Uma
pobreza franciscana. Assim se pode descrever este início de ano em termos
editoriais. Poucas novidades e as saídas mais mediáticas não foram as de
livros, mas antes a de Saramago e João Tordo da Leya (Saramago entretanto já
acolhido na Porto Editora).
Se há
algum esforço na Leya para que não seja óbvio que as coisas não andam bem, será
certamente muito tímido. Basta olhar para o que as novidades das editoras do grupo em Janeiro e percebe-se que os tempos não estão para grandes investimentos. Digna
de nota, portanto, apenas a reedição da “Antologia Poética” de Miguel Torga
pela Dom Quixote. Mas, conselho de amigo: se querem comprar poesia do Torga, ainda circula por algumas lojas uma edição da poesia completa do autor, com 2 volumes num único pack, e cujo preço é pouco maior do que o desta antologia.
Falando
ainda de autores portugueses, a Tinta da China publicou “Traição”, uma peça de
teatro de Luís Mário Lopes, vencedora do Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia
António José da Silva. Saúde-se o regresso da Tinta da China à ficção, e
particularmente à portuguesa, após uma grande leva de não-ficção. Quem ficava bem entregue nas suas mãos era o João Tordo, mas a ver vamos o que o futuro
reserva. Destaque também na Tinta da China para um novo livro da colecção de
literatura de viagens, “Hav” de Jan Morris, o segundo livro do autor nesta
colecção e que foi finalista do Booker Prize.
Também
finalista do Booker Prize, em 2013, foi “Planície” de Jhumpa Lahiri, que a Relógio
D’Água se prepara para editar. Mas a Relógio D’Água nunca esquece os clássicos
e este mês iniciou a publicação das "Obras Escolhidas" de Virgínia Woolf, em capa
dura, juntando num único volume 4 dos seus livros mais conhecidos: “Orlando”, “As
Ondas”, “Mrs. Dalloway” e “Rumo ao Farol”.
E, por
falar em clássicos, a Quetzal anunciou para breve o início de uma colecção de clássicos, que será inaugurada por “Anatomia da Melancolia” de Robert Burton e “Páginas
Escolhidas” de Samuel Johnson. Para já, a Quetzal editou um clássico mais
moderno e que desde o fim da Difel estava afastado das livrarias. Falo de “Nove Histórias” de J. D. Salinger.
Com tanta
ficção, que tal um livrinho de não-ficção para desenjoar? A Antígona inicia o
ano com o ensaio de Condorcet “Reflexões sobre a Escravidão dos Negros” e “A Escravatura – Subsídios Para a Sua História” de Edmundo Correia Lopes. A ver
vamos, que outras novidades terá a Antígona preparadas para 2014.
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