quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A shortlist do The Man Booker Prize 2013



Dos 13 livros da longlist do The Man Booker Prize 2013, apenas 6 chegaram à shortlist. E daqui a pouco mais de um mês, a 15 de Outubro, a luta entre as grandes obras da literatura em inglês de 2013 chegará ao fim com o anúncio do vencedor, que alcançará a imortalidade e os escaparates das livrarias de todo o mundo.

Mas afinal o que têm estes livros de especial para merecerem tanta atenção e tamanha distinção? Porque para nós, que vivemos a meses ou anos de distância das novidades literárias internacionais, esta lista não nos diz grande coisa. Proponho-vos então telegráficas sinopses destes 6 livros. Em caso de emergência literária há sempre o The Book Depository ou a Bertrand (a editora do único livro desta lista publicado até ao momento em Portugal).



“A Tale for the Time Being” de Ruth Ozeki














Ruth descobre uma lancheira da Hello Kitty à beira-mar. No seu interior encontra um diário que revela as expectativas e medos de uma jovem rapariga, suspeitando que a lancheira ali chegou numa corrente de despojos do tsunami de 2011.



“Harvest” de Jim Crace














No decorrer de sete dias, Walter Thirsk vê a sua aldeia destruída: a colheita enegrecida por fumo e medo, as crianças cruelmente punidas e os seus vizinhos mantidos em cativeiro, sob suspeita de bruxaria. Mas algo ainda mais negro se encontra no centro da sua história e ele será o único que sobreviverá para contá-la…



“The Lowland” de Jhumpa Lahiri














Desde as primeiras memórias de Subhash, em cada momento, o irmão estava por perto. Nas suburbanas ruas de Calcutá pelas quais deambulavam antes do anoitecer e nos charcos de jacintos em que brincavam por horas sem fim, Udayan estava sempre ao lado do seu irmão. À medida que os dois irmãos crescem, as suas vidas, outrora tão unidas, começam a afastar-se.



“The Luminaries” de Eleanor Catton














Estamos em 1866 e Walter Moody vai para a Nova Zelândia como garimpeiro de ouro, em busca da sua fortuna. Ao chegar depara-se com uma tensa reunião de doze homens locais, que se juntaram em segredo para discutirem uma série de crimes por resolver. Um homem rico desapareceu, uma prostituta tentou suicidar-se e uma enorme fortuna é encontrada na casa de um desafortunado bêbedo.




“O Testamento de Maria” de Colm Toibin














O livro conta a história de um cataclismo que gerou um luto ímpar. Para Maria, o seu filho está perdido para o mundo, e agora, vivendo amedrontada no exílio, tenta reunir as memórias dos acontecimentos que resultaram na sua morte brutal.



“We Need New Names” de Noviolet Bulawayo














Darling e os seus amigos Stina, Chipo, Godknows, Sbho e Bastard costumavam ter casas em condições, com quartos e mobílias reais, mas agora todos vivem numa barraca chamada Paraíso. Sonham escapar para outros paraísos - América, Dubai, Europa. Mas se fugirem encontrarão nessas novas terras tudo aquilo que desejam?

(as sinopses apresentadas baseiam-se na informação divulgada no site do The Man Booker Prize)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O que é que a Granta tem? “Intervencionados” de Hélia Correia





Saramago disse uma vez que Agustina aceitava tudo o que lhe surgia na escrita. Não era um elogio. O mesmo poderia ter dito sobre Hélia Correia se tivesse lido “Intervencionados”, o conto que escreveu para a Granta.

Os olhos esforçam-se por focar o texto, que frase após frase, deambula sobre temáticas diversas, formando uma torrente de palavras que afastam a mente das páginas. De repente já nem sabemos muito bem do que é que Hélia Correia fala, e ela tem alguma noção disso, já que sente necessidade de justificar o “luxo da deriva”, argumentando que o “eu”, tema central do seu conto e do 1º número da Granta, está em toda a parte. Poderá estar, mas um luxo como a deriva paga-se caro, paga-se com o sacrifício de leitores.

No final deste pequeno conto (que parece ser grande, tal a cadência de ideias articuladas) há uma tentativa de história. Tímida e pouco construída. Há ali um vislumbre de algo interessante mas que nunca se concretiza. Não chega.

Afinal, de que “eu” nos fala Hélia Correia? Sinceramente, não sei, mas também não fiquei com muita vontade de descobrir. Tentarei fazer as pazes com Hélia Correia lendo, algures no futuro, “Lillias Fraser” e talvez então perceba o quão injusto fui.

sábado, 7 de setembro de 2013

Discurso Directo: A genialidade em George Steiner


"Only a very great artist can say everything without saying anything."
(George Steiner no programa "O Belo e a Consolação", quando se preparava para editar "Errata")

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O que é que a Granta tem? "Memórias do Filho de um Contrabandista" de Saul Bellow



 

Facto: Saul Bellow é um dos escritores mais importantes do século XX, mais que não seja porque escreveu “Herzog”, “As Aventuras de Augie March” e “Henderson, O Rei da Chuva”, todos eles inseridos em diferentes listas de melhores livros (da Time e da Modern Library, por exemplo). E já agora, porque ganhou o Pémio Nobel da Literatura. Facto: o conto que a Granta nos apresenta da sua autoria, “Memórias do Filho de um Contrabandista”, não está à altura do nome que o escreveu.

É um texto sem sabor. Começamos a ler e a história parece interessante: os esforços de um pai, imigrante russo judeu, para singrar no Canadá, dedicando-se a vários negócios destinados ao fracasso. Mas algo falha redondamente na forma como a história é contada. Há um enorme desapego para um conto de um filho a falar do pai, há uma quase frieza, uma entediante placidez de discurso. E esperamos que aquela história chegue a algum lado, mas não chega, parece que enveredámos por uma rua sem saída e que chegamos ao fim e ficamos no carro a olhar para a parede.

Uma nota final esclarece as razões do insucesso deste conto. Na verdade Saul Bellow tinha começado a escrever um romance com o mesmo nome, mas abandonou o projecto (sábia decisão!). Anos depois, os responsáveis da Granta, tendo acesso ao manuscrito, acharam que daria um conto interessante. E, nessa tentativa de transformar algo numa coisa que não é, criou-se um conto vazio, que parece pobrezinho ao lado do do Valério Romão.

Compreendo a decisão de incluir numa revista de literatura um conto de um Prémio Nobel. Pudessem todas as revistas ter essa hipótese! Mas a verdade é que este conto não deixará boas recordações aos leitores da Granta. Esperemos que o do Orhan Pamuk seja melhor.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Paraíso dos livros: The Folio Society




As paredes do paraíso estão forradas com os livros da The Folio Society. E enquanto anjos rechonchudos, de cachos louros, cantam hinos de salvação e deleite, nós, almas privilegiadas, ficamos deitados nas nuvens, apenas com uma túnica de influência grega a tapar as vergonhas e pouco mais, a ler os livros, em êxtase, contemplando as inigualáveis ilustrações. E assim morrer valerá a pena!

Os livros da The Folio Society são o paradigma do livro perfeito. Um catálogo diversificado, criteriosamente seleccionado por um painel de especialistas, em que cada livro é encarado como uma obra-prima, não poupando cuidados com a fixação dos textos, com a escolha dos materiais, dos ilustradores, dos tipos de letras. Tudo é feito para que cada livro seja uma experiência artística. 

E basta visitar o site da The Folio Society para comprovar os resultados de tal filosofia. Uma edição luxuosa atrás de outra e uma ansiedade e desejo de compra que vai crescendo, crescendo, até que encomendar um livro a mais de 100 libras de um autor que não conhecemos se torna em algo profundamente plausível.

Para além das edições normais, que já são luxuosas, há ainda as edições limitadas. Limitadas porque o número de exemplares é reduzido e porque quase ninguém dá tanto dinheiro por livros. Quanto acham que custa este livrinho aqui em baixo, o “Gulliver’s Travels” do Jonathan Swift? Uma pista: mais de um ordenado mínimo nacional (é dose!). 
Por momentos as edições das obras completas do Camilo Castelo Branco da Lello Editores, a mais de 50€ o volume, parecem algo em conta... Uma coisa é certa: neste Natal vou oferecer-me livros da The Folio Society. Estou actualmente a realizar castings.
 

Como comprar uma pilha de livros com apenas 10€



A Cotovia anunciou, há pouco mais de uma semana, uma mega promoção para o mês de Setembro. Prometiam 320 títulos do catálogo a preços entre 1€ e 10€. Como bom comprador, preparei-me. Vasculhei o catálogo no site, cruzei-o com listas de melhores livros, e saí ontem de casa munido com uma folha A5 escrita dos dois lados.

Fui para a livraria ao final da tarde com dúvidas. Pensei “isto parece bom demais para ser verdade” e contava chegar lá e, como muitas vezes acontece em mega promoções, ver livros que não interessam a ninguém a preços muito baixos e tudo o que interessa a preço normal. Estava enganado. Quando comecei a ver a estante dos livros a 1€ não demorei muito a ter 3 livros na mão. Resultado: 6 livros comprados e 13€ gastos!

Se querem comprar alguns livros e estão com o orçamento apertado, têm até final de Setembro para tirar partido deste autêntico delírio literário. Aproveitem  um final de tarde de dia de semana ou as tardes de Sábado e visitem a loja da Cotovia, uns metros acima do Teatro da Trindade. O catálogo da Cotovia é muito bom, embora alguns dos nomes não sejam à partida muito sonante. Mas, se pesquisarem um pouco, vão encontrar livros muito bem referenciados a preços indecorosos (vi por lá bastantes livros que custam 20 e tal euros marcados a 4€, ah pois é!).

Para os mais impacientes, aqui fica uma lista de alguns livros de destaque da Cotovia e que estão nesta promoção.

Colecção Outono-Inverno


Uma das colecções de referência da Cotovia que reúne livros em que a velhice e a morte são as personagens principais. De destacar “A Cerimónia do Adeus” de Simone Beauvoir, sobre a fase final da vida de Sartre, e “Mortes Imaginárias” de Michel Schneider, que apresenta em tom leve os últimos momentos de 36 escritores famosos. Ambos a 5€, estando vários títulos desta colecção a 1€.

Curso Breve de Literatura Brasileira


Quem gosta de literatura brasileira sabe que o catálogo da Cotovia é excepcional, encontrando-se nesta colecção alguns dos seus principais escritores. Por apenas 4€ pode-se agora comprar livros de 5 autores incontornáveis: “S. Bernardo” de Graciliano Ramos, “A Menina Morta” de Cornélio Penna, “Os Ratos” de Dyonélio Machado, “O Amanuense Belmiro” de Cyro dos Anjos e “Teatro Desagradável” do polémico Nelson Rodrigues. Se fizerem uma pesquisa por melhores livros brasileiros, facilmente encontram estes livros mencionados.

Prémios Nobel


A Cotovia tem vários livros de prémios Nobel, nomeadamente na excelente colecção de teatro (Eugene O’Neill e T.S. Eliot), mas não encontrei estes livros na promoção. Mas não desesperem: têm o “Gatos e Mais Gatos” da Doris Lessing a 5€ e, principalmente, o “Paisagem com Inundação” do Iosif Brodskii a 3.5€ - único livro deste prémio Nobel editado em Portugal.