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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A dependência dos livros – edição Agosto de 2015

Agosto já pertence ao passado, mas ainda estão bem presentes na minha memória as boas compras que fiz no mês que passou, graças sobretudo às excelentes promoções que já se tornaram um hábito no Verão.

A Wook é a esse nível sempre tentadora e voltou a não desiludir com “Para Onde Vão os Guarda-Chuvas”, o meu primeiro livro de Afonso Cruz, e “De Mim Já Nem Se Lembra” de Luiz Ruffato com 40% de desconto. E mais uma oportunidade para acrescentar um livro de Alice Munro à minha biblioteca, desta feita “Demasiada Felicidade”, que a Wook me acenava com 30% de desconto.

Também a Antígona fez das suas e entre vários livros em promoção aparecia o clássico ”Ondina” de La Motte-Fouqué a metade do preço. O que pode haver melhor do que isso? Só se a essa encomenda acrescentarmos outra de saldos da The Folio Society, e pouparmos cerca de 13 libras na compra de “Good Behaviour” de Molly Keane.

E só para não deixar dúvidas do sucesso das compras de Agosto, após uma busca desenfreada lá encontrei “Uma Aventura do Marquês de Bradomín” de Teresa Veiga, que se encontrava esgotado, à venda no site da livraria Sidarta a uns meros 7.5€. Pena foi pouco depois ter descoberto que a Tinta-da-China se preparava para reeditá-lo...

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 12 de Junho


Prevenindo o estado de loucura em que iríamos ficar, a Cavalo de Ferro não adere à Hora H. Para nos compensar tem os livros todos com pequenos descontos, que representam geralmente entre menos 1.5€ e 3€ face ao preço normal, o que para a Feira do Livro é um pouco conservador... Mas nos Livros do Dia torna-se tudo mais interessante e os descontos chegam em regra aos 40%. Tendo em conta que a Cavalo de Ferro tem um dos melhores catálogos nacionais, esse desconto sabe-nos a ambrosia e até ao final a Feira ainda haverá 2 obras essenciais que estarão a preços irresistíveis: a “Obra Reunida” do Rulfo no Sábado e o “Nada” de Carmen Laforet no Domingo. Como resistir?

E por falar em Livros do Dia, quem passar hoje pela Feira do Livro poderá encontrar com desconto significativo:

Antígona
“Walden” de Henry David Thoreau - 9,25€

Grupo Porto Editora
“São Paulo” de Teixeira de Pascoaes - 11,25€ (banca da Assírio & Alvim)
“A Desumanização” de Valter Hugo Mãe - 8,3€ (banca da Porto Editora)

Babel
“Peito Grande – Ancas Largas” de Mo Yan - 14,97€

Relógio D’Água
“Debaixo do Vulcão” de Malcolm Lowry - 12€

Grupo Leya
“Claraboia” de José Saramago - 9,1€ (banca da Caminho)
“A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera - 11,3€ (banca da Dom Quixote)

Cotovia
“Assassínio na Catedral” de T.S. Eliot - 6€

sábado, 30 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 30 de Maio


E ao terceiro dia trago-vos uma boa-nova: ontem, quando ia a caminho de casa, depois de uma extenuante sessão de Feira, distraí-me a ver o catálogo 2015 da Tinta-da-China, na esperança de encontrar novidades. Já diz o povo que quem procura acha e o que encontrei foi o suficiente para dar um mini grito na camioneta. 

Ao que parece a Tinta-da-China, para assinalar os 100 anos da revista Orpheu, decidiu publicar uma edição de luxo fac-similada e numerada da famosa revista literária, uma espécie de caixa dos prazeres que conterá os dois números publicados, assim como as provas tipográficas do terceiro número que nunca o chegou a ser e uma brochura editorial. Tudo por 68€, com direito a anjinhos querubins a cantar músicas celestiais. A cereja no topo de um dia intenso de grandes compras.

Mas é tempo de olhar em frente e analisar o que a Feira do Livro de Lisboa tem hoje para nos oferecer. Fiquem então com os destaques dos Livros do Dia de hoje:

Grupo Porto Editora
“A Divina Comédia” de Dante Alighieri - 11,98€ (banca da Quetzal)
“O Herói Discreto” de Mario Vargas Llosa - 9,4€ (banca da Quetzal)
“Diários” de Al Berto - 11€ (banca da Assírio & Alvim)

Relógio D’Água
“Anna Karénina” de Lev Tolstói - 16€
”As Aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain - 8€

Cotovia
“Teatro 3” de Bertolt Brecht - 12,5€
“Uma Aventura Secreta do Marquês de Bradomín” de Teresa Veiga - 7€

Antígona
“Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley - 9,25€

Grupo Leya
“Debaixo de Algum Céu” de Nuno Camarneiro - 6,9€
“Meio Sol Amarelo” de Chimamanda Ngozi Adichie – 8,4€ (banca da ASA)
“Obras Completas 1975-1985” de Jorge Luís Borges – 17,7€ (banca da Teorema)

Cavalo de Ferro
“Auto-de-Fé” de Elias Canetti - 12,5€
"A Ponte Sobre o Drina" de Ivo Andric - 11€

Tinta-da-China
“Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer” de Carlos Vaz Marques - 10,8€

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 29 de Maio


Hoje é o meu primeiro dia de Feira e só de imaginar aquelas bancas recheadas de livros a bons preços sinto logo um sorriso a rasgar-me a cara. Paragens obrigatórias no stand das promoções da Relógio D’Água, cujos caixotes são há alguns anos o ponto alto da Feira do Livro e uma fonte inesgotável de alegria, e no stand da Antígona, que este ano aumentou a sua presença para apresentar uma área com grandes oportunidades. Veremos!

E entre os Livros do Dia de hoje destaque para:

Grupo Porto Editora
“A Ilha Debaixo do Mar” de Isabel Allende - 9,4€ (banca da Porto Editora)
“Bufo & Spallanzani” de Rubem Fonseca - 8,3€ (banca da Sextante)
“Lunário” de Al Berto - 5,75€ (banca da Assírio & Alvim)
“O Cânone Ocidental” de Harold Bloom - 9,95€ (banca da Temas e Debates)

Relógio D’Água
“A Poesia do Pensamento” de George Steiner - 12€
“Do Lado de Swann” de Marcel Proust - 13€
“Fausto” de Johann W. Goethe - 16€
“O Feiticeiro de Oz” de L. Frank Baum - 9€

Alfaguara
“Os Enamoramentos” de Javier Marías - 11,94€

Antígona
“1984” de George Orwell - 8€

Cavalo de Ferro
“O Barril Mágico” de Bernard Malamud - 8,5€

Tinta-da-China
“O Bom Soldado Svejk” de Jaroslav Hasek - 19,2€
“Obra Completa” de Álvaro de Campos - 15€

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 28 de Maio


Os snobs torcem o nariz à Feira do Livro, mas quem quer verdadeiramente saber de opiniões que são mais uma projecção de imagem do que verdades ditadas pela consciência? Para mim, ir à Feira do Livro de Lisboa é como entrar numa loja de doces em que tudo brilha, olhamos desnorteados para todas as direcções, sem saber onde pousar os olhos primeiro.

Mas a excitação não pode aniquilar a racionalidade e o primeiro conselho que vos dou é: preparem-se. Não vão apenas despreocupadamente passar os olhos pelas bancas e escolher espontaneamente o que comprar. Isso funciona em casos específicos, por exemplo nas bancas de promoções da Relógio D’Água, em que os livros estão ao mesmo preço durante toda a Feira. Mas levados pela promoção do Livro do Dia, muitas vezes não se tomam as melhores opções. Por exemplo: os Livros do Dia da Relógio D’Água têm por norma 40% de desconto, mas se forem comprados a Hora H, noutro dia em que não sejam Livro do Dia, o desconto já é de 50%.

Por isso vos digo, percam uma horinha a programarem a vossa Feira, identifiquem que Livros do Dia valem a pena nos dias em que vão e definam que livros é melhor deixar para a Hora H. Um comprador preparado é um comprador mais poupado. E não se esqueçam, o lema é sempre: comprar mais pelo menor preço.

Da minha parte prometo acompanhar-vos diariamente, com os destaques dos Livros do Dia e dicas para tornarem a vossa Feira do Livro de Lisboa 2015 a melhor de sempre. Deixo-vos com alguns dos Livros do Dia de hoje:

Grupo Porto Editora
“1822” de Laurentino Gomes - 9,35€ (banca da Porto Editora)
“A Questão Finkler” de Howard Jacobson - 8,85€ (banca da Porto Editora)
“As Verdes Colinas de África” de Ernest Hemingway - 6,65€ (banca da Livros do Brasil)
“Mensagem” de Fernando Pessoa - 5,5€ (banca da Assírio & Alvim)
“Na Patagónia” de Bruce Chatwin - 7,75€ (banca da Quetzal)
“Poesia” de Sophia de Mello Breyner Andresen - 6,1€ (banca da Assírio & Alvim)

Relógio D’Água
“A Estrada” de Cormac McCarthy - 8€
“A Ilha do Tesouro” de Robert Louis Stevenson - 7€
“A Viagem do Beagle” de Charles Darwin - 15€
“A Sonata de Kreutzer” de Lev Tolstói - 8€
“As Flores do Mal” de Charles Baudelaire - 12€

Alfaguara
“A Laranja Mecânica” de Anthony Burgess - 11,34€

Antígona
“A Quinta dos Animais” de George Orwell - 7€

Grupo Leya
“Barroco Tropical” de José Eduardo Agualusa - 8,10€ (banca da Dom Quixote)

Cotovia
“Teatro 1” de Bertolt Brecht - 12,5€

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cheiro a livro novo - a rentrée literária de 2014



Setembro é um dos pontos altos do ano para os viciados em livros, esperando avidamente pelas novidades anunciadas pelas editoras para os últimos meses do ano, já de olhos postos no Natal. E este ano temos motivos de regozijo, com a Quetzal, a Tinta-da-China, a Cavalo de Ferro e a Relógio D’Água a dominarem a lista com as novidades mais apetecíveis.

Uma boa notícia é o regresso à publicação do grupo Babel que estava algo dormente nos últimos meses. Veremos o que nos reservam para os próximos tempos mas, para já, para além de algumas novidades, vai ser reeditado “A Síbila”, tanto a versão da Colecção Opera Omnia, como uma versão mais barata, comemorando assim os 60 anos da 1ª edição deste mítico livro.

No início de Outubro, com o anúncio do Prémio Nobel da Literatura, é de esperar que haja novidades (esperemos que sim!). Será que alguma editora terá a sorte de ver um dos seus autores a ser premiado e as vendas a subirem em flecha? Haverá uma corrida à publicação se for um autor por estrear no nosso mercado? Quem viver verá.

Deixo-vos então com uma lista daqueles que me parecem ser os lançamentos mais significativos dos próximos meses.


Porto Editora

"Alabardas, Alabardas" de José Saramago (Prémio Nobel da Literatura em 1998)
"Uma Menina Está Perdida no seu Século à Procura do Pai" de Gonçalo M. Tavares
"O Paraíso São os Outros" de Valter Hugo Mãe

Assírio & Alvim

"Poesia Presente" de António Ramos Rosa

Sextante

"Terra Amarga" de Joyce Carol Oates
"Mudwoman" de Joyce Carol Oates

Quetzal

“Montedor”  de J. Rentes de Carvalho
“Herzog” de Saul Bellow (Prémio Nobel da Literatura em 1976)
“O Rei Pálido” de David Foster Wallace

Bertrand

“Os Luminares” de Eleanor Catton (vencedor do The Man Booker Prize 2013)

Tinta-da-China

«Obra completa de Álvaro de Campos» de Fernando Pessoa
“Os Meus Sentimentos” de Dulce Maria Cardoso
“Oblomov”, de Ivan Goncharov
2º volume de entrevistas da Paris Review (entre os entrevistados T. S. Eliot, Harold Pinter, Ezra Pound, Marguerite Yourcenar, Vladimir Nabokov e Philip Roth)

Dom Quixote

“O Organista” de Lídia Jorge

Babel

“Os Incuráveis” de Agustina Bessa-Luís

Cavalo de Ferro

“A Selva” de Ferreira de Castro
“Final do Jogo” de Julio Cortázar
“Primeiro os Idiotas” de Bernard Malamud
“Thérèse Desqueyroux” de François Mauriac (Prémio Nobel da Literatura em 1952)

Presença

“O Pintassilgo” de Donna Tartt (vencedor do Pulitzer Prize for Fiction 2014)

Sextante

“Amálgama” de Rubem Fonseca

Relógio D’Água

“O Planeta do Sr. Sammler” de Saul Bellow (Prémio Nobel da Literatura em 1976)
“Diário” de Franz Kafka
“Obras Escolhidas” de Lewis Carroll
“Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento” de Alice Munro (Prémio Nobel da Literatura em 2013)

Caminho

“Vagas e Lumes” de Mia Couto

Antígona

“Contos Seleccionados” de Aldous Huxley
"A Vida e Opiniões de Tristam Shandy" de Laurence Sterne

segunda-feira, 24 de março de 2014

A dependência dos livros - edição Março de 2014


Este mês, graças a duas generosas iniciativas, o volume de livros que entrou na minha biblioteca pessoal foi bastante superior ao que pensava inicialmente. Por um lado, a campanha de oferta de livros da Presença valeu-me três livros, que normalmente custariam à volta de 70€, pelos quais paguei menos de 7€ em portes de envio. Excelente iniciativa esta, sem dúvida, que me permitiu finalmente comprar dois dos volumes da trilogia USA do John dos Passos e “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles.

A outra oportunidade que me deixou particularmente eufórico veio pela mão da Tinta da China, a respeito do lançamento do novo livro da Dulce Maria Cardoso, “Tudo São Histórias de Amor”, Quando feita a pré-encomenda do livro através do site da Tinta da China recebia-se gratuitamente um título à escolha de três opções da colecção de clássicos. Como já tinha o “O Livro da Selva”, fiquei na dúvida entre “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” e “A História de um Rapaz Mau” mas acabei por escolher este último.

Deixo-vos com a lista completa das compras do mês, mas não posso deixar de destacar o “Autismo” do Valério Romão, uma das compras que mais felicidade imediata me trouxe. Conto os dias pelo momento em que o lerei.

Autismo” de Valério Romão, Abysmo
Corre, Coelho” de John Updike, Civilização
Contos de Amor, Loucura e Morte” de Horácio Quiroga, Cavalo de Ferro
O Anão” de Par Lagerkvist, Antígona
O Grande Capital” de John dos Passos, Presença
1919” de John dos Passos, Presença
As Meninas” de Lygia Fagundes Telles, Presença
Tudo São História de Amor” de Dulce Maria Cardoso, Tinta da China
A História de um Rapaz Mau” de Thomas Bailey Aldrich, Tinta da China
O Inominável” de Samuel Beckett, Assírio & Alvim
“A Rainha Restauradora – Luísa de Gusmão” de Monique Vallance, Círculo de Leitores
“A Rainha Coleccionadora – Catarina de Áustria” de Annemarie Jordan, Círculo de Leitores

segunda-feira, 10 de março de 2014

Abertura da loja online da Antígona: a compra de livros enquanto irreverência


No meu Olimpo pessoal de editoras portuguesas a Antígona tem um lugar de destaque. Porquê? Porque a Antígona é uma das poucas editoras a realizar um trabalho coerente de construção de marca, sem cedências e com uma ousadia muito pouco comum num país em que os costumes se querem brandos e o silêncio é a palavra de ordem, para não incomodar ninguém.

O catálogo da Antígona é cirúrgico, com decisões tomadas por alguém que sabe que editora quer ter. E a imagem acompanha a convicção das escolhas editoriais assumidas, mas não está só: a suportá-la existe uma comunicação pensada, diferente, num tom bem-humorado, inteligente, uma comunicação que parece ser feita por pessoas e não por máquinas, sem cair em discursos a apelar a sentimentos e outros truques que tais.

E a posição da Antígona só se poderá fortalecer com uma decisão sábia: apostar numa loja online própria. E se esta é uma decisão que certamente será boa para a editora, é-o também para os leitores, que podem assim usufruir de inúmeras vantagens: livros com 10% de desconto; selecção mensal de livros em promoção com 20% de desconto; saldos permanentes, com livros entre os 3€ e os 10€; envio para o Brasil; e portes grátis para Portugal. Bom, vejamos então:  razão egoísta - livros mais baratos; razão altruísta - apoiar uma editora focada em bons livros. Cobertas que estão todas as possibilidade, que razão poderá haver então para comprar os livros da Antígona noutro lugar que não na loja online? 

Tivesse eu sabido que a loja online estava para abrir portas e não tinha comprado “O Anão” de Pär Lagerkvist, há uns dias, noutras paragens. Mas ando há já algum tempo de olho no “Da Educação das Mulheres” do Chordelos de Laclos e no “Justine” do Marquês de Sabe, dois dos livros em saldos permanentes e parece-me que os astros se alinham par que essa compra seja feita em breve…

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cheiro a livro novo - Fevereiro de 2014




E Fevereiro está a terminar e é altura de balanço. O frio que tem dominado as últimas semanas parece ter feito sentir os seus efeitos nas editoras que, para não gastarem muito calor, limitaram a sua acção ao essencial. Ou se estão a guardar os grandes lançamentos para a Feira do Livro de Lisboa, que se realizará entre 29 de Maio e 15 de Junho, ou então espera-nos um ano de indigência.

Comecemos, como é hábito, pela Relógio D’Água que, como habitualmente, continua a fazer os seus trabalhos de casa. E neste mês temos três obras de três mulheres premiadas:  “Vida Após Vida” de Kate Atkinson, vencedor do Costa Book Award 2013; Assim Para Nós Haja Perdão” de A. M. Homes, que conquistou o Women's Prize for Fiction 2013; e o único romance da incontornável Alice Munro, Prémio Nobel da Literatura 2013, Vidas de Raparigas e Mulheres”.

Na Sextante também se apostou num Prémio Nobel, mas bastante mais distanciado no tempo, continuando a edição de obras Aleksandr Soljenítsin, desta vez com “Zacarias Escarcela e Outros Contos”. Nunca me deixa de espantar a capacidade da Sextante para editar algo que ninguém estaria à espera.

Tem de ser referida também a publicação de “O Jogo de Ripper” de Isabel Allende, pela Porto Editora, embora mais uma vez o design do livro seja muito fraquinho. Isabel Allende é uma grande autora, disso não há dúvida, e a aposta da Porto Editora na sua obra é de louvar, mas a execução tem deixado bastante a desejar, o que é uma grande pena. Mas voltarei a esta questão num futuro próximo…

Este mês surgiram nas livrarias algumas obras de autores portugueses e lusófonos dignas de interesse. Uma delas é “A Experiência”, editada pela Cavalo de Ferro no âmbito do publicação das obras de Ferreira de Castro, e que é considerado um dos textos mais subversivos do autor. Outra é “Habitante Irreal” de Paulo Scott, uma premiada obra da literatura brasileira (vencedora do Prémio Machado Assis da Fundação Biblioteca Nacional 2012 e finalista dos prémios Jabuti e São Paulo de Literatura) trazida até nós pela Tinta da China. Por fim, e graças a um post de Maria do Rosário Pedreira, fiquei com muita vontade de ler “Livro Sem Ninguém” de Pedro Guilherme-Moreira, editado pela Dom Quixote, um dos finalistas do Prémio Leya 2012, que propõe algo original: contar uma história prescindindo das personagens, recorrendo apenas a objectos. Será que funciona?

E para terminar, com a não-ficção como de costume, a Antígona publica “Mary Shelley” de Cathy Bernheim, uma biografia da autora de “Frankenstein”, e as Edições 70 trazem-nos “Uma História da Violência” de Robert Muchembled, que pretende provar que a violência se encontra em decréscimo na sociedade desde o Séc. XIII. Interessante, sem dúvida.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cheiro a livro novo - Janeiro de 2014


Uma pobreza franciscana. Assim se pode descrever este início de ano em termos editoriais. Poucas novidades e as saídas mais mediáticas não foram as de livros, mas antes a de Saramago e João Tordo da Leya (Saramago entretanto já acolhido na Porto Editora).

Se há algum esforço na Leya para que não seja óbvio que as coisas não andam bem, será certamente muito tímido. Basta olhar para o que as novidades das editoras do grupo em Janeiro e percebe-se que os tempos não estão para grandes investimentos. Digna de nota, portanto, apenas a reedição da “Antologia Poética” de Miguel Torga pela Dom Quixote. Mas, conselho de amigo: se querem comprar poesia do Torga, ainda circula por algumas lojas uma edição da poesia completa do autor, com 2 volumes num único pack, e cujo preço é pouco maior do que o desta antologia.

Falando ainda de autores portugueses, a Tinta da China publicou “Traição”, uma peça de teatro de Luís Mário Lopes, vencedora do Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia António José da Silva. Saúde-se o regresso da Tinta da China à ficção, e particularmente à portuguesa, após uma grande leva de não-ficção. Quem ficava bem entregue nas suas mãos era o João Tordo, mas a ver vamos o que o futuro reserva. Destaque também na Tinta da China para um novo livro da colecção de literatura de viagens, “Hav” de Jan Morris, o segundo livro do autor nesta colecção e que foi finalista do Booker Prize.

Também finalista do Booker Prize, em 2013, foi “Planície” de Jhumpa Lahiri, que a Relógio D’Água se prepara para editar. Mas a Relógio D’Água nunca esquece os clássicos e este mês iniciou a publicação das "Obras Escolhidas" de Virgínia Woolf, em capa dura, juntando num único volume 4 dos seus livros mais conhecidos: “Orlando”, “As Ondas”, “Mrs. Dalloway” e “Rumo ao Farol”.

E, por falar em clássicos, a Quetzal anunciou para breve o início de uma colecção de clássicos, que será inaugurada por “Anatomia da Melancolia” de Robert Burton e “Páginas Escolhidas” de Samuel Johnson. Para já, a Quetzal editou um clássico mais moderno e que desde o fim da Difel estava afastado das livrarias. Falo de “Nove Histórias” de J. D. Salinger.

Com tanta ficção, que tal um livrinho de não-ficção para desenjoar? A Antígona inicia o ano com o ensaio de CondorcetReflexões sobre a Escravidão dos Negros” e “A Escravatura – Subsídios Para a Sua História” de Edmundo Correia Lopes. A ver vamos, que outras novidades terá a Antígona preparadas para 2014.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cheiro a livro novo – Novembro e Dezembro 2013


Os meses que antecedem o Natal são por norma pródigos em novidades editoriais, aproveitando o ímpeto consumista originado pelos presentes. Não se pode dizer que tenha sido esse o caso este ano, com poucas novidades e as que existiram foram sobretudo novas edições de obras já publicadas em Portugal. De realçar a pouca actividade dos dois maiores grupos editoriais, Leya e Porto Editora, sem nenhum livro particularmente excitante editado neste período.

A novidade do final do ano e, na minha opinião, a edição mais relevante de 2013 é “Dicionário de Lugares Imaginários” de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, um gigantesco livro de 1000 páginas trazido até nós pela Tinta da China, que compendia locais fictícios famosos na literatura mundial, com direito a ilustrações. Se isto não é o presente de Natal perfeito, não sei o que o será. Mas, como se este livro não fosse suficiente, a Tinta da China editou ainda o segundo livro da colecção pessoana, “Eu Sou uma Antologia”, com organização de Jerónimo Pizarro e Patrício Ferrari, reunindo escritos de 136 autores criados por Fernando Pessoa. E para fechar com chave de ouro, há ainda "Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer", um livro com entrevistas realizadas por Carlos Vaz Marques na Ler, com alguns dos autores portugueses mais relevantes dos últimos anos (Saramago, Agustina, Lobo Antunes, M. Tavares e Dulce Maria Cardoso, por exemplo).

A única editora a competir com a Tinta da China nas novidades de final de ano é a Relógio d’Água, com duas grandes apostas já disponíveis nas livrarias. Falo das tão aguardadas edições de “Ulisses” de James Joyce, desaparecido do mercado desde que a Difel fechou portas, com uma nova tradução para português de Jorge Vaz de Carvalho, e de “Guerra e Paz” de Tolstoi, que não estava propriamente desaparecido das livrarias. Sendo fácil de encontrar a edição da Presença deste livro, que mais-valias pode ter a versão da Relógio d’Água? Para começar, menos volumes: dois em vez dos quatro da Presença. E depois, há ainda a garantia de qualidade da tradução de António Pescada, que já anteriormente tinha traduzido, de forma exemplar diga-se, “Anna Karénina”, também pela Relógio d’Água.

Por falar em clássicos, a Civilização teve a excelente iniciativa de aumentar a sua colecção Novos Clássicos, com algumas edições dignas de relevo, caso de “O Pai Goriot” de Balzac e de “Quo Vadis” do Prémio Nobel Henryk Sienkiewicz, ambas obras editadas anteriormente pela Europa-América e que mereciam novas edições. Se procuram livros bons, bonitos e baratos (menos de 10€), vejam esta colecção que vale mesmo a pena.

Mas nem só de novas versões de clássicos vive o mercado, e a Cavalo de Ferro continua a sua aposta no género conto, editando pela primeira vez em Portugal “O Barril Mágico” de Bernard Malaud, autor querido por nomes como Philip Roth e Flannery O’Connor.

E por fim, não esquecendo os ensaios, a Antígona propõe mais uma vez um livro singular, integrado na edição da obra de Aldous Huxley. “As Portas da Percepção” relata experiências de Huxley com o consumo de alucinogénios e poderá ser, sem dúvida, um presente de Natal original. Um bom presente poderia ser também o “Admirável Mundo do Novo”, editado também pela Antígona nos últimos meses, mas confesso que a capa me desmotivou e coloquei de lado o meu plano de dar a minha edição da Livros do Brasil a alguém e de comprar esta versão.


Bom, resta-nos esperar para ver o que 2014 nos trará. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Cheiro a livro novo - Outubro de 2013


Estamos perante um final de ano morno. E não, não falo apenas da temperatura, que agora já começa a mostrar sinais de querer baixar, falo das escolhas editoriais, que não se pode dizer que sejam más, mas esperava-se melhor, especialmente tendo em conta que estamos em época alta. Estarão as editoras a guardar as grandes cartadas para Novembro? Fala-se da edição do “Guerra e Paz” e do “Ulisses” pela Relógio d’Água nesse mês, mas tendo em conta os sucessivos atrasos (estes livros estão na calha há quase um ano) é mesmo caso de ver para crer.

Em Outubro, surpreendentemente, o grande anúncio veio da Antígona, que se prepara para editar vários livros de Aldous Huxley, começando pelo “Admirável Mundo Novo”, livro muito difícil de encontrar nas livrarias, embora ainda se vejam de vez em quando uns exemplares esquecidos e velhinhos da colecção Dois Mundos da Livros do Brasil. Sem dúvida um autor até aqui maltratado pelas nossas editoras e que vai ter finalmente edições à sua altura. Excelente opção da Antígona!

Falando de grandes autores do século XX, a Relógio d’Água continua a publicação das obras de Nabokov, com uma regularidade surpreendente, diga-se de passagem, desta vez com “Pnin”.E porque nem só de clássicos vive o leitor, há também lugar para a edição do polémico “As Partículas Elementares” de Michel Houellebecq, editado anteriormente pela Temas e Debates mas entretanto desaparecido das livrarias.

Compreendo a edição de um livro por mais de uma editora quando o livro esgotou e já não se encontra no mercado, mas que de resto parece-me um exercício estéril. Posto isto, gostava que alguém me explicasse porque é que a Tinta da China decidiu publicar mais uma versão do “Livro do Desassossego” do Fernando Pessoa? Não ponho em causa a qualidade de Jerónimo Pizarro, o editor da obra, mas havendo pelo menos a edição da Assírio & Alvim e a da Relógio d’Água, não será uma má alocação de recursos editar um livro que se encontra facilmente no mercado? Não vejo a mais-valia, e volto a dizer que a Tinta da China se está a deixar ficar para trás na ficção, especialmente na estrangeira.

Também não percebo muito bem a motivação da Alfaguara para editar “Coração Tão Branco” de Javier Marías, que na Feira do Livro se encontrava na banca da Relógio d’Águas a 5€. Com tanto livro por editar em Portugal... A editar um livro que se já se encontra pelas livrarias, então que se faça algo em grande, como a Divina Comédia, que decidiu apostar numa nova edição de  “Cartas Portuguesas”, a obra clássica de Mariana Alcoforado, que conta com tradução de Pedro Tamen, prefácio de Maria Teresa Horta, ilustrações de Modigliani e capa dura. Querem melhor? Tudo isto por apenas 13.5€.

E porque falar em literatura em Outubro é sinónimo de falar de Nobel, chegaram até nós algumas edições de vencedores do prémio, poucas, verdade seja dita, mas escolhas interessantes. A Bertrand editou uma colectânea de contos de Thomas Mann, surpreendendo-nos a Sextante com a publicação de mais um livro de Aleksandr Soljenítsin, “A Casa de Matriona”. Um livro sem dúvida inesperado, tal como o é o regresso às livrarias de “Uma Cana de Pesca para o Meu Avô” de Gao Xingjian, reedição da Dom Quixote, editora que também nos traz o último livro de Urbano Tavares Rodrigues, “Nenhuma Vida”, entregue dias antes de falecer.


E por fim, talvez um dos mais interessantes livros de não ficção editados nos últimos tempos, ou pelo menos assim se espera que seja. “Uma Coisa Supostamente Divertida que Nunca Mais Vou Fazer” é o segundo livro que a Quetzal edita de David Foster Wallace, reunindo alguns dos seus artigos e ensaios mais célebres, nomeadamente aquele que dá nome ao livro, e que relata a experiência de Foster Wallace a bordo de um cruzeiro às Caraíbas que durou uma semana. Consta que é um relato bem corrosivo, com generosas doses de ironia. Diversão garantida.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Em discussão: Julguemos os livros pelas capas



Na Feira do Livro, no último dia de compras, dei por mim na banca da Gradiva. Depois de vasculhar a zona das promoções, encontrei 2 livros a 5€: “Um Almoço Nunca é de Graça” do David Lodge e “Corpo Presente” da Anne Enright. Não tinha lido nada de nenhum dos autores, mas estavam os 2 bem referenciados: um esteve na shortlist do Booker, o outro ganhou-o. Alguns amigos defendem ardentemente o valor do David Lodge, mas li os textos das contracapas e pareceram-me ambos interessantes. Que livro acabei por comprar? O de Anne Enright, e podia aqui arranjar mil e uma justificações pomposas, mas a verdade é que o comprei porque a capa era mais bonita (embora não fosse nada de especial).

Ontem estava no Book Depository à procura de edições do “The Perks of Being a Wallflower” do Stephen Chbosky (que comprarei num dos próximos meses) e adivinhem que edição escolhi? Mais uma vez, a que tinha a capa mais bonita.

Neste momento estão já os puristas da literatura a ter um ataque e a vociferar contra a futilidade das minhas decisões. Mas, por muito importante que o conteúdo do livro seja, a sua componente material também o é, caso contrário, para quê comprar livros? Porque não aderir em exclusivo aos ebooks? Para quem quer manter vivas as edições em papel dos livros, secundarizar a importância da componente estética não é um bom caminho, mas a verdade é que muitas editoras ainda não chegaram a esta conclusão.

Há umas semanas a The New Yorker publicava um artigo de Tim Kreider, ensaísta e cartoonista, com um título bem sugestivo: “The Decline and Fall of the Book Cover”. Kreider abre-nos as portas para os bastidores do mundo editorial e dos processos de decisão a respeito das capas, quase totalmente controlados pelas equipas de Marketing. E uma realidade parece óbvia: as capas dos livros são cada vez mais semelhantes. Chegamos então ao cúmulo de os marketeers, que deveriam advogar a diferença e lutar para que o produto, neste caso o livro, se diferencie no mercado, se tornaram em defensores do “vamos fazer como os outros”. Dominados pelo medo de ferir susceptibilidades, de tomar alguma decisão que não agrade a alguém, criam-se capas estéreis, banais, que são tão neutras que se tornam irrelevantes.

É verdade que a capa não é o factor determinante na decisão de comprar um livro. Mas importa também distinguir 2 realidades: comprar um livro de um autor conhecido e de um autor desconhecido. Se conhecemos o autor, a capa terá uma importância muito secundária. Não vou deixar de ler Tolstoi porque o livro tem a capa feia. Afinal de contas é Tolstoi! Mas se calhar, se estiver com o “Guerra e Paz” numa mão e o “Anna Karénina” noutra, a capa mais interessante é capaz de me convencer. No caso de um autor desconhecido, se não tenho qualquer informação adicional, que remédio tenho se não deixar que a capa me revele algo sobre a qualidade do livro.

E falando das capas enquanto reveladoras da qualidade dos livros, um grande flagelo do mercado editorial actual é a percepção do género do público a que o livro se destina e a adequação da capa em sua função. Maureen Johnson escreveu no Huffington Post a respeito desta questão, e há que reconhecer: a tendência é para que uma escritora tenha uma capa “feminina”, o que limita de imediato o livro a ser “um livro para gajas”, ou seja, de fraca qualidade. Maureen propôs inclusive um exercício chamado Coverflip, em que o desafio é simples: imaginar que capa teria um livro se o seu autor tivesse sido alguém do sexo oposto. E de facto, os resultados dão muito que pensar. Facilmente nos apercebemos do poder manipulador que algumas capas têm.

Recentemente deparei-me no nosso mercado com um caso paradigmático de como uma capa pode limitar o público de uma escritora. Falo da Isabel Allende e das reedições das suas obras pela Porto Editora. Um grave erro foi cometido! É praticamente impossível um homem (e algumas mulheres!) comprar alguns dos livros sem se sentir extremamente ridículo. Fiquei contente quando soube que, após o desaparecimento da Difel, a Porto Editora tinha decidido reeditar a obra da Isabel Allende. Estava com muita vontade mesmo de comprar o “Paula”, mas quando vi a capa pensei “NÃO!!!” Um erro. Um enorme erro. Limitar Isabel Allende à categoria de escritora para mulheres é um preconceito enorme e uma total falta de compreensão da importância da sua obra.

Mas nem só de capaz más e preconceituosas vive o mercado. Kreider dizia no seu artigo que a época das capas com ilustrações tinha terminado. Já ninguém o fazia. E eu pensei “a Tinta da China faz!” E de facto, falar da importância do design dos livros em Portugal é falar da Tinta da China, uma das poucas editoras a perceber que concebendo o livro como uma peça artística, as pessoas têm uma maior percepção do “value for money” e que, em vez de 15€ por um livro, se calhar estão dispostas e pagar 25€. É um risco? É sim. Mas tanto quanto sei a vida não tem corrido mal à Tinta da China, portanto, se calhar, correr riscos compensa. Há outras editoras que se destacam também pelo cuidado gráfico nas suas edições: a Relógio d’Água, a Quetzal, a Sextante, a Antígona, a Divina Comédia e a Cavalo de Ferro, por exemplo. Na Leya depende muito do autor (as colecções do Saramago e do Vargas Llosa são bons exemplos de edições cuidadas, mas outros autores não têm a mesma sorte). Mas a Tinta da China joga noutra liga, no que ao design diz respeito.




Acima de tudo, parece-me que algumas editoras têm de acarinhar mais os seus livros. Eu posso ter um filho e gostar muito dele e pensar que ele tem grandes qualidades intelectuais, mas se o mandar mal vestido para a escola estou a condicionar a percepção dos outros. E nos tempos que correm a percepção é tudo. Já dizia o outro: não basta sê-lo, há que parecê-lo.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O cheiro a livro novo - Julho de 2013




Enquanto algumas editoras aproveitam esta altura do ano para irem a banhos, presenteando os leitores com a ausência de novidades ou com novidades ao bom estilo silly season, há quem continue a editar com qualidade, apesar do Verão.

A Relógio D’Água tem tido um ano em cheio, com uma sucessão alucinantes de livros imperdíveis. E em Julho será igual. Para já, estão a chegar às livrarias “animalescos” de Gonçalo M. Tavares e uma nova edição de “Mensagem” de Fernando Pessoa. Porquê uma nova edição de um livro já bem presente no mercado? Porque esta edição conta com a edição de Teresa Sobral Cunha, uma especialista em Pessoa que fez um trabalho notável na edição, também da Relógio D'Água, de “Livro do Desassossego”. Se isso não chegar, há ainda o prefácio de Prémio Camões Eduardo Lourenço, um dos maiores pensadores portugueses da actualidade. Mais argumentos? É da Relógio D’Água, e se há uma máxima na minha vida literária que defendo é que tudo o que a Relógio d’Água faz, faz bem.

Para além destes 2 livros, a Relógio D'Água continua com a publicação da obra completa de Shakespeare (projecto de que em breve vos quero falar), desta feita publicando os 2 volumes de “Henrique IV”, não esquecendo também a obra completa de Nabokov, complementada com 2 das principais obras do autor: “Lolita” e “Pnin”. E para rematar, ainda vão publicar mais livros, entre os quais “História Imortal” de Karen Blixen, a autora de “África Minha”.

A Cavalo de Ferro promete para dentro em breve a publicação de “Paraíso e Inferno” de Jón Kalman Stefánsson, mais um nome cimeiro da literatura nórdica a figurar no seu catálogo. Enquanto isso, a Antígona, fiel à sua postura irreverente, já fez chegar às livrarias “Singela Proposta e Outros Textos Satíricos“ de Jonathan Swift (mais conhecido por ser autor de “As Viagens de Gulliver”), sendo que a singela proposta parece ter algo a ver com a degustação de crianças…

Destaque também para a continuação da reedição das obras de Isabel Allende pela Porto Editora, recuperando os títulos editados pela Difel que entretanto desapareceram do mercado, sendo a vez de “De Amor e de Sombra”, “Contos de Eva Luna”, “Retrato a Sépia” e “A Soma dos Dias”. Não podendo deixar de mencionar também a corajosa escolha da Divina Comédia, que se estreia nos clássicos da literatura universal com “História da Minha Vida” de Giacomo Casanova, após uma eclética selecção de obras portuguesas.

A Civilização, para além do muito premiado "O Livro Negro" Hilary Mantel, expande a colecção Novos Clássicos (que concilia os preços em conta, com um design muito apelativo), com principal destaque para a publicação de "História de Duas Cidades" de Charles Dickens, "Os Maias" de Eça de Queirós e "Viagens na Minha Terra" de Almeida Garrett.

Para os fãs de não ficção, a Edições 70 tem uma proposta muito interessante: “As Cruzadas Vistas Pelos Árabes” de Amin Maalouf. Podem chamar-me etnocêntrico, mas a verdade é que nunca tinha pensado criticamente sobre as Cruzadas e de facto, pondo-nos no lugar dos árabes, haverá certamente muitos episódios dignos de nota e não pelas melhores razões.