Por norma não comento os vídeos e deixo que o escritor fale por si. Mas esta entrevista tem um conjunto de características que a tornam única: um entrevistador ousado, um entrevistado que não o quer ser e a evocação da eternidade numa praia em que um continente acaba.
Vi estas imagens pela primeira vez durante os tempos de faculdade, quando a SIC emitiu a série "O Belo e a Consolação". As marcas que em mim se formaram naquele momento permanecem até hoje. Coetzee fica nu perante a câmara, com um olhar vazio, repleto de contenção e desconforto. Muito desconforto. Um desconforto tão grande que nos deixa ansiosos, mas que ao mesmo tempo nos seduz.
Só ouso propor-vos que percam mais de 1 hora do vosso tempo porque esta entrevista é provavelmente uma das melhores horas de televisão que vi na minha vida. Por volta das 4 da manhã. Algures durante os tempos de faculdade.
E leiam "A Idade do Ferro" (editado em Portugal pela Dom Quixote). Não é uma sugestão, é uma súplica. Para vosso bem.