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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A dependência dos livros – edição Agosto de 2015

Agosto já pertence ao passado, mas ainda estão bem presentes na minha memória as boas compras que fiz no mês que passou, graças sobretudo às excelentes promoções que já se tornaram um hábito no Verão.

A Wook é a esse nível sempre tentadora e voltou a não desiludir com “Para Onde Vão os Guarda-Chuvas”, o meu primeiro livro de Afonso Cruz, e “De Mim Já Nem Se Lembra” de Luiz Ruffato com 40% de desconto. E mais uma oportunidade para acrescentar um livro de Alice Munro à minha biblioteca, desta feita “Demasiada Felicidade”, que a Wook me acenava com 30% de desconto.

Também a Antígona fez das suas e entre vários livros em promoção aparecia o clássico ”Ondina” de La Motte-Fouqué a metade do preço. O que pode haver melhor do que isso? Só se a essa encomenda acrescentarmos outra de saldos da The Folio Society, e pouparmos cerca de 13 libras na compra de “Good Behaviour” de Molly Keane.

E só para não deixar dúvidas do sucesso das compras de Agosto, após uma busca desenfreada lá encontrei “Uma Aventura do Marquês de Bradomín” de Teresa Veiga, que se encontrava esgotado, à venda no site da livraria Sidarta a uns meros 7.5€. Pena foi pouco depois ter descoberto que a Tinta-da-China se preparava para reeditá-lo...

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A dependência dos livros – edição Julho de 2015


Momento charada: qual é coisa qual é ela que está a mais nesta foto? Quem apostou nas “Collected Stories” do Mark Twain apostou bem e não, não é por ser a única obra em língua estrangeira. Acontece que este conjunto de livros foi adquirido no início do ano, numa promoção pornográfica, e esquecido numa prateleira, sem me lembrar de o incluir nas compras do mês. Pois bem, reponhamos a verdade e caminhemos em frente.

Tenho de destacar em Julho a compra do último volume das "Obras Completas" do Borges, editadas pela Teorema, livro que como sabem me fez suar quando, após 4 anos de pacientes compras volume a volume na Feira do Livro, me preparava para terminar a minha saga e fui esmagado pela palavra ESGOTADO. Enfim, consideremo-nos abençoados por termos uma Bulhosa nas nossas vidas para nos ajudar em situações de emergência.

Abençoados também os passatempos na página de Facebook da Porto Editora que me valeram o “Levantado do Chão” de Saramago, ganho no dia seguinte ao meu aniversário (que coincide com o dia em que Saramago morreu), mas que ainda demorou uns dias a chegar até mim.

De resto, como resistir a uma boa promoção da Wook? Impossível, portanto mais vale fazerem como eu: resignarem-se e arranjarem um espacinho para mais livros na vossa estante. “A Liberdade de Pátio” de Mário de Carvalho e “Diário da Queda” de Michel Laub já conquistaram o seu lugar na minha biblioteca.

E só para pecar em pleno, numa marota visita à Bulhosa enquanto esperava que o volume final do Borges chegasse, eis que “Oscar e Lucinda” de Peter Carey me piscou o olho e quando dei por mim já estava com ele no colo a caminho de casa. Ah, tentações!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

A dependência dos livros - edição Janeiro de 2015


Como são belos os saldos, especialmente quando nos permitem comprar livros por tuta e meia. E assim foi este mês, em que escolhas pouco óbvias foram feitas, mantendo a tradição de conjugar diferentes fornecedores, entre os quais, claro, o Sr Teste, que me arranjou uma cópia de “A Mala” do Valério Romão, recentemente editado pela Guilhotina, e de “O Jardim” de Marguerite Duras, um daqueles livros que simplesmente já não se encontra nas livrarias.

Nos saldos da Bertrand não consegui resistir a “A Lebre de Vatanen” de Arto Paasilinna, publicado pela Relógio d’Água, autor e obra que desconhecia em absoluto mas, num raro momento de compra por impulso, deixei-me convencer pela sinopse. Outra promoção, mas desta feita na concorrência, na FNAC, levou-me a comprar um livro que já namorava há algum tempo: “Última Saída para Brooklyn” de Hubert Selby Jr, editado pela Antígona.

Mas foi da Wook que veio a maior encomenda, com “A Epopeiade Mr. Skullion” e “Uma Mancha na Paisagem” de Tom Sharpe (livros da Teorema cujo preço foi reduzido, custando agora 4.9€), “Raga” do Prémio Nobel J. M. G. Le Clézio e “Adeus, Até Amanhã” de William Maxwell, estes dois últimos editados pela Sextante e a pouco mais de 3€ cada um (entretanto o preço subiu um pouquinho).

O lugar no pódio deste mês tem de ir para o livro mais bonito da minha biblioteca: “The Remains of the Day” de Kazuo Ishiguro, da The Folio Society, que graças ao facto de ser membro pude comprar com um desconto de 10 libras.

Um mês de boas compras, sem dúvida!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A dependência dos livros - edição Dezembro de 2014


Como sabem sou um fervoroso adepto de cair reiteradamente em tentações literárias e o Natal é a altura do ano indicada para uns pecados mais substanciais. O meu lema é comprar muito por pouco, mas abro aqui a minha excepção para comprar livros cujo preço normalmente me faria seguir em frente.

A The Folio Society é paragem obrigatória quando se fala de livros que são um verdadeiro investimento. Sim, os livros são caros. É verdade, mas valem cada libra gasta! E este ano andava já há vários meses a cortejar o “The Wonderful Wizard of Oz” de L. Frank Baum, que cumpria todos os requisitos para ser uma fascinante leitura natalícia, e não havia como impedi-lo de ir parar à minha meia. E já que precisava de comprar outro livro para continuar a ser membro da Folio, aproveitei para encomendar também o “Under Milk Wood” do Dylan Thomas, poeta que me tem despertado ultimamente a curiosidade.

Mas nem só de livros da The Folio Society se fez o meu Natal e, na categoria “prendas para mim próprio” lugar também para o “Toda a Mafalda”, reeditado recentemente pela Verbo, de que já vos falei anteriormente. E não podia estar mais contente!


As compras de Dezembro ficaram completas com mais uma estonteante visita ao Sr Teste, que me conseguiu dois livros raros de Nelly Sachs e Bjoernstjerne Bjoernson, Prémios Nobel dos quais já não se encontra nada nas livrarias. Consegui finalmente deitar a mão a um exemplar de “A Ceia dos Cardeais” de Júlio Dantas que, após uma breve leitura, já deixou transparecer o porquê das duras críticas de Almada Negreiros. E só para tornar tudo ainda mais perfeito, trouxe comigo mais um livro da Marguerite Duras, “Emily L.”, ficando mais próximo do meu objectivo de ter todos os seus livros publicados em Portugal, e também “A Dama de Branco e Outros Contos” de Nathaniel Hawthorne, autor que me deixou bastante bem impressionado no início do ano com o famoso “A Letra Encarnada”.


E para já é tudo. Nas próximas semanas voltaremos à temática das prendas, mas desta feita dadas por terceiros.

domingo, 26 de outubro de 2014

A dependência dos livros - presentes de aniversário


Ao contrário do que o título vos pode levar a pensar, não acabei de fazer anos. Na verdade já passaram mais de quatro meses desde o meu aniversário. Mas então, porquê só agora um post sobre os presentes recebidos? Bom, não há nenhuma razão profundamente lógica. São os males da procrastinação.

Curiosamente, este foi o ano em que recebi mais livros de autores portugueses. Não poderiam faltar a Dulce Maria Cardoso e o Saramago neste lote, é claro, pública que é a minha adoração por ambos. Urbano Tavares Rodrigues e Rentes de Carvalho são dois autores que queria muito conhecer e foi-me feita a vontade.

Mas nem só de literatura nacional se alimenta uma alma, sendo também necessários autores internacionais. E se forem premiado, melhor, como é o caso de “Vida Roubada” de Adam Johnson, que recebeu o Pulitzer no ano passado, e de “As I Lay Dying” do Pémio Nobel William Faulkner (uma belíssima edição da Folio!). E também na categoria internacional, uma autora que há muito andava à procura de um lugar na minha prateleira – Flannery O’Connor.

Para terminar, num tom menos literário e mais musical, que me dizem a uma “Mozipedia”, ou seja, um enciclopédia sobre Morrissey e os The Smiths? A mim parece-me perfeito.

Deixo-vos com a lista completa:

As I Lay Dying” de William Faulkner, The Folio Society
Lôa Perdida no Paraíso” de Dulce Maria Cardoso, Tinta-da-China
Manual de Pintura e Caligrafia” de José Saramago, Porto Editora
Mozipedia” de Simon Goddard, Plume Books
Nenhuma Vida” de Urbano Tavares Rodrigues, Dom Quixote
O Chão dos Pardais” de Dulce Maria Cardoso, Tinta-da-China
O Rebate” de J. Rentes de Carvalho, Quetzal
Um Bom Homem É Difícil de Encontrar” de Flannery O’Connor, Cavalo de Ferro
Vida Roubada” de Adam Johnson, Saída de Emergência

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A dependência dos livros - edição Abril de 2014


Foi um mês de grandes compras, quase todas elas com excelentes promoções. Algumas destas aquisições deixaram-me particularmente feliz, nomeadamente o “Facas” do Valério Romão, o único livro que me faltava deste autor, e “O Remorso de Baltazar Serapião” do Valter Hugo Mãe (sim, as maiúsculas foram intencionais), o primeiro deste autor a entrar na minha biblioteca.

Com a compra de “Molloy”, tenho neste momento todos os livros da célebre trilogia de Samuel Beckett, que começará a ser lida num futuro próximo. Ah, e claro que não me posso esquecer da “Biografia Involuntária dos Amantes” do João Tordo. Estive no lançamento do livro, na Fundação José Saramago e, roam-se de inveja, tenho-o autografado!

O mês fechou com chave de ouro com a ida a um alfarrabista (de onde saí com “Eugénia Grandet” do Balzac), com saldos na The Folio Society (que em conjunto com um vale me valeram uma deslumbrante edição do “Oliver Twist” do Dickens por tuta-e-meia) e uma vitória num passatempo do blogue O Planeta Livro (obrigado pelo “Os Transparentes” do Ondjaki!).

Deixo-vos com a lista completa das compras do mês:

A Rainha Inglesa de Portugal: Filipa de Lencastre”, Manuela Santos Silva, Círculo de Leitores
Biografia Involuntária dos Amantes”, João Tordo, Alfaguara
Eugénia Grandet” Balzac, Ediclube
Facas”, Valério Romão, Companhia das Ilhas
Molloy”, Samuel Beckett, Relógio D'Água
O Barril Mágico”, Bernard Malamud, Cavalo de Ferro
O Remorso de Baltazar Serapião”, Valter Hugo Mãe, Alfaguara
Oliver Twist”, Charles Dickens, Folio
Os Transparentes”, Ondjaki, Círculo de Leitores
“Rainhas de Portugal e Espanha: Margarida de Áustria, Isabel de Bourbon”, Pilar Pérez Canto, Esperanza Mó Romero, Laura Oliván Santaliestra, Círculo de Leitores

domingo, 26 de janeiro de 2014

A dependência dos livros: edição Janeiro de 2014


Janeiro é mês de saldos e os livros não escapam à tradição. Foi portanto altura para fazer compras estratégicas, avaliando os níveis de desconto em cada obra e identificando aquelas que compensava mais serem agora compradas. Rendi-me aos preços mínimos da Fnac, como habitualmente, e comprei 3 livros que normalmente me custariam cerca de 75€, mas pelos quais paguei 35€ (para além preço de saldo dos livros, tinha também um desconto de 7€ suplementar, que veio mesmo a calhar). Não contente em comprar de 2 livros que são absolutos clássicos, depois de alguma análise decidi-me também por “Palavras/Paroles” de Jacques Prévert, editado pela Sextante, por ser um dos 100 livros do século XX, de acordo com o Le Monde, ao que acresce o facto de ser um livro por norma caro e eu estar empenhado numa aproximação à poesia.

Ainda completamente embevecido pelas minhas compras de Natal na The Folio Society, não pude ignorar os saldos de Ano Novo e encomendei o “Heavy Weather” de P. G. Wodehouse, escritor que em tempos teve livros traduzidos em Portugal, editados pela Cotovia, mas que entretanto desapareceu por completo dos catálogos das editoras. Para além do livro estar a apenas 14 libras, encontrava-se também em fim de edição, sendo a minha cópia uma das últimas 200. Lamento mas esta edição já não a vão poder comprar!

Deixo-vos com a minha lista de aquisições do mês:

 “O Castelo” de Franz Kafka, Relógio D’Água
Doutor Jivago” de Boris Pastermak, Sextante
“Heavy Weather” de P. G. Wodehouse, The Folio Society

Palavras/Paroles” de Jacques Prévert, Sextante

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Em estado crítico: "Peter Pan and Wendy" de J. M. Barrie


“Adventures, of course, as we shall see, were of daily occurrence; but about this time Peter invented, with Wendy’s help, a new game that fascinated him enormously, until he suddenly had no more interest in it, which, as you have been told, was what always happened with his games. It consisted in pretending not to have adventures, in doing the sort of thing John and Michael had been doing all their lives: sitting on stools, flinging balls in the air, pushing each other, going out for walks and coming back without having killed so much as a grizzly. To see Peter doing nothing on a stool was a great sight; he could not help looking solemn at such times, to sit still seemed to him such a comic thing to do.”


Piratas manetas, crocodilos esfomeados, fadas ciumentas e irascíveis e crianças perdidas que vivem longe de adultos não são o que primeiro nos vem à cabeça quando pensamos em histórias infantis. Talvez por ser tão fora da norma, “Peter Pan and Wendy” de J. M. Barrie tornou-se num dos clássicos mais incontornáveis da literatura, relatando uma aventura passada numa terra a que se chega voando, virando na segunda estrela à direita e continuando em frente até de manhã.

Os heróis querem-se corajosos, humildes e bondosos. Será inegável que Peter Pan tem um bom coração e coragem de sobra, mas não há nele sinal de humildade. Incorporando a ideia de infância, Peter é irrequieto, arrogante e egoísta, características que, sendo os seus principais defeitos, são também o que lhe confere o seu atractivo e seduz todas as crianças com quem se cruza. Peter tem a liberdade que as crianças desejam ter para fazer tudo o que quer, e empenha-se muito em afirmar a sua não necessidade de ter uma mãe. Mas a verdade é que continua a voar recorrentemente para longe da Terra do Nunca, em busca de uma mãe que perdeu no passado. É numa dessas viagens que encontra Wendy e os seus irmãos que decidem acompanhá-lo nas suas aventuras.

A história de Peter Pan é, acima de tudo, uma história de perda. Wendy, a única mulher do grupo, representa para os meninos perdidos um símbolo de união e família e todos a tratam como sua mãe, papel que Wendy abraça sem hesitação. E com o passar do tempo, à medida que o esquecimento vai tomando conta de todos, já quase sem qualquer recordação da vida anterior à Terra do Nunca, é nas histórias de Wendy sobre a sua família, de que ela própria se começa a esquecer, que todos vão reencontrando o desejo de terem pais. Por muito mágica que a Terra do Nunca seja, com a sua capacidade de perpetuar a infância, a verdade é que as crianças facilmente trocariam as suas liberdades e aventuras pela vida normal que tinham .

Falar de Peter Pan é sinónimo de falar da Sininho e do Capitão Gancho, duas das personagens mais carismáticas da literatura infantil. Sininho é uma fada quase microscópica, que é tudo aquilo que esperávamos que uma fada não fosse. Muito focada em si própria e no seu amor não correspondido por Peter Pan, Sininho é quase uma mosca irritante e cruel que zune em torno deles. E para líder dos piratas, o Capitão Gancho apresenta também características inusitadas: bem-falante, elegante e asseado. Não fosse o gancho a substituir o braço comido pelo crocodilo e não haveria nesta figura qualquer sinal de perigo. Até o principal ajudante do Capitão Gancho é descrito como uma figura que todos consideram carinhosa.

O inesperado assume-se assim como uma das principais armas de J. M. Barrie que, pelas características das personagens, mas também pela forma como escreve, confundindo o realismo e o fantasioso com toda a naturalidade, torna surpreendente a leitura da história de Peter e Wendy. E no final há a melancolia, a última das perdas: a da infância. Wendy crescerá. Peter, sujeito às regras da Terra do Nunca, permanecerá para sempre criança. E os seus caminhos, que pareciam ligados pelos mais fortes dos laços, acabarão por se separar. Peter tornar-se-á em pouco mais que uma recordação distante. Quem sabe se até isso deixará de ser um dia? Aconteça o que acontecer, o tempo irá passar, e com ele se destruirá o fabuloso mundo da infância. E Peter Pan ficará apenas como uma lenda. Sozinho. Algures na Terra do Nunca ou na janela de novas crianças que anseiem por sonhar.


Esta edição da The Folio Society complementa a inesquecível história escrita por J. M. Barrie com ilustrações de uma simplicidade e beleza emocionante. Um livro para guardar e passar de geração em geração, como se deve fazer aos tesouros.

Classificação: 18/20

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os 5 melhores livros que li em 2013

O facto marca sem sombra de dúvida a minha relação com a literatura em 2013: a descoberta do género conto. Já tinha lido livros de contos anteriormente, e tinha ganho um maior interesse pelo género com “A Vista de Castle Rock” de Alice Munro, mas foi com a Granta que a viragem definitiva se deu e, apesar das reticências inicias, estou conquistado e adivinham-se bastantes leituras nesse campo para 2014. Mas de 2014 falaremos nos próximos dias. Para já deixo-vos com a lista dos melhores livros que li no ano que passou.

Como já devem ter percebido, as minhas leituras não são ditadas pelo que vai sendo editado. Há demasiados livros bons para serem lidos para a pessoa se focar só no que é novo. Ser-me-ía  por isso impossível fazer um top de livros editados em 2013. Mas como a literatura é das formas de arte que melhor resistem à passagem do tempo, entre os melhores livros que li há desde obras-primas do século XIX, até livros editados em 2013. Para mim, 2013 foi isto.


5. “Fiapos de Tempo” de Ana Maria Vilhena, Vírgula



 Através de “Fiapos de Tempo”, a meio termo entre a biografia e o romance, revisitamos as memórias dos nossos avós e dos seus antepassados, reconhecendo-os nas personagens e comportamentos tão tipicamente alentejanos que nos surgem em cada página. De uma escrita natural, que na sua aparente simplicidade esconde a mestria de quem fez da língua portuguesa a sua vida, a leitura de “Fiapos de Tempo” faz-se com o mesmo prazer com que lemos os clássicos da nossa literatura. Ler o texto completo.


4. “O Moinho à Beira do Floss” de George Eliot, Relógio D’Água




Em “O Moinho à Beira do Floss” Eliot recria um bucólico mundo campestre, habitado por personagens imperfeitas que tentam viver num mundo cheio de expectativas. Entre estas personagens, constrangidas pelo socialmente aceite, surge a figura da impulsiva e arrebatada Maggie Tulliver, que aos olhos da nossa época é uma simples rapariga romântica, mas que, no pacato mundo banhado pelo rio Floss, é uma rebelde que ousa juntar aos quatro verbos que lhe foram destinados (nascer, casar, parir, morrer) um quinto: amar. Ler o texto completo.


3. “Fugas” de Alice Munro, Relógio D’Água



A vida tem uma forma incontrolável de nos afastar do nosso potencial. Uma força violenta e indestrutível que nos arrasta para caminhos que não são aqueles que queremos percorrer, sem que nada possamos fazer para o evitar. Alice Munro percebe isso melhor que ninguém, a crueldade de vermos desde cedo os nossos planos comprometidos, porque por muito que corramos, nada mais encontraremos do que aquilo que nos está reservado. E essa é uma moral que percorre os oito contos que compõem este livro. Ler o texto completo.


2. “Peter Pan and Wendy” de J. M. Barrie, The Folio Society


 

O último livro que li em 2013 transportou-me para o fabuloso mundo de Sininho, Capitão Gancho e os Rapazes Perdidos, um mundo em que a infância nunca termina, em que há sempre aventuras a serem vividas. Mas por maiores que pareçam os perigos da Terra do Nunca, o maior ameaça está longe dela: crescer e esquecer-se de quando se era uma criança. Publicarei nos próximos dias uma análise completa a este livro.


1. “A Sibila” de Agustina Bessa-Luís, Guimarães Editores



Da rudeza nobre da terra brotam os génios difíceis de gente forte. Quina e Estina, duas faces duma mesma alma, ambas duras, uma clarividente, a outra propícia a sofrimentos calados. Cedo conheceram as vias árduas do destino, sempre marcadas pela efemeridade, pela necessidade de não se apegarem àquilo que não podem conservar junto a si. Perderam um irmão, testemunharam as dores de sua mãe, traída por um homem galanteador, o pai das duas, que também cedo partiria. A própria Quina tem a sua vida em risco na juventude. Mas é Estina quem sofre as mais duras perdas, talvez por ser a mais fraca, a que mais deseja acreditar na possibilidade do amor. Primeiro é abandonada pelo homem que ama. Depois vê morrer, um após outro, todos os seus filhos. E é no seu estóico sofrimento que Estina vence Quina. Estina conhece o amor, Quina nunca o conseguirá. Ler o texto completo.

domingo, 29 de dezembro de 2013

A dependência dos livros: presentes de Natal

Natal é dar e receber. Já vos falei de dar, agora é a vez do receber. E no meu caso, receber é muitas vezes sinónimo de livros. Este ano a colheita natalícia foi excelente, com três livros que queria muito ler: “Os Escritores (Também) Têm Coisas a Dizer” do Carlos Vaz Marques, que reúne doze entrevistas publicadas na revista Ler; “A Filha do Coveiro” da Joyce Carol Oates, uma autora que tinha há muito um lugar por preencher na minha estante; e “O da Joana” do Valério Romão, que me conquistou em absoluto com o seu conto na Granta. Junto com o livro do Valério Romão veio um marcador do artista Ryan Sheffield, de que vos falei anteriormente, que faz retratos de autores famosos, acompanhados sempre de uma citação.


Mas, para além dos livros que me ofereceram, há também os que ofereci a mim próprio. Este ano decidi que o meu presente seria tornar-me membro da The Folio Society, pelo que me sujeitei ao grande sacrifício de comprar quatro livros: “Rogue Male” de Geoffrey Household, “Ballet Shoes” de Noel Streatfeild, “The Postman Always Rings Twice” de James M. Cain e “Peter Pan and Wendy” de J. M. Barrie (o livro que escolhi ler pelo Natal e de que vos falarei em breve). Não fossem os livros já profundamente bonitos, a The Folio Society gosta ainda de surpreender os seu leitores e veio com a minha encomenda, de oferta, o livro “Landscape into Art” de Kenneth Clark, um prestigiado historiador de arte que analisa nesta obra, a transbordar de reproduções a cores de obras-primas da pintura, a evolução da representação de paisagens.



 Diga-se de passagem que não trocava os meus presentes por nenhum dos gadgets disponíveis no mercado!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Paraíso dos livros: The Folio Society




As paredes do paraíso estão forradas com os livros da The Folio Society. E enquanto anjos rechonchudos, de cachos louros, cantam hinos de salvação e deleite, nós, almas privilegiadas, ficamos deitados nas nuvens, apenas com uma túnica de influência grega a tapar as vergonhas e pouco mais, a ler os livros, em êxtase, contemplando as inigualáveis ilustrações. E assim morrer valerá a pena!

Os livros da The Folio Society são o paradigma do livro perfeito. Um catálogo diversificado, criteriosamente seleccionado por um painel de especialistas, em que cada livro é encarado como uma obra-prima, não poupando cuidados com a fixação dos textos, com a escolha dos materiais, dos ilustradores, dos tipos de letras. Tudo é feito para que cada livro seja uma experiência artística. 

E basta visitar o site da The Folio Society para comprovar os resultados de tal filosofia. Uma edição luxuosa atrás de outra e uma ansiedade e desejo de compra que vai crescendo, crescendo, até que encomendar um livro a mais de 100 libras de um autor que não conhecemos se torna em algo profundamente plausível.

Para além das edições normais, que já são luxuosas, há ainda as edições limitadas. Limitadas porque o número de exemplares é reduzido e porque quase ninguém dá tanto dinheiro por livros. Quanto acham que custa este livrinho aqui em baixo, o “Gulliver’s Travels” do Jonathan Swift? Uma pista: mais de um ordenado mínimo nacional (é dose!). 
Por momentos as edições das obras completas do Camilo Castelo Branco da Lello Editores, a mais de 50€ o volume, parecem algo em conta... Uma coisa é certa: neste Natal vou oferecer-me livros da The Folio Society. Estou actualmente a realizar castings.