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domingo, 14 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 14 de Junho


E a Feira do Livro de Lisboa de 2015 chega hoje ao fim. Depois de dias consecutivos a subir e a descer o Parque Eduardo VII voltamos ao calendário, onde contaremos os dias até voltarmos a ser felizes de novo. Mas antes da despedida, ainda podem passar pela Feira e fazer uma última compra, em jeito de adeus. Fiquem portanto com alguns dos Livros do Dia de hoje:

Relógio D’Água
“Anna Karénina” de Lev Tolstói - 16€
“As Aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain - 8€
“Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa - 18€

Grupo Porto Editora
“Ara” de Ana Luísa Amaral - 6,65€ (banca da Sextante)
“K4 - o quadrado Azul” de José de Almada Negreiros - 7€ (banca da Assírio & Alvim)

Cotovia
“Gatos e Mais Gatos” de Doris Lessing - 12,5€

Cavalo de Ferro
“Nada” de Carmen Laforet - 8,5€

Grupo Leya

“O Vale da Paixão” de Lídia Jorge - 9,5€ (banca da Dom Quixote)

sábado, 13 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 13 de Junho


Durante a Feira do Livro, assinalando a comemoração dos 50 anos da Dom Quixote, uma selecção de 50 títulos da editora estará disponível com 50% de desconto. Entre os livros disponíveis encontram-se:

“Contos” de Miguel Torga
“Correcções” de Jonathan Franzen
“Gente Feliz com Lágrimas” de João de Melo
“Goodbye, Columbus” de Philip Roth
“O Homem Lento” de J. M. Coetzee
“Obras Completas I” de Urbano Tavares Rodrigues
“Os Buddenbrook” de Thomas Mann
“Rabos de Lagartixa” de Juan Marsé
”Sartoris” de William Faulkner
“Se Não Agora, Quando?” de Primo Levi
“Siddhartha” de Hermann Hesse
“Tieta do Agreste” de Jorge Amado

Aproveitem estes últimos dias da Feira do Livro para tirarem partido dessa promoção e, se passarem por lá hoje, não se esqueçam dos Livros do Dia em destaque:

Grupo Porto Editora
“A Liberdade de Pátio” de Mário de Carvalho - 6,65€ (banca da Porto Editora)

Relógio D’Água
“Crime e Castigo” de Fiódor Dostoievski - 12€
“Orgulho e Preconceito” de Jane Austen - 10€

Tinta-da-China
“Os Maias” de Eça de Queirós - 12€

Alfaguara
“O Mapa e o Território” de Michel Houellebecp - 11,94€

Cavalo de Ferro
“Obra Reunida” de Juan Rulfo - 9,5€

Babel
“Sinais de Fogo” de Jorge de Sena - 17,57€

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 12 de Junho


Prevenindo o estado de loucura em que iríamos ficar, a Cavalo de Ferro não adere à Hora H. Para nos compensar tem os livros todos com pequenos descontos, que representam geralmente entre menos 1.5€ e 3€ face ao preço normal, o que para a Feira do Livro é um pouco conservador... Mas nos Livros do Dia torna-se tudo mais interessante e os descontos chegam em regra aos 40%. Tendo em conta que a Cavalo de Ferro tem um dos melhores catálogos nacionais, esse desconto sabe-nos a ambrosia e até ao final a Feira ainda haverá 2 obras essenciais que estarão a preços irresistíveis: a “Obra Reunida” do Rulfo no Sábado e o “Nada” de Carmen Laforet no Domingo. Como resistir?

E por falar em Livros do Dia, quem passar hoje pela Feira do Livro poderá encontrar com desconto significativo:

Antígona
“Walden” de Henry David Thoreau - 9,25€

Grupo Porto Editora
“São Paulo” de Teixeira de Pascoaes - 11,25€ (banca da Assírio & Alvim)
“A Desumanização” de Valter Hugo Mãe - 8,3€ (banca da Porto Editora)

Babel
“Peito Grande – Ancas Largas” de Mo Yan - 14,97€

Relógio D’Água
“Debaixo do Vulcão” de Malcolm Lowry - 12€

Grupo Leya
“Claraboia” de José Saramago - 9,1€ (banca da Caminho)
“A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera - 11,3€ (banca da Dom Quixote)

Cotovia
“Assassínio na Catedral” de T.S. Eliot - 6€

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 10 de Junho


Quem aproveitar o feriado para ir até à Feira do Livro poderá, ao final da tarde, satisfazer a curiosidade de ver ao vivo quem bem conhece da televisão. “A Década dos Psicopatas” de Daniel Oliveira (o comentador), recentemente lançado pela Tinta-da-China, será apresentado às 19h por Ricardo Araújo Pereira.

Pelo caminho aproveitem e manifestem o vosso nacionalismo (se o tiverem!) apoiando as editoras nacionais. Ora reparem em alguns dos títulos que são hoje Livro do Dia:

Babel
“A Sibila” de Agustia Bessa-Luís - 11,81€

Relógio D’Água
“As Aventuras de Huckleberry Finn” de Mark Twain - 8€
“Fausto” de Goethe - 16€
“Lolita” de Vladimir Nabokov - 10€
“Os Irmãos Karamázov” de Fiódor Dostoievski - 21€

Alfaguara
“Jesus Cristo Bebia Cerveja” de Afonso Cruz - 9,54€

Grupo Leya
“O Ano Sabático” de João Tordo - 7,6€ (banca da Dom Quixote)

Grupo Porto Editora
“Os Papéis de K.” de Manuel António Pina - 5€ (banca da Assírio & Alvim)

Cavalo de Ferro
“Papéis inesperados” de Julio Cortázar - 8€

Tinta-da-China
“Viagem à Volta do Meu Quarto” de Xavier de Maistre - 13€

domingo, 7 de junho de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 7 de Junho


A Feira do Livro é o local ideal para obter o autógrafo dos escritores que mais estimamos e através do espaço “Agenda”, no site da Feira, é muito fácil estar a par de que estará na Feira nos mesmo dia que nós.

Os fins-de-semana são sem sombra de dúvida as alturas mais propícias para encontros entre leitores e escritores. Hoje, por exemplo, quem passar pelo Parque Eduardo VII poderá encontrar por lá João Tordo, Teolinda Gersão, Gonçalo M. Tavares, Rentes de Carvalho ou Agualusa. Informem-se com antecedência e vão munidos com os vossos livros favoritos!

Mas porque ir à Feira sem comprar livros é uma heresia, passemos os olhos pelos Livros do Dia em destaque:

Grupo Porto Editora
“Todas as Palavras” de Manuel António Pina - 10€ (banca da Assírio & Alvim)
“O Silêncio” de Teolinda Gersão - 5,55€ (banca da Sextante)
“O Medo” de Al Berto - 20€ (banca da Assírio & Alvim)
“Metamorfose” de Franz Kafka - 4,95€ (banca da Livros do Brasil)

Cavalo de Ferro
“A Volta ao Dia em 80 Mundos” de Julio Cortázar - 9,5€

Relógio D’Água
“Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada” de Pablo Neruda 7€
“O Grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald - 6€
“Errata” de George Steiner - 8€

Grupo Leya
“Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Márquez - 10,7€ (banca da Dom Quixote)
“A Bagagem do Viajante” de José Saramago - 8,9€ (banca da Caminho)

Alfaguara
“Para Onde Vão os Guarda-Chuvas” de Afonso Cruz - 11,7€

Tinta-da-China
“Vai, Brasil” de Alexandra Lucas Coelho - 10,8€

domingo, 31 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 31 de Maio


Antes da primeira Hora H deste ano, que vai acontecer amanhã, deixo-vos uma dica. Quando forem aos stands do grupo Porto Editora vão reparar que há vários livros com etiquetas amarelas e laranjas. As etiquetas laranja correspondem a livros que têm 50% de desconto na Hora H e as amarelas a, aguentem a emoção, 70% de desconto. Portanto, antes de começarem a agarrar em livros indiscriminadamente vejam se não é mais vantajoso comprá-los na Hora H. Foi assim que no ano passado consegui comprar o “Possessão” de A. S. Byatt por menos de 9€, um livro que custa cerca de 30€.

Entre os Livros do Dia de hoje destaque para:

Grupo Porto Editora
“2666” de Roberto Bolaño -  9,95€ (banca da Quetzal)
“A Desumanização” de valter hugo mãe - 8,3€ (banca da Porto Editora)
“A Leste do Paraíso” de John Steinbeck - 9,95€ (banca da Livros do Brasil)
“Myra” de Maria Velho da Costa - 8€ (banca da Assírio & Alvim)
“Pena Capital” de Mário Cesariny - 7,5€ (banca da Assírio & Alvim)
“Poesias Completas” de Alexandre O' Neill - 16,5€ (banca da Assírio & Alvim)

Relógio D’Água
“As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e do Outro Lado do Espelho” de Lewis Carroll - 8€
“Crime e Castigo” de Fiódor Dostoievski - 12€
“Folhas de Erva” de Walt Whitman - 16€
“Pela Estrada Fora” de Jack Kerouac - 12€

Cotovia
“Teatro 4” de Bertolt Brecht - 12,5€

Alfaguara
“Para onde vão os guarda-chuvas” de Afonso Cruz - 11,7€

Grupo Leya
“A Confissão da Leoa” de Mia Couto - 9,5€ (banca da Caminho)
“O Teu Rosto Será o Último” de João Ricardo Pedro - 7,1€

Cavalo de Ferro
“Gente Independente” de Halldór Laxness – 12,5€

Tinta-da-China
“Eu Sou Uma Antologia” de Fernando Pessoa - 15€

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Diário da Feira do Livro 2015: 29 de Maio


Hoje é o meu primeiro dia de Feira e só de imaginar aquelas bancas recheadas de livros a bons preços sinto logo um sorriso a rasgar-me a cara. Paragens obrigatórias no stand das promoções da Relógio D’Água, cujos caixotes são há alguns anos o ponto alto da Feira do Livro e uma fonte inesgotável de alegria, e no stand da Antígona, que este ano aumentou a sua presença para apresentar uma área com grandes oportunidades. Veremos!

E entre os Livros do Dia de hoje destaque para:

Grupo Porto Editora
“A Ilha Debaixo do Mar” de Isabel Allende - 9,4€ (banca da Porto Editora)
“Bufo & Spallanzani” de Rubem Fonseca - 8,3€ (banca da Sextante)
“Lunário” de Al Berto - 5,75€ (banca da Assírio & Alvim)
“O Cânone Ocidental” de Harold Bloom - 9,95€ (banca da Temas e Debates)

Relógio D’Água
“A Poesia do Pensamento” de George Steiner - 12€
“Do Lado de Swann” de Marcel Proust - 13€
“Fausto” de Johann W. Goethe - 16€
“O Feiticeiro de Oz” de L. Frank Baum - 9€

Alfaguara
“Os Enamoramentos” de Javier Marías - 11,94€

Antígona
“1984” de George Orwell - 8€

Cavalo de Ferro
“O Barril Mágico” de Bernard Malamud - 8,5€

Tinta-da-China
“O Bom Soldado Svejk” de Jaroslav Hasek - 19,2€
“Obra Completa” de Álvaro de Campos - 15€

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cheiro a livro novo – Abril de 2015



Em Abril houve motivos para sorrir. As editoras arregaçaram as mangas, fizeram frente à inconstância climática e trouxeram-nos boas novidades e reedições.

Comecemos pelos grandes clássicos. A propósito da comemoração dos 50 anos da editora Dom Quixote, eis que chegou às livrarias uma nova edição de “Dom Quixote de La Mancha” de Cervantes. E já vos ouço a dizer: “Outra edição do livro?! Não temos já a maravilhosa edição de capa dura da Relógio D’Água?! Porque nos deveria interessar esta edição?!” A resposta está no preço – apenas 10€. E em muitos sites (na Leya Online e na Wook, por exemplo) ainda tem 10% de desconto, ficando portanto por apenas 9€.

Mas há mais clássicos a marcar o mês. “Sensibilidade e Bom Senso” de Jane Austen mereceu uma nova edição da Relógio D’Água e a Tinta-da-China fez regressar ao convívio dos leitores portugueses “Viagem à Volta do Meu Quarto” de Xavier de Maistre, mais um volume da colecção de Literatura de Viagens coordenada por Carlos Vaz Marques.

Movendo-nos um pouco no tempo chegamos às grandes obras do século XX e a Cavalo de Ferro marcou pontos com a publicação de “Bestiário”, uma das obras centrais de Julio Cortázar. Mas a nova Livros do Brasil não lhe ficou atrás e de uma assentada lançou novas edições de “Piloto de Guerra” de Antoine Saint-Exupéry e de “O Velho e o Mar” e “A Taça de Ouro”, respectivamente dos Prémios Nobel Hemingway e Steinbeck.

E por falar em Prémio Nobel, chegou também em Abril às livrarias, pela mão da Porto Editora, o mais recente livro de Patrick Modiano, intitulado “Para que não te percas no bairro”. Destaque ainda para o primeiro romance de grande fôlego em vários anos de Kazuo Ishiguro, publicado pela Gradiva com o título “O Gigante Enterrado”.

Em termos de literatura portuguesa, não há muito para dizer, apenas que a Companhia das Letras publicou o novo romance de João Tordo, “O Luto de Elias Gro”.

Na não-ficção, para terminar, dois Prémios Nobel: “A Conquista da Felicidade” de Bertrand Russell, publicado pela Relógio D’Água, e “Eu Não Venho Fazer um Discurso” de Gabriel García Márquez, pela Dom Quixote.

Maio é o mês do começo da Feira do Livro de Lisboa, portanto é tradicionalmente um mês de muitas novidades. Mal podemos esperar!

quinta-feira, 5 de março de 2015

Cheiro a livro novo - Fevereiro de 2015


Fevereiro é o mês do amor e o Cupido deve ter feito das suas e entretido os editores nacionais, sobrando-lhes pouco tempo para nos trazerem novos livros. Mas, não sendo uma amostra extensa é certamente interessante.

A Cavalo de Ferro focou-se em autores premiados e, de uma assentada, publicou “O Livro de Jón” de Ófeigur Sigurðsson, vencedor do Prémio da União Europeia para a Literatura, e “Thérèse Desqueyroux” uma das obras-primas da literatura do séc. XX e o livro mais proeminente do Prémio Nobel François Mauriac. Também a Sextante se manteve no mundo dos prémios, mais concretamente do Goncourt, editando o romance que recebeu o maior galardão da literatura francesa em 1956: “As Raízes do Céu” de Romain Gary.

Mas o principal lançamento do mês é uma surpresa, vindo inesperadamente de uma editora do Grupo Leya, cujo estado moribundo é já difícil de esconder. A Caminho traz-nos então a trilogia de Alves Redol que se desenrola na região vinícola do Alto Douro - o “Ciclo Port Wine” – e que é composta pelos romances “Horizonte Cerrado”, “Os Homens e as Sombras” e “Vindima de Sangue”.
Mantendo-nos na literatura em língua portuguesa, “O Irmão Alemão” de Chico Buarque foi a obra escolhida para apresentar a Companhia das Letras ao mercado nacional, esperando-se para breve mais novidades editoriais.

E terminamos como de costume com a não-ficção, curiosamente com 2 livros de focados em escritores portugueses. A abysmo traz-nos “Regressar a Casa com Manuel António Pina” de Inês Fonseca Santos, que inclui uma entrevista ao autor, um ensaio sobre a sua poesia e ainda um documentário em curta-metragem dedicado ao tema da casa. Já a Tinta-da-China mantém-se fiel a Fernando Pessoa e editou “Sobre o Fascismo, a Ditadura Militar e Salazar”, que reúne todos os escritos do autor sobre o Estado Novo, contando com a edição de João Barreto.

domingo, 26 de outubro de 2014

A dependência dos livros - presentes de aniversário


Ao contrário do que o título vos pode levar a pensar, não acabei de fazer anos. Na verdade já passaram mais de quatro meses desde o meu aniversário. Mas então, porquê só agora um post sobre os presentes recebidos? Bom, não há nenhuma razão profundamente lógica. São os males da procrastinação.

Curiosamente, este foi o ano em que recebi mais livros de autores portugueses. Não poderiam faltar a Dulce Maria Cardoso e o Saramago neste lote, é claro, pública que é a minha adoração por ambos. Urbano Tavares Rodrigues e Rentes de Carvalho são dois autores que queria muito conhecer e foi-me feita a vontade.

Mas nem só de literatura nacional se alimenta uma alma, sendo também necessários autores internacionais. E se forem premiado, melhor, como é o caso de “Vida Roubada” de Adam Johnson, que recebeu o Pulitzer no ano passado, e de “As I Lay Dying” do Pémio Nobel William Faulkner (uma belíssima edição da Folio!). E também na categoria internacional, uma autora que há muito andava à procura de um lugar na minha prateleira – Flannery O’Connor.

Para terminar, num tom menos literário e mais musical, que me dizem a uma “Mozipedia”, ou seja, um enciclopédia sobre Morrissey e os The Smiths? A mim parece-me perfeito.

Deixo-vos com a lista completa:

As I Lay Dying” de William Faulkner, The Folio Society
Lôa Perdida no Paraíso” de Dulce Maria Cardoso, Tinta-da-China
Manual de Pintura e Caligrafia” de José Saramago, Porto Editora
Mozipedia” de Simon Goddard, Plume Books
Nenhuma Vida” de Urbano Tavares Rodrigues, Dom Quixote
O Chão dos Pardais” de Dulce Maria Cardoso, Tinta-da-China
O Rebate” de J. Rentes de Carvalho, Quetzal
Um Bom Homem É Difícil de Encontrar” de Flannery O’Connor, Cavalo de Ferro
Vida Roubada” de Adam Johnson, Saída de Emergência

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cheiro a livro novo - a rentrée literária de 2014



Setembro é um dos pontos altos do ano para os viciados em livros, esperando avidamente pelas novidades anunciadas pelas editoras para os últimos meses do ano, já de olhos postos no Natal. E este ano temos motivos de regozijo, com a Quetzal, a Tinta-da-China, a Cavalo de Ferro e a Relógio D’Água a dominarem a lista com as novidades mais apetecíveis.

Uma boa notícia é o regresso à publicação do grupo Babel que estava algo dormente nos últimos meses. Veremos o que nos reservam para os próximos tempos mas, para já, para além de algumas novidades, vai ser reeditado “A Síbila”, tanto a versão da Colecção Opera Omnia, como uma versão mais barata, comemorando assim os 60 anos da 1ª edição deste mítico livro.

No início de Outubro, com o anúncio do Prémio Nobel da Literatura, é de esperar que haja novidades (esperemos que sim!). Será que alguma editora terá a sorte de ver um dos seus autores a ser premiado e as vendas a subirem em flecha? Haverá uma corrida à publicação se for um autor por estrear no nosso mercado? Quem viver verá.

Deixo-vos então com uma lista daqueles que me parecem ser os lançamentos mais significativos dos próximos meses.


Porto Editora

"Alabardas, Alabardas" de José Saramago (Prémio Nobel da Literatura em 1998)
"Uma Menina Está Perdida no seu Século à Procura do Pai" de Gonçalo M. Tavares
"O Paraíso São os Outros" de Valter Hugo Mãe

Assírio & Alvim

"Poesia Presente" de António Ramos Rosa

Sextante

"Terra Amarga" de Joyce Carol Oates
"Mudwoman" de Joyce Carol Oates

Quetzal

“Montedor”  de J. Rentes de Carvalho
“Herzog” de Saul Bellow (Prémio Nobel da Literatura em 1976)
“O Rei Pálido” de David Foster Wallace

Bertrand

“Os Luminares” de Eleanor Catton (vencedor do The Man Booker Prize 2013)

Tinta-da-China

«Obra completa de Álvaro de Campos» de Fernando Pessoa
“Os Meus Sentimentos” de Dulce Maria Cardoso
“Oblomov”, de Ivan Goncharov
2º volume de entrevistas da Paris Review (entre os entrevistados T. S. Eliot, Harold Pinter, Ezra Pound, Marguerite Yourcenar, Vladimir Nabokov e Philip Roth)

Dom Quixote

“O Organista” de Lídia Jorge

Babel

“Os Incuráveis” de Agustina Bessa-Luís

Cavalo de Ferro

“A Selva” de Ferreira de Castro
“Final do Jogo” de Julio Cortázar
“Primeiro os Idiotas” de Bernard Malamud
“Thérèse Desqueyroux” de François Mauriac (Prémio Nobel da Literatura em 1952)

Presença

“O Pintassilgo” de Donna Tartt (vencedor do Pulitzer Prize for Fiction 2014)

Sextante

“Amálgama” de Rubem Fonseca

Relógio D’Água

“O Planeta do Sr. Sammler” de Saul Bellow (Prémio Nobel da Literatura em 1976)
“Diário” de Franz Kafka
“Obras Escolhidas” de Lewis Carroll
“Ódio, Amizade, Namoro, Amor, Casamento” de Alice Munro (Prémio Nobel da Literatura em 2013)

Caminho

“Vagas e Lumes” de Mia Couto

Antígona

“Contos Seleccionados” de Aldous Huxley
"A Vida e Opiniões de Tristam Shandy" de Laurence Sterne

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Em estado crítico: “O Jogo do Mundo (Rayuela)” de Julio Cortázar

“(…) beijaram-se e morderam-se ligeiramente porque as suas bocas não se reconheciam, beijavam bocas diferentes, procurando-se com as mãos numa teia infernal de cabelo suspenso.”

Julio Cortázar in “O Jogo do Mundo (Rayuela)”


Lemos livros. Muitos livros. De alguns só nos lembramos do título. De outros lembramo-nos como se os tivéssemos acabado de ler. Muitas vezes esquecemo-nos de quando os lemos, dos caminhos que percorremos com eles nas mãos, do ponto em que nos encontrávamos nas nossas vidas quando abrimos as suas primeiras páginas. Mas nunca poderemos esquecer os dias vividos ao lado de “O Jogo do Mundo (Rayuela)”, editado em Portugal pela Cavalo de Ferro, da descoberta de uma nova forma de ler, diferente de tudo, percorrendo um caminho projectado por Julio Cortázar sem que ele próprio soubesse ao certo a que destino nos faria chegar.

No começo do livro há uma pequena nota, com o título “Tábua de Orientação” e é aqui que Cortázar nos informa que o livro que vamos ler será construído por nós. Estamos numa bifurcação e dois caminhos apresentam-se perante nós: podemos ler os primeiros 56 capítulos do livro pela ordem apresentada e esquecermos os restantes 99 que Cortázar apelida de “Capítulos Prescindíveis” ou, em alternativa, propõe-nos seguir uma tabela idealizada por ele, em que o livro começa no capítulo 73 e termina no 151, sendo apresentado no final de cada capítulo aquele que deverá ser lido em seguida. Como resistir a uma proposta tão tentadora, à estranheza de ler um livro por uma ordem aparentemente desordenada? Sem pensar duas vezes, abri o livro no capítulo 73 e entrei no labirinto.

Na verdade a proposta de Cortázar não é totalmente caótica e aleatória, o que a sua tabela propõe é manter a sequência dos 56 capítulos principais, colocando entre eles os capítulos dispensáveis, que vão concedendo novas luzes interpretativas para o núcleo da história.

No início encontraremos Oliveira em Paris, entretido com Maga e um grupo de amigos intelectuais. Mais tarde Oliveira estará em Buenos Aires e apenas Talita e Traveler lhe restarão. Mas falemos de Maga, a mulher que causou em Oliveira uma impressão tão profunda. Maga era um elemento deslocado naquele grupo, não lhe permitindo a sua cultura acompanhar as muitas referências atiradas entre amigos, embora demonstre interesse por conhecer tudo e perceber aquilo de que se falava. Mas se Maga desejava ter a cultura de Oliveira, este inveja-lhe a capacidade de sentir. Maga experiencia o mundo sem reservas, rendendo-se espontaneamente ao legado dos sentidos, enquanto Oliveira procura perceber o sentido de tudo, um sentido que compreende transcender a razão, mas que ele procura racionalizando. Maga vive. Oliveira pensa.

Os impressionantes acontecimentos que levam à dissolução do grupo e à partida de Oliveira para Buenos Aires são uma procura desesperada pela capacidade de sentir. Oliveira atira-se contra tudo na esperança de derrubar a muralha que se construiu entre ele o mundo e que, nesse processo, o absurdo da existência se lhe revele. E por isso regresse a Buenos Aires, a sua casa, à procura de algo indefinível, junto de Talita e de Traveler.

Nos capítulos dispensáveis Cortázar fala-nos do escritor Morelli e deparamo-nos com o seu projecto de criar um livro de ordem variável, e é como se de repente o livro entrasse dentro do livro, e os limites entre realidade e ficção estivessem em causa, prática comum em Cortázar. Morelli dá-nos luzes sobre o próprio livro que Cortázar escreve. Diz-nos que procura no livro uma espécie de resposta energética, não narrativa, mas enunciada de forma narrativa. Suficientemente claro? Talvez não, mas talvez o que o enunciado pretenda é transmitir de forma narrativa a dimensão de absurdo de que Oliveira falava e que se encontra para lá da razão, numa espécie de impulso primitivo. Impulso primitivo que também se encontra no sexo entre Oliveira e Maga. Procuraria Oliveira nesse momento uma espécie de iluminação?

Uma pérola escondida nos capítulos dispensáveis é Ceferino e a sua proposta para a organização do mundo em categorias estanques, uma hilariante passagem que quem se limitar ao essencial perderá. Mas a teoria de Ceferino não é apenas um instrumento de diversão, conservando em si uma questão profunda sobre as convenções. Não serão todas as tentativas de categorização, todos os processos de profunda racionalização ridículos por definição? Haverá assim tanta diferença entre as propostas de Ceferino e as catalogações aceites pela sociedade? Mais uma vez, Cortázar não nos dá respostas.

E também no final não nos responde. Alude-se a uma cegueira, mas será pior a cegueira de quem vive ou a visão de quem procura as grandes respostas? A cegueira é um mal ou é uma bênção? O livro termina num movimento circular, como uma fita áudio que chegou ao fim e roda infinitamente sobre si mesma. Uma alegoria da vida?

O que tem “O Jogo do Mundo (Rayuela)” de especial? Cabe-vos a vós, a cada um dos leitores descobrir, encontrar as vossas perguntas e as vossas respostas no elaborado labirinto criado por Cortázar. Um labirinto que não é um mero exercício intelectual, mas o colocar numa forma a questão fundamental, a do sentido de tudo. Se é que esse sentido existe.


Classificação: 19/20

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Em estado crítico: “Gostamos Tanto da Glenda” de Julio Cortázar


Gostar é perigoso. Gostar pressupõe ter expectativas, conceber ideais com os quais se confronta a realidade. Mas acima de tudo gostar implica um investimento, uma entrega, o que poderá constituir uma fraqueza fatal. Com uma tendência natural para se preocupar com o lado emocional, Julio Cortázar explora nos 10 contos de “Gostamos Tanto da Glenda”, editado em Portugal pela Cavalo de Ferro, as enfatuações emocionais nas suas diversas formas e as suas consequências imprevisíveis.

Gostamos Tanto da Glenda, o conto que dá o nome ao livro, deixa uma mensagem clara: o amor pode ser uma porta para actos ignóbeis, quando o objecto do amor não se comporta de acordo com o que é esperado. Assim, passamos de um grupo de fãs de Glenda, uma famosa actriz, capaz de fazer tudo para que ela seja bem-sucedida, para de repente termos um grupo disposto a matá-la em nome desse suposto amor, para que não estrague a imagem de perfeição criada para si.

Um perigo diferente é o de Orientação dos Gatos, em que é o olhar frontal de Alana, a mulher amada que, juntamente com o do gato Osíris, gera um mal-estar, que se contrapõe ao deleite sentido pelo narrador quando vê Alana admirar quadros. Por um lado há uma questão de foco: quando Alana e o gato o olham forma-se uma unidade da qual ele não pode fazer parte, uma vez que ele não se pode olhar; por outro lado, ao olhar os quadro Alana tem uma atitude reactiva, a forma como age é suscitada pelo que lhe comunicam os seus sentidos e quando o olha a ele com entrega no olhar há uma racionalização, uma intenção de lhe enviar uma mensagem. O olhar frontal de Alana é por isso uma espécie de confrontação que pode levá-lo a questionar-se. E por vezes nem um olhar é necessário, basta ceder a um desejo latente para entrarmos em terrenos minados. Em Histórias que Me Conto, a realidade da ficção é posta em causa quando o narrador descobre que a fantasia sexual que inventou com Dília, uma amiga sua e da sua mulher, aconteceu na realidade mas com outro homem. Uma partida do acaso ou uma espécie de fenómeno místico?

O que conto que foge mais a esta lógica é Texto num Caderno, em que o controlo estatístico das entradas e saídas do metro revela uma surpresa: por vezes o número de pessoas que entram é superior ao das que saem e, outras vezes, o número das que saem é superior ao das que entram. O narrador entrega-se então, mas em vez de a um sentimento, entrega-se emocionalmente à descoberta do que se passa, colocando de lado a possibilidade de haver erros de medição e desenvolvendo uma teoria baseada em factos casuísticos e pouco claros de que há uma sociedade que vive no metro. E rapidamente essa teoria deixa de corresponder a um desejo de descobrir a verdade, para se converter numa obsessão.

Cortázar brinca com o leitor, diverte-se a questioná-lo, coloca-lhe puzzles à frente e desafia-o a resolvê-los. E há dois momentos no livro, os dois contos que se elevam sobre os outros, que são bons exemplos disso mesmo. História com Aranhas começa com um simples e aparentemente inofensivo relato dos dias de férias de duas pessoas que têm como vizinhas no seu bungalow duas jovens. Há desde o início uma grande tensão sexual, mas nunca há um contacto efectivo, há noites passadas na escuridão a ouvir barulhos, há a espera de um sinal, memórias de acontecimentos passados não muito claros. E no final… uma surpresa. Um desafio à percepção.

O outro momento é Recortes de Imprensa, em que também a realidade da ficção é questionada quando a personagem principal, uma escritora, vive uma situação que descobre depois ter sido descrita na imprensa dias antes. E mais uma vez nos questionamos: terá ocorrido um fenómeno paranormal? Ou a entrega da escritora à sua escrita é tal que há elementos da realidade com os quais contacta e que inconscientemente os converte em seus?

Julio Cortázar não nos dá respostas. Lança-nos cenários e espera que retiremos deles o que conseguirmos, que sejamos nós a criar uma ordem, se é que é possível fazê-lo. Ler “Gostamos Tanto da Glenda” é por isso uma entrega à reflexão, à admiração perante o absurdo com que nos deparamos, com todos os contos a terem algo que os inscreve na nossa mente, entretidos que estamos na procura de um sentido último para tudo.

Classificação: 17/20

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O Centenário de Julio Cortázar


“Acreditar que a acção podia preencher ou que o somatório das acções podia realmente equivaler a uma vida digna desse nome era uma visão moralista. Valia mais renunciar, porque a renúncia à acção era o próprio protesto e não a sua máscara.”

Julio Cortázar in "Rayuela" 


Em 1914, cerca de um mês depois da 1ª Guerra Mundial ter começado, nascia Julio Cortázar, perto de Bruxelas e longe da sua Argentina. Na verdade passaria parte significativa da sua vida longe do país a que chamava casa, tendo vivido em Paris desde 1951 até ao final da sua vida, em 1984.

Cortázar é um dos nomes cimeiros da literatura internacional do século XX, integrando nas suas obras um paradigma de literatura que sintetiza uma das principais características da sociedade actual: questionar, acima de tudo questionar. Cortázar questiona a forma, questiona o leitor, questiona os limites entre realidade e ficção, questiona os limites entre as diferentes ficções dentro das suas ficções. Ao lê-lo sentimos muitas vezes que vemos uma imagem dentro da imagem, mas não nos é claro qual é a imagem primordial. A obra de Cortázar é uma obra de descoberta, de um inteligente impacto emocional, porque Cortázar não caiu na armadilha de transformar a sua obra em teórica e distante do leitor.

Apesar da sua influência, Cortázar não é um nome devidamente reconhecido pelo grande público e muito menos o é em Portugal. Aproveitando o centenário do seu nascimento, que se comemorará no próximo dia 26, vou fazer uma série de posts sobre este autor, que culminará com uma crítica a “Rayuela”, a obra-prima de Cortázar.

E celebrar Cortázar em Portugal é sinónimo de celebrar o trabalho da Cavalo de Ferro, que se tem empenhado em publicar no nosso país a obra do autor, tendo este ano chegado às livrarias “Gostamos Tanto da Glenda” e “As Armas Secretas”. Até ao momento a Cavalo de Ferro publicou de Cortázar em Portugal:

 

Deixo-vos uma sugestão: a Fundação José Saramago dedica a edição deste mês da sua revista digital, a Blimunda, a Cortázar. Para terem acesso ao download da revista basta clicarem na imagem.


Espero-vos então nos próximos dias com a minha visão sobre Cortázar. Fiquem para já com as palavras de Pablo Neruda:

“Canta Cortázar su novena de imponente sombra argentina, en su iglesia de desterrado, y es difícil para los muchos el espejo de este lenguaje, que se pasea por los días cargado de besos veloces, escurriéndose como peces para brillar sin fin, sin par, en Cortázar, el pescador que pesca escalofríos”

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Cheiro a livro novo - Abril, Maio, Junho e Julho 2014


Ando a dever-vos, já há algum tempo, uma actualização relativamente a novidades editoriais. Passemos então em revista os últimos meses, mesmo a tempo das férias de Verão e de algumas compras de última hora.

Não será certamente surpresa que, na minha opinião, o grande lançamento editorial dos últimos meses nos chegou pelas mãos da Relógio D’Água que decidiu, finalmente, pegar na obra de Marguerite Duras e, duma vez só, editar “Moderato Contabile” e “Olhos Azuis, Cabelo Preto”. Infelizmente são dois livros que já tenho na minha biblioteca, mas é sempre bom ver Duras a voltar às livrarias.

Não satisfeita com este lançamento, a Relógio D’Água tem submergido os seus leitores numa torrente de grandes livros: os volumes VIII e IX dos contos de Tchékhov, “A Morte de Virgílio” de Hermann Broch num único volume, “Ressurgir” de Margaret Atwood e “Falsos Segredos” da Prémio Nobel Alice Munro, só para referir os principais. Com um conjunto de livros como este a Relógio D’Água continua a melhorar um catálogo que é de longe o melhor em Portugal. E a concorrência não parece ter pernas para acompanhá-la…

A Porto Editora, como já vos disse anteriormente, tem estado focada em Saramago, com as novas edições de alguns dos seus livros e também com a publicação de “Lanzarote – A Janela de Saramago”, que reúne fotos de João Francisco Vilhena com excertos dos “Cadernos de Lanzarote”. E, assinalando os quatro anos da morte de Saramago e os dois anos da revista online Blimunda, a Fundação José Saramago preparou uma belíssima edição especial em papel da Blimunda que reúne alguns dos principais artigos publicados nestes dois anos, assim como um artigo original. Eu já tenho a minha e digo-vos que vale mesmo a pena!

E por falar em coisas que valem mesmo a pena, os últimos meses da Tinta-da-China foram marcados por uma autora (e não, não estou a falar da Matilde Campilho). Depois do lançamento do inacreditavelmente bom “Tudo São Histórias de Amor”, tivemos Dulce Maria Cardoso em dose tripla, com os dois primeiros números da colecção juvenil “A Bíblia de Lôá” – “Lôá e a Véspera do Primeiro Dia” e “Lôá Perdida no Paraíso” – genialmente ilustrados por Vera Tavares e uma nova edição de “O Chão dos Pardais”, romance que valeu à autora o Prémio PEN Club em 2009. Para além disso, consta que vem aí uma nova edição de “Jacques, O Fatalista” de Denis Diderot, um dos grandes títulos da colecção de humor organizada por Ricardo Araújo Pereira. Praise the lord!

A Dom Quixote recuperou algum do seu vigor depois de meses de absoluto tédio. E assim chegaram até nós “Os Factos” de Philip Roth, o terceiro volume das “Obras Completas” de Urbano Tavares Rodrigues, “Contos Maravilhosos” do Prémio Nobel Hermann Hesse e o clássico “O Leopardo” de Giuseppe Tomasi di Lampedusa.

A Cavalo de Ferro apostou num Prémio Nobel pouco explorado em Portugal e publicou o ensaio “Massa e Poder” de Elias Canetti, continuando também a publicação de obras de Julio Cortázar com o volume de contos “As Armas Secretas”, preparando as comemorações do centenário do seu nascimento.

E terminemos em português, com a Quetzal, que nos trouxe uma nova edição de “Ernestina” de Rentes de Carvalho e um novo livro de José Eduardo Agualusa, “A Rainha Ginga”, que conta a história de uma mítica heroína Angolana.

Esperam-nos agora meses calmos até à rentrée em Setembro/Outubro, um dos pontos altos editoriais do ano. Pode ser que entretanto a Ahab regresse à vida, depois do destaque que teve no ano passado com a promessa de publicar em Portugal "A Minha Luta" de Karl Ove Knausgård e de, entretanto, não ter editado livro nenhum.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

A dependência dos livros - edição Abril de 2014


Foi um mês de grandes compras, quase todas elas com excelentes promoções. Algumas destas aquisições deixaram-me particularmente feliz, nomeadamente o “Facas” do Valério Romão, o único livro que me faltava deste autor, e “O Remorso de Baltazar Serapião” do Valter Hugo Mãe (sim, as maiúsculas foram intencionais), o primeiro deste autor a entrar na minha biblioteca.

Com a compra de “Molloy”, tenho neste momento todos os livros da célebre trilogia de Samuel Beckett, que começará a ser lida num futuro próximo. Ah, e claro que não me posso esquecer da “Biografia Involuntária dos Amantes” do João Tordo. Estive no lançamento do livro, na Fundação José Saramago e, roam-se de inveja, tenho-o autografado!

O mês fechou com chave de ouro com a ida a um alfarrabista (de onde saí com “Eugénia Grandet” do Balzac), com saldos na The Folio Society (que em conjunto com um vale me valeram uma deslumbrante edição do “Oliver Twist” do Dickens por tuta-e-meia) e uma vitória num passatempo do blogue O Planeta Livro (obrigado pelo “Os Transparentes” do Ondjaki!).

Deixo-vos com a lista completa das compras do mês:

A Rainha Inglesa de Portugal: Filipa de Lencastre”, Manuela Santos Silva, Círculo de Leitores
Biografia Involuntária dos Amantes”, João Tordo, Alfaguara
Eugénia Grandet” Balzac, Ediclube
Facas”, Valério Romão, Companhia das Ilhas
Molloy”, Samuel Beckett, Relógio D'Água
O Barril Mágico”, Bernard Malamud, Cavalo de Ferro
O Remorso de Baltazar Serapião”, Valter Hugo Mãe, Alfaguara
Oliver Twist”, Charles Dickens, Folio
Os Transparentes”, Ondjaki, Círculo de Leitores
“Rainhas de Portugal e Espanha: Margarida de Áustria, Isabel de Bourbon”, Pilar Pérez Canto, Esperanza Mó Romero, Laura Oliván Santaliestra, Círculo de Leitores

domingo, 30 de março de 2014

Cheiro a livro novo - Março de 2014


Março tem sido um mês interessante para os autores portugueses, com vários livros de grandes nomes a chegarem às livrarias. No espaço de poucas semanas a Tinta da China trouxe-nos “Tudo São Histórias de Amor” de Dulce Maria Cardoso, que reúne 12 contos de autora que, tendo em conta o desempenho na abertura da 1ª Granta portuguesa, prometem muito. Também a Sextante decidiu avançar com uma autora de peso e fez chegar às livrarias “Passagem” de Teolinda Gersão. E, como onde há duas há três, não é de estranhar que também a Dom Quixote tenha publicado um novo livro de Lídia Jorge, “Os Memoráveis”, mesmo a tempo das comemorações dos 40 anos do 25 de Abril, data também aproveitada pela Quetzal, que edita finalmente no nosso país “Portugal, a Flor e a Foice” de Rentes de Carvalho. Dois livros que se propõem rever os mitos do 25 de Abril. Uma verdadeira luta de editoras.

E por falar em luta de editoras, um dos grandes mistérios editoriais dos últimos tempos é a decisão da Relógio D’Água e da Presença (duas editoras em espectros profundamente opostos do mundo editorial, diga-se de passagem) de editarem em simultâneo “Doze Anos Escravo” de Solomon Northup. A sério?! Como se não houvesse livros suficientes no mundo para serem editados ou clássicos que há muito tempo desapareceram das livrarias. Sinto-me revoltado.

A Relógio D’Água prometia ter um mês interessante mas poucos livros viram para já a luz do dia, parecendo-me justo destacar “Sobre Literatura” de Umberto Eco. De resto, a Temas e Debates editou também este mês um ensaio sobre literatura que me parece muito interessante, “Génio - Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura" de Harold Bloom.

Para terminar, menção obrigatória à edição pela Presença de “Colheita” de Jim Crace, um dos finalistas da última edição do Man Booker Prize (que, a julgar pela capa, ninguém diria que não se trata de um livro de literatura light) e, pela Cavalo de Ferro, de “Gostamos Tanto da Glenda” de Julio Cortázar, um volume de contos nunca antes publicados em Portugal e que é um ponto de partida para as comemorações do centenário do autor, que se aproxima a passos largos.

segunda-feira, 24 de março de 2014

A dependência dos livros - edição Março de 2014


Este mês, graças a duas generosas iniciativas, o volume de livros que entrou na minha biblioteca pessoal foi bastante superior ao que pensava inicialmente. Por um lado, a campanha de oferta de livros da Presença valeu-me três livros, que normalmente custariam à volta de 70€, pelos quais paguei menos de 7€ em portes de envio. Excelente iniciativa esta, sem dúvida, que me permitiu finalmente comprar dois dos volumes da trilogia USA do John dos Passos e “As Meninas”, de Lygia Fagundes Telles.

A outra oportunidade que me deixou particularmente eufórico veio pela mão da Tinta da China, a respeito do lançamento do novo livro da Dulce Maria Cardoso, “Tudo São Histórias de Amor”, Quando feita a pré-encomenda do livro através do site da Tinta da China recebia-se gratuitamente um título à escolha de três opções da colecção de clássicos. Como já tinha o “O Livro da Selva”, fiquei na dúvida entre “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” e “A História de um Rapaz Mau” mas acabei por escolher este último.

Deixo-vos com a lista completa das compras do mês, mas não posso deixar de destacar o “Autismo” do Valério Romão, uma das compras que mais felicidade imediata me trouxe. Conto os dias pelo momento em que o lerei.

Autismo” de Valério Romão, Abysmo
Corre, Coelho” de John Updike, Civilização
Contos de Amor, Loucura e Morte” de Horácio Quiroga, Cavalo de Ferro
O Anão” de Par Lagerkvist, Antígona
O Grande Capital” de John dos Passos, Presença
1919” de John dos Passos, Presença
As Meninas” de Lygia Fagundes Telles, Presença
Tudo São História de Amor” de Dulce Maria Cardoso, Tinta da China
A História de um Rapaz Mau” de Thomas Bailey Aldrich, Tinta da China
O Inominável” de Samuel Beckett, Assírio & Alvim
“A Rainha Restauradora – Luísa de Gusmão” de Monique Vallance, Círculo de Leitores
“A Rainha Coleccionadora – Catarina de Áustria” de Annemarie Jordan, Círculo de Leitores

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Cheiro a livro novo - Fevereiro de 2014




E Fevereiro está a terminar e é altura de balanço. O frio que tem dominado as últimas semanas parece ter feito sentir os seus efeitos nas editoras que, para não gastarem muito calor, limitaram a sua acção ao essencial. Ou se estão a guardar os grandes lançamentos para a Feira do Livro de Lisboa, que se realizará entre 29 de Maio e 15 de Junho, ou então espera-nos um ano de indigência.

Comecemos, como é hábito, pela Relógio D’Água que, como habitualmente, continua a fazer os seus trabalhos de casa. E neste mês temos três obras de três mulheres premiadas:  “Vida Após Vida” de Kate Atkinson, vencedor do Costa Book Award 2013; Assim Para Nós Haja Perdão” de A. M. Homes, que conquistou o Women's Prize for Fiction 2013; e o único romance da incontornável Alice Munro, Prémio Nobel da Literatura 2013, Vidas de Raparigas e Mulheres”.

Na Sextante também se apostou num Prémio Nobel, mas bastante mais distanciado no tempo, continuando a edição de obras Aleksandr Soljenítsin, desta vez com “Zacarias Escarcela e Outros Contos”. Nunca me deixa de espantar a capacidade da Sextante para editar algo que ninguém estaria à espera.

Tem de ser referida também a publicação de “O Jogo de Ripper” de Isabel Allende, pela Porto Editora, embora mais uma vez o design do livro seja muito fraquinho. Isabel Allende é uma grande autora, disso não há dúvida, e a aposta da Porto Editora na sua obra é de louvar, mas a execução tem deixado bastante a desejar, o que é uma grande pena. Mas voltarei a esta questão num futuro próximo…

Este mês surgiram nas livrarias algumas obras de autores portugueses e lusófonos dignas de interesse. Uma delas é “A Experiência”, editada pela Cavalo de Ferro no âmbito do publicação das obras de Ferreira de Castro, e que é considerado um dos textos mais subversivos do autor. Outra é “Habitante Irreal” de Paulo Scott, uma premiada obra da literatura brasileira (vencedora do Prémio Machado Assis da Fundação Biblioteca Nacional 2012 e finalista dos prémios Jabuti e São Paulo de Literatura) trazida até nós pela Tinta da China. Por fim, e graças a um post de Maria do Rosário Pedreira, fiquei com muita vontade de ler “Livro Sem Ninguém” de Pedro Guilherme-Moreira, editado pela Dom Quixote, um dos finalistas do Prémio Leya 2012, que propõe algo original: contar uma história prescindindo das personagens, recorrendo apenas a objectos. Será que funciona?

E para terminar, com a não-ficção como de costume, a Antígona publica “Mary Shelley” de Cathy Bernheim, uma biografia da autora de “Frankenstein”, e as Edições 70 trazem-nos “Uma História da Violência” de Robert Muchembled, que pretende provar que a violência se encontra em decréscimo na sociedade desde o Séc. XIII. Interessante, sem dúvida.