado para ir até à Feira do Livro poderá, ao final da tarde, satisfazer a curiosidade de ver ao vivo quem bem conhece da televisão. “A Década dos Psicopatas” de Daniel Oliveira (o comentador), recentemente lançado pela Tinta-da-China, será apresentado às 19h por Ricardo Araújo Pereira.

Pelo caminho aproveitem e manifestem o vosso nacionalismo (se o tiverem!) apoiando as editoras nacionais. Ora reparem em alguns dos títulos que são hoje Livro do Dia:

Babel
“A Sibila” de Agustia Bessa-Luís - 11,81€

Relógio D’Água
“As Aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain - 8€
“Fausto” de Goethe - 16€
“Lolita” de Vladimir Nabokov - 10€
“Os Irmãos Karamázov” de Fiódor Dostoievski - 21€

Alfaguara
“Jesus Cristo Bebia Cerveja” de Afonso Cruz - 9,54€

Grupo Leya
“O Ano Sabático” de João Tordo - 7,6€ (banca da Dom Quixote)

Grupo Porto Editora
“Os Papéis de K.” de Manuel António Pina - 5€ (banca da Assírio & Alvim)

Cavalo de Ferro
“Papéis inesperados” de Julio Cortázar - 8€

Tinta-da-China
“Viagem à Volta do Meu Quarto” de Xavier de Maistre - 13€

terça-feira, 9 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 9 de Junho


Uma das novidades que será apresentada durante a Feira do Livro, mais concretamente no dia 12, são as novas edições de “O Nosso Reino”, “O Remorso de Baltazar Serapião” e “O Filho de Mil Homens” de Valter Hugo Mãe, agora com a chancela da Porto Editora.

Para além de um grafismo cuidado, contando com ilustrações de Daniela Nunes e da islandesa Ingibjörg Birgisdóttir, as novas edições vão contar com prefácios de autores prestigiados, respectivamente Ferreira Gullar, Saramago e Alberto Manguel. Posteriormente, e seuindo a mesma lógica, serão lançados também “O Apocalipse dos Trabalhadores” e “A Máquina de Fazer Espanhóis”.

Enquanto aguardamos por estas novas edições, confiram os títulos que poderão encontrar hoje como Livros do Dia:

Grupo Porto Editora:
“Agosto” de Rubem Fonseca - 8,3€ (banca da Sextante)

Relógio D’Água
“As Viagens de Gulliver” de Jonathan Swift - 9€
“O Amor de Uma Boa Mulher” de Alice Munro -10€
“Os Demónios” de Fiódor Dostoievski - 15€

Tinta-da-China
“Causas da Decadência dos Povos Peninsulares” de Antero de Quental - 8,8€
“Os Meus Sentimentos” de Dulce Maria Cardoso - 14,4€

Babel
“Memória de Adriano” de Marguerite Yourcenar- 8,97€

Grupo Leya
“Liberdade” de Jonathan Franzen - 15€ (banca da Dom Quixote)

domingo, 7 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 7 de Junho


A Feira do Livro é o local ideal para obter o autógrafo dos escritores que mais estimamos e através do espaço “Agenda”, no site da Feira, é muito fácil estar a par de que estará na Feira nos mesmo dia que nós.

Os fins-de-semana são sem sombra de dúvida as alturas mais propícias para encontros entre leitores e escritores. Hoje, por exemplo, quem passar pelo Parque Eduardo VII poderá encontrar por lá João Tordo, Teolinda Gersão, Gonçalo M. Tavares, Rentes de Carvalho ou Agualusa. Informem-se com antecedência e vão munidos com os vossos livros favoritos!

Mas porque ir à Feira sem comprar livros é uma heresia, passemos os olhos pelos Livros do Dia em destaque:

Grupo Porto Editora
“Todas as Palavras” de Manuel António Pina - 10€ (banca da Assírio & Alvim)
“O Silêncio” de Teolinda Gersão - 5,55€ (banca da Sextante)
“O Medo” de Al Berto - 20€ (banca da Assírio & Alvim)
“Metamorfose” de Franz Kafka - 4,95€ (banca da Livros do Brasil)

Cavalo de Ferro
“A Volta ao Dia em 80 Mundos” de Julio Cortázar - 9,5€

Relógio D’Água
“Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada” de Pablo Neruda 7€
“O Grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald - 6€
“Errata” de George Steiner - 8€

Grupo Leya
“Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Márquez - 10,7€ (banca da Dom Quixote)
“A Bagagem do Viajante” de José Saramago - 8,9€ (banca da Caminho)

Alfaguara
“Para Onde Vão os Guarda-Chuvas” de Afonso Cruz - 11,7€

Tinta-da-China
“Vai, Brasil” de Alexandra Lucas Coelho - 10,8€

sábado, 6 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 6 de Junho


Nem só de promoções vive a Feira do Livro, também há espaço para grandes novidades. E a Relógio D’Água aproveitou esta altura para lançar a sua colecção de obras do José Cardoso Pires, chegando para já aos escaparates 4 livros: “O Anjo Ancorado”, “ O Delfim”, “A Balada da Praia dos Cães” e “De Profundis, Valsa Lenta”. Uma homenagem a um autor que nos últimos anos tem sido um pouco esquecido.

Deixo-vos com algumas sugestões de Livros do Dia de hoje:

Relógio D’Água
“À Sombra das Raparigas em Flor” de Marcel Proust- 12€
“Contos de Andersen” de Hans Christian Andersen - 12€
“Mataram a Cotovia” de Harper Lee - 9€

Grupo Leya
“O Planalto e a Estepe” de Pepetela - 7,1€ (banca da Dom Quixote)
“Os Transparentes” de Ondjaki - 10,7€ (banca da Caminho)

Grupo Porto Editora
“Os Malaquias” de Andréa del Fuego - 6,65€
“Bartleby” de Herman Melville - 3,5€ (banca da Assírio & Alvim)

Tinta-da-China
“O Meu Amante de Domingo” de Alexandra Lucas Coelho - 13€
“ O Retorno” de Dulce Maria Cardoso - 7,8€

“Tudo São Histórias de Amor” de Dulce Maria Cardoso - 13€

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 4 de Junho


E porque a Hora H é uma fonte inesgotável de prazer, não deixem de passar pela Tinta-da-China que, embora não tenha todos os livros na promoção, tem uma selecção bastante significativa, em que se incluem “O Bom Soldado Svejk” de Jaroslav Hasek, “Entrevista da Paris Review” selecionadas por Carlos Vaz Marques e “Puta que os Pariu!”, a biografia de Luiz Pacheco da autoria de João Pedro George. E muitos livros da colecção de humor, da colecção de viagens, da colecção de literatura portuguesa…

Enquanto sonham com estas oportunidades, espreitem os Livros do Dia em destaque:

Grupo Porto Editora
“A Um Deus Desconhecido” de John Steinbeck - 6,65€ (banca da Livros do Brasil)
“Rumor Branco” de Almeida Faria - 6,45€ (banca da Assírio & Alvim)
“Todos os Poemas” de Ruy Belo - 24€ (banca da Assírio & Alvim)
“Uma Mentira Mil Vezes Repetida” de Manuel Jorge Marmelo - 6€ (banca da Quetzal)

Tinta-da-China
“Cadernos de Pickwick” de Chales Dickens - 10,2€

Grupo Leya
“Némesis” de Philip Roth - 10,1€ (banca da Dom Quixote)

Cotovia
“Peças escolhidas III” de Henrik Ibsen - 12,5€

Relógio D’Água
“O Jogador” de Fiódor Dostoievski - 8€

“O Vermelho e o Negro” de Stendhal - 14€

domingo, 31 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 31 de Maio


Antes da primeira Hora H deste ano, que vai acontecer amanhã, deixo-vos uma dica. Quando forem aos stands do grupo Porto Editora vão reparar que há vários livros com etiquetas amarelas e laranjas. As etiquetas laranja correspondem a livros que têm 50% de desconto na Hora H e as amarelas a, aguentem a emoção, 70% de desconto. Portanto, antes de começarem a agarrar em livros indiscriminadamente vejam se não é mais vantajoso comprá-los na Hora H. Foi assim que no ano passado consegui comprar o “Possessão” de A. S. Byatt por menos de 9€, um livro que custa cerca de 30€.

Entre os Livros do Dia de hoje destaque para:

Grupo Porto Editora
“2666” de Roberto Bolaño -  9,95€ (banca da Quetzal)
“A Desumanização” de valter hugo mãe - 8,3€ (banca da Porto Editora)
“A Leste do Paraíso” de John Steinbeck - 9,95€ (banca da Livros do Brasil)
“Myra” de Maria Velho da Costa - 8€ (banca da Assírio & Alvim)
“Pena Capital” de Mário Cesariny - 7,5€ (banca da Assírio & Alvim)
“Poesias Completas” de Alexandre O' Neill - 16,5€ (banca da Assírio & Alvim)

Relógio D’Água
“As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e do Outro Lado do Espelho” de Lewis Carroll - 8€
“Crime e Castigo” de Fiódor Dostoievski - 12€
“Folhas de Erva” de Walt Whitman - 16€
“Pela Estrada Fora” de Jack Kerouac - 12€

Cotovia
“Teatro 4” de Bertolt Brecht - 12,5€

Alfaguara
“Para onde vão os guarda-chuvas” de Afonso Cruz - 11,7€

Grupo Leya
“A Confissão da Leoa” de Mia Couto - 9,5€ (banca da Caminho)
“O Teu Rosto Será o Último” de João Ricardo Pedro - 7,1€

Cavalo de Ferro
“Gente Independente” de Halldór Laxness – 12,5€

Tinta-da-China
“Eu Sou Uma Antologia” de Fernando Pessoa - 15€

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 29 de Maio


Hoje é o meu primeiro dia de Feira e só de imaginar aquelas bancas recheadas de livros a bons preços sinto logo um sorriso a rasgar-me a cara. Paragens obrigatórias no stand das promoções da Relógio D’Água, cujos caixotes são há alguns anos o ponto alto da Feira do Livro e uma fonte inesgotável de alegria, e no stand da Antígona, que este ano aumentou a sua presença para apresentar uma área com grandes oportunidades. Veremos!

E entre os Livros do Dia de hoje destaque para:

Grupo Porto Editora
“A Ilha Debaixo do Mar” de Isabel Allende - 9,4€ (banca da Porto Editora)
“Bufo & Spallanzani” de Rubem Fonseca - 8,3€ (banca da Sextante)
“Lunário” de Al Berto - 5,75€ (banca da Assírio & Alvim)
“O Cânone Ocidental” de Harold Bloom - 9,95€ (banca da Temas e Debates)

Relógio D’Água
“A Poesia do Pensamento” de George Steiner - 12€
“Do Lado de Swann” de Marcel Proust - 13€
“Fausto” de Johann W. Goethe - 16€
“O Feiticeiro de Oz” de L. Frank Baum - 9€

Alfaguara
“Os Enamoramentos” de Javier Marías - 11,94€

Antígona
“1984” de George Orwell - 8€

Cavalo de Ferro
“O Barril Mágico” de Bernard Malamud - 8,5€

Tinta-da-China
“O Bom Soldado Svejk” de Jaroslav Hasek - 19,2€
“Obra Completa” de Álvaro de Campos - 15€

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O que é que a Granta tem? “Várias Versões de Uma Catástrofe” de José Gardeazabal


Num inspirado tom confessional, uma jovem rapariga revela-nos o impacto que dois acontecimentos quase simultâneos tiveram na sua vida: o aparecimento o período e a descoberta de que tinha diabetes. A bem da verdade, o impacto não é mencionado, mas sim inferido por aquilo que é dito. No centro está o sangue, a pequena gota que é analisada por causa da doença, e a torrente que a natureza expele do seu corpo.

É num líquido também, mas em água em vez de sangue, que um homem japonês flutua, arrastado pela corrente, enquanto um jovem grava tudo, naquilo que adivinhamos ser o cenário de uma catástrofe natural. A narradora vê obcecadamente o vídeo que eterniza este momento e desenvolve uma relação de proximidade com o jovem japonês, como se os dois assistissem impotentes às manifestações do poder da natureza nas suas vidas.

José Gardeazabal domina na perfeição o fluxo de consciência que o tom confessional exige, manipula o ritmo de forma exemplar, com uma cadência de frases que nos submerge numa história original e misteriosa e um final com margem de sobra para múltiplas interpretações. Uma estreia auspiciosa para José Gardeazabal.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cheiro a livro novo – Abril de 2015



Em Abril houve motivos para sorrir. As editoras arregaçaram as mangas, fizeram frente à inconstância climática e trouxeram-nos boas novidades e reedições.

Comecemos pelos grandes clássicos. A propósito da comemoração dos 50 anos da editora Dom Quixote, eis que chegou às livrarias uma nova edição de “Dom Quixote de La Mancha” de Cervantes. E já vos ouço a dizer: “Outra edição do livro?! Não temos já a maravilhosa edição de capa dura da Relógio D’Água?! Porque nos deveria interessar esta edição?!” A resposta está no preço – apenas 10€. E em muitos sites (na Leya Online e na Wook, por exemplo) ainda tem 10% de desconto, ficando portanto por apenas 9€.

Mas há mais clássicos a marcar o mês. “Sensibilidade e Bom Senso” de Jane Austen mereceu uma nova edição da Relógio D’Água e a Tinta-da-China fez regressar ao convívio dos leitores portugueses “Viagem à Volta do Meu Quarto” de Xavier de Maistre, mais um volume da colecção de Literatura de Viagens coordenada por Carlos Vaz Marques.

Movendo-nos um pouco no tempo chegamos às grandes obras do século XX e a Cavalo de Ferro marcou pontos com a publicação de “Bestiário”, uma das obras centrais de Julio Cortázar. Mas a nova Livros do Brasil não lhe ficou atrás e de uma assentada lançou novas edições de “Piloto de Guerra” de Antoine Saint-Exupéry e de “O Velho e o Mar” e “A Taça de Ouro”, respectivamente dos Prémios Nobel Hemingway e Steinbeck.

E por falar em Prémio Nobel, chegou também em Abril às livrarias, pela mão da Porto Editora, o mais recente livro de Patrick Modiano, intitulado “Para que não te percas no bairro”. Destaque ainda para o primeiro romance de grande fôlego em vários anos de Kazuo Ishiguro, publicado pela Gradiva com o título “O Gigante Enterrado”.

Em termos de literatura portuguesa, não há muito para dizer, apenas que a Companhia das Letras publicou o novo romance de João Tordo, “O Luto de Elias Gro”.

Na não-ficção, para terminar, dois Prémios Nobel: “A Conquista da Felicidade” de Bertrand Russell, publicado pela Relógio D’Água, e “Eu Não Venho Fazer um Discurso” de Gabriel García Márquez, pela Dom Quixote.

Maio é o mês do começo da Feira do Livro de Lisboa, portanto é tradicionalmente um mês de muitas novidades. Mal podemos esperar!

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Cheiro a livro novo – Março de 2015


Com a chegada da Primavera parece que veio também um renovado vigor para as editoras, que nos ofereceram bastantes novidades e diversificadas. Mas primeiro que tudo tenho de assinalar a chegada às livrarias dos primeiros livros da nova Livros do Brasil, para já 9 (“O Adeus às Armas”, “Paris é uma Festa” e “Na Outra Margem, Entre as Árvores” de Hemingway; “Mrs Dalloway” de Virginia Woolf; “As Vinhas da Ira”, “O Inverno do Nosso Descontentamento” e “A Pérola” de Steinbeck; “Música para Camaleões” de Truman Capote; e “A Condição Humana” de André Malraux), estando previstos para breve mais 3 títulos.

Em termos de literatura em língua portuguesa, o acontecimento do mês tem de ser publicação pela Tinta-da-China de “Gente Melancolicamente Louca” de Teresa Veiga, o primeiro livro da autora em vários anos. Também a Glaciar nos deu motivos para celebrar com a edição de “O Ateneu” de Raul Pompeia, mais um clássico brasileiro integrado na colecção Biblioteca da Academia. E termino os destaques de autores lusófonos com a menção a “Presa Comum”, o primeiro livro de Frederico Pedreira na Relógio d’Água, depois da atenção que captou com “Um Bárbaro em Casa”, editado no ano passado pela Língua Morta.

Os autores premiados estão bem representados nas novidades de literatura estrangeira, começando por Richard Flanagan e “A Senda Estreita para o Norte Profundo”, o mais recente vencedor do The Man Booker Prize, editado pela Relógio d’Água, que também nos traz “O Buda dos Subúrbios” de Hanif Kureishi, vencedor do Prémio Whitbread para Melhor Primeiro Romance em 1990.

Quanto a Prémios Nobel, a Presença continua a apostar em Toni Morrison com a publicação de “A Nossa Casa é Onde está o Coração”, e a Quetzal faz o mesmo com V. S. Naipaul e a edição em português de “O Enigma da Chegada”. A Quetzal regressa ainda a outro autor habitual, Roberto Bolaño, com “Noturno Chileno”.

Aproveitando a polémica em torno do último livro de Michel Houellebecq, a Alfaguara faz chegar aos escaparates “Submissão”, e a Jacarandá edita “O Assassinato de Margareth Thatcher” de Hilary Mantel, livro que inclui o conto que dá nome ao livro e que gerou uma enorme polémica em Inglaterra no ano passado.

Mantendo a tradição de terminar com a não ficção, destaque para 2 livros: “1915 - O Ano do Orpheu”, organizado por Steffen Dix, que propõe uma reflexão sobre a revista Orpheu através da perspectiva de diferentes autores; e “Tratado Sobre a Tolerância” de Voltaire, cujas conclusões partem da execução Jean Calas pelo poder judicial, quando a sua inocência parecia provada, apenas por pressão popular.

quinta-feira, 19 de março de 2015

O que é que a Granta tem: “Híma” de Luísa Costa Gomes


Um curto conto moral em que Luísa Costa Gomes nos relata a saga da construção de um barco na Islândia, em que as múltiplas peripécias se apresentam como uma força incontornável do destino empenhada em contrariar as vontades dos homens. No pólo oposto os cavalos islandeses que enfrentam as intempéries baixando a cabeça e fincando os cascos no chão, personificando o Híma, a espera resignada mas firme.

Como diriam os brasileiros, para quê dar murros em pontas de facas, tentando contrariar o fatal? Por vezes o melhor a fazer é permanecer imóvel e deixar que o destino siga o seu curso. Contra o poder dos imprevistos, o poder da resistência. E os barcos acabarão por se construir e os cavalos por escapar às fúrias dos ventos.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Cheiro a livro novo - Fevereiro de 2015


Fevereiro é o mês do amor e o Cupido deve ter feito das suas e entretido os editores nacionais, sobrando-lhes pouco tempo para nos trazerem novos livros. Mas, não sendo uma amostra extensa é certamente interessante.

A Cavalo de Ferro focou-se em autores premiados e, de uma assentada, publicou “O Livro de Jón” de Ófeigur Sigurðsson, vencedor do Prémio da União Europeia para a Literatura, e “Thérèse Desqueyroux” uma das obras-primas da literatura do séc. XX e o livro mais proeminente do Prémio Nobel François Mauriac. Também a Sextante se manteve no mundo dos prémios, mais concretamente do Goncourt, editando o romance que recebeu o maior galardão da literatura francesa em 1956: “As Raízes do Céu” de Romain Gary.

Mas o principal lançamento do mês é uma surpresa, vindo inesperadamente de uma editora do Grupo Leya, cujo estado moribundo é já difícil de esconder. A Caminho traz-nos então a trilogia de Alves Redol que se desenrola na região vinícola do Alto Douro - o “Ciclo Port Wine” – e que é composta pelos romances “Horizonte Cerrado”, “Os Homens e as Sombras” e “Vindima de Sangue”.
Mantendo-nos na literatura em língua portuguesa, “O Irmão Alemão” de Chico Buarque foi a obra escolhida para apresentar a Companhia das Letras ao mercado nacional, esperando-se para breve mais novidades editoriais.

E terminamos como de costume com a não-ficção, curiosamente com 2 livros de focados em escritores portugueses. A abysmo traz-nos “Regressar a Casa com Manuel António Pina” de Inês Fonseca Santos, que inclui uma entrevista ao autor, um ensaio sobre a sua poesia e ainda um documentário em curta-metragem dedicado ao tema da casa. Já a Tinta-da-China mantém-se fiel a Fernando Pessoa e editou “Sobre o Fascismo, a Ditadura Militar e Salazar”, que reúne todos os escritos do autor sobre o Estado Novo, contando com a edição de João Barreto.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O que é que a Granta tem? “Mas Já Nada É Sagrado?” de Salman Rushdie


A religião é um território do poder e ninguém conhece melhor a extensão do poder da religião do que Salman Rushdie, que por questionar o que outros têm como inquestionável se tornou num alvo a abater, sem nunca ter tido a tentação de se calar.

O texto de Rushdie que a Granta dedicada ao “Poder” nos traz foi apresentado em seu nome por Harold Pinter numa conferência de tributo a Herbert Read, um poeta e critico literário anarquista britânico. Rushdie parte da questão daquilo que é sagrado, percebendo que o crente nunca se coloca em causa, acreditando sempre estar certo. Acontece que o sagrado é algo definido num processo histórico, e não um atributo inalienável, pelo que pode e deve ser colocado em causa. “A ideia de sagrado é uma das mais conservadoras de qualquer cultura, pois procura transformar outras ideias em crimes – a Incerteza, o Progresso, a Mudança”, alerta Rushdie.

Uma teoria muito curiosa que Rushdie nos apresenta foi defendida por Arthur Koestler, que considera a linguagem como a principal causa da agressão, porque a expressão de conceitos abstractos requer um nível de sofisticação que conduz a uma totemização e, consequentemente, a disputas entre grupos com diferentes totems. Essa ideia fica bem patente nos esforços da religião para privilegiar uma linguagem, sobrepor um texto aos outros, enquanto a literatura vive de um diálogo entre linguagens, narrativas e valores e das transformações geradas por esse processo. O romance nasce da tensão e não da união, ou se se preferir, segundo Foucault, da transgressão.

Levando esta questão mais longe, importa referir que o poder da religião se dá porque “a ideia de deus é, em simultâneo um repositório do nosso encantamento pela vida, uma resposta às grandes questões da existência, e também um livro de instruções”, mas a literatura ao colocar-nos em confronto com diferentes vozes, ao permitir que na nossa cabeça se gere um debate de ideias, satisfaz a nossa necessidade de transcendência, sem nos dar regras e permitindo-nos criar uma perspectiva crítica sobre as potenciais respostas que poderemos encontrar para as grandes questões da vida.

Rushdie apresenta-nos de forma muito interessante as vantagens da literatura face à religião, demonstrando que fazendo face às mesmas necessidades, a literatura tem a mais-valia de ser desprovida de poder, de sacralização. A literatura existe e apenas faz sentido enquanto realidade questionável e, nos tempos que correm, é cada vez mais importante não nos esquecermos que o verdadeiro poder de cada um de nós é questionarmos o que nos é apresentado como dogma.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Cheiro a livro novo - Janeiro de 2015


No começo de um novo ano as editoras estão normalmente de ressaca, perdidas entre balanços do ano que acabou e visões daquilo que querem editar no novo ano. É por isso uma altura de promessas e poucas novidades, mas aos poucos e poucos, com maior ou menor excitação, lá foram saindo alguns livros.

A Relógio D’Água não costuma desiludir e há sempre qualquer coisa digna de menção. Para já destaque para mais um volume das obras de Nabokov, desta vez “Fogo Pálido”, e, para os aficionados dos contos, “Não Posso Nem Quero” de Lydia Davis, a vencedora do The Man Booker International Prize 2013.

E como prémio literário é sinónimo de Nobel da Literatura, a Porto Editora traz-nos mais um livro de Patrick Modiano, “Dora Bruder", anteriormente editado pela ASA e há muito esgotado. Igualmente prestigiada, mesmo sem ter ganho o Nobel, Simone de Beauvoir é uma das apostas do ano da Quetzal que começa por editar o romance “Mal-Entendido em Moscovo”.

Uma das boas notícias do início de 2015 foi a inauguração, pela Civilização, da colecção Noites Brancas com quatro emblemáticas obras de quatro autores clássicos: “Crime e Castigo” de Dostoievski, “Fausto” de Goethe, “Um Marido Ideal” de Oscar Wilde e “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós.

E por falar em autores nacionais, a Quetzal editou “Alegria Breve”, mais um livro da Obra Completa de Vergílio Ferreira. A Tinta-da-China trouxe-nos também a boa-nova da reedição de “O Crocodilo que Voa”, um livro que compendia várias entrevistas feitas a Luiz Pacheco, incluindo alguns entrevistadores sonantes como Baptista-Bastos, Paula Moura Pinheiro, Ricardo Araújo Pereira e Rui Zink. Na não-ficção destaque também para a reedição da Quetzal do 1º volume de “O Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir.

E terminamos com poesia, com a publicação pela não (edições) de “O Mar de Coral” de Patti Smith, a quarta obra da colecção de poesia traduzida Traditore.