terça-feira, 26 de maio de 2015

O dia em que Margaret Atwood me deu um autógrafo


Há uns tempos falei-vos do projecto Future Library, que vai desafiar 100 escritores, ao longo de 100 anos, a escreverem livros que serão guardados numa biblioteca em Oslo, ao mesmo tempo que numa floresta crescem 100 árvores que daqui 100 anos serão utilizadas para produzir o papel em que os livros serão impressos e finalmente dados a conhecer ao público. Margaret Atwood teve a honra de ser a escritora escolhida para dar início ao projecto e hoje foi o dia em que o seu manuscrito foi oficialmente entregue.

Para assinalar este dia marcante, a Future Library organizou um passatempo na página de Facebook, em que o prémio era um exemplar exclusivo da capa do livro de Margaret Atwood em versão digital, autografada pela escritora e por Katie Paterson, a artista que concebeu o projecto. Pois bem, a sorte esteve do meu lado e, tal como outras 49 pessoas, tive a honra de receber a minha capa hoje por email e não pude resistir a partilhá-la convosco.

Tenho uma capa autografada de um livro que nunca poderei ler. E esta hein?

Comprem 3 livros e paguem apenas 2 com os Momentos Wook


Numa semana de pura excitação literária, com a Feira do Livro de Lisboa a aproximar-se a passos largos, a Wook decidiu acalmar-nos o desejo lancinante por grandes promoções de livros e oferecer-nos uma nova edição dos Momentos Wook.

A proposta é simples: entre mais de 1 milhão de livros identificados com o símbolo da promoção (!), escolham 3 e o mais barato é oferecido. Esta promoção é apenas válida para hoje, 26 de Maio, e estará disponível até às 23h59, estando limitada a 3 livros de oferta por encomenda.

Uma dica: para aproveitarem melhor a promoção, percam um pouquinho de tempo e escolham 3 livros de preço idêntico. Assim gastam o menos possível, levando de oferta um livro de maior valor.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

APEL lança votação para a Livraria Preferida de Portugal


A tradição ainda é o que era e a APEL mantém um dos seus rituais pré-Feira do Livro, apelando aos portugueses para que votem na sua livraria favorita, através de um questionário disponibilizado no site da associação.

O meu voto normalmente vai para a Pó dos Livros, mas este ano a minha eleita não poderia ser outra que não a livraria do Sr Teste na Sociedade Guilherme Cossoul. Um espaço acolhedor, um livreiro que é um confidente de devaneios literários e livros que pensámos nunca poder vir a ter e que nos vêm parar às mãos por preços muito acessíveis. Quem ainda não passou por lá que se esconda de vergonha e passe um dia em jejum a ler Marguerite Duras, para purificar a alma.


No ano passado a vencedora foi a Cabeçudos, uma livraria lisboeta vocacionada para o público infanto-juvenil. Este ano, quem sabe quem será a vencedora? Saberemos todos no dia 12 de Junho, em plena êxtase de Feira do Livro.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O que é que a Granta tem? “Várias Versões de Uma Catástrofe” de José Gardeazabal


Num inspirado tom confessional, uma jovem rapariga revela-nos o impacto que dois acontecimentos quase simultâneos tiveram na sua vida: o aparecimento o período e a descoberta de que tinha diabetes. A bem da verdade, o impacto não é mencionado, mas sim inferido por aquilo que é dito. No centro está o sangue, a pequena gota que é analisada por causa da doença, e a torrente que a natureza expele do seu corpo.

É num líquido também, mas em água em vez de sangue, que um homem japonês flutua, arrastado pela corrente, enquanto um jovem grava tudo, naquilo que adivinhamos ser o cenário de uma catástrofe natural. A narradora vê obcecadamente o vídeo que eterniza este momento e desenvolve uma relação de proximidade com o jovem japonês, como se os dois assistissem impotentes às manifestações do poder da natureza nas suas vidas.

José Gardeazabal domina na perfeição o fluxo de consciência que o tom confessional exige, manipula o ritmo de forma exemplar, com uma cadência de frases que nos submerge numa história original e misteriosa e um final com margem de sobra para múltiplas interpretações. Uma estreia auspiciosa para José Gardeazabal.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Bem-vinda Elsinore


Em 2015, a literatura regressa a casa. É esta a promessa que a Elsinore nos tem feito de há uns meses para cá, quando a sua página de facebook surgiu e com ela um conjunto algo enigmático de posts, muitos deles com mensagens relacionadas com “You Are Welcome to Elsinore”, o famoso poema de Mário Cesariny e, coincidentemente, um dos meus favoritos.

Mas só agora o mistério se dissipa e a Elsinore começa a ganhar forma perante os nossos olhos. Nova chancela da 20|20 Editora, a Elsinore promete-nos literatura de qualidade, de todos os géneros, épocas ou regiões. Para já, em 2015, estão previstos 10 livros, o 1º dos quais será “A Eterna Demanda”, o romance inédito da Prémio Nobel Pearl S. Buck. João Gilberto Noll, múltiplo vencedor do Jabuti (o mais conceituado prémio da literatura brasileira) estreia-se em Portugal com “Lorde” e em Junho chegarão às livrarias “Escravas do Poder” de Lydia Cacho (o 1º livro de não-ficção da Elsinore) e “Na Presença de Um Palhaço” de Andrés Barba. E os outros 6? Bom, teremos de esperar por mais novidades.

Se a criação da identidade da editora em torno do poema de Cesariny já era um bom sinal, os primeiros títulos anunciados revelam uma aposta clara na alta literatura, com escolhas criteriosas e pouco óbvias. Pearl S. Buck, apesar de Prémio Nobel, é uma autora praticamente esquecida pelas nossas editoras. É verdade que no passado suscitou o interesse da Livros do Brasil e da Texto Editores, mas recentemente apenas “Terra Abençoada” foi editado pela Clube do Autor (sem que no entanto se tenha importado em publicar os restantes 2 volumes da trilogia). Portanto, não é propriamente uma escolha óbvia e não será isenta de risco, embora conte com o impulso de ser uma obra inédita recentemente descoberta.

Da minha parte, espero ansiosamente por mais novidades e alegra-me ver que não só há uma preocupação com a escolha dos livros a editar, como também com a componente gráfica. Livros bons e bonitos, que mais podemos pedir? Até ao momento, tudo parece correr bem, resta-nos esperar que os leitores exigentes encontrem na Elsinore uma nova casa.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Contando contos de Edgar Allan Poe: “Von Kempelen e a Sua Descoberta”


Que Poe gosta de um bom embuste não é novidade para ninguém, ou não fosse este o terceiro exemplar do género nos quatro contos que li de "Todos os Contos", publicado pela Temas e Debates. Mas não, desta vez não são épicas viagens de balão, valha-nos isso. O cenário é até bastante caseiro e relaciona-se com uma figura clássica do género fantástico: o alquimista.

Num artigo publicado no jornal “The Flag of Our Union”, Poe relata a descoberta de Von Kempelen, que foi bem-sucedido na sua tentativa de transformar chumbo em ouro. Numa altura em que uma enchente de aventureiros invadiu a California a meio do século XIX em busca de ouro, naquela que ficou conhecida como a California Gold Rush, Poe relativiza o valor do ouro argumentando que, perante o feito (fictício) de Von Kempelen, se tornava num metal precioso de importância secundária, menos valioso do que a prata.

Na verdade, nem Von Kempelen fabricou ouro, nem este artigo merece mais do que o estatuto de “curiosidade”na obra de Poe. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cheiro a livro novo – Abril de 2015



Em Abril houve motivos para sorrir. As editoras arregaçaram as mangas, fizeram frente à inconstância climática e trouxeram-nos boas novidades e reedições.

Comecemos pelos grandes clássicos. A propósito da comemoração dos 50 anos da editora Dom Quixote, eis que chegou às livrarias uma nova edição de “Dom Quixote de La Mancha” de Cervantes. E já vos ouço a dizer: “Outra edição do livro?! Não temos já a maravilhosa edição de capa dura da Relógio D’Água?! Porque nos deveria interessar esta edição?!” A resposta está no preço – apenas 10€. E em muitos sites (na Leya Online e na Wook, por exemplo) ainda tem 10% de desconto, ficando portanto por apenas 9€.

Mas há mais clássicos a marcar o mês. “Sensibilidade e Bom Senso” de Jane Austen mereceu uma nova edição da Relógio D’Água e a Tinta-da-China fez regressar ao convívio dos leitores portugueses “Viagem à Volta do Meu Quarto” de Xavier de Maistre, mais um volume da colecção de Literatura de Viagens coordenada por Carlos Vaz Marques.

Movendo-nos um pouco no tempo chegamos às grandes obras do século XX e a Cavalo de Ferro marcou pontos com a publicação de “Bestiário”, uma das obras centrais de Julio Cortázar. Mas a nova Livros do Brasil não lhe ficou atrás e de uma assentada lançou novas edições de “Piloto de Guerra” de Antoine Saint-Exupéry e de “O Velho e o Mar” e “A Taça de Ouro”, respectivamente dos Prémios Nobel Hemingway e Steinbeck.

E por falar em Prémio Nobel, chegou também em Abril às livrarias, pela mão da Porto Editora, o mais recente livro de Patrick Modiano, intitulado “Para que não te percas no bairro”. Destaque ainda para o primeiro romance de grande fôlego em vários anos de Kazuo Ishiguro, publicado pela Gradiva com o título “O Gigante Enterrado”.

Em termos de literatura portuguesa, não há muito para dizer, apenas que a Companhia das Letras publicou o novo romance de João Tordo, “O Luto de Elias Gro”.

Na não-ficção, para terminar, dois Prémios Nobel: “A Conquista da Felicidade” de Bertrand Russell, publicado pela Relógio D’Água, e “Eu Não Venho Fazer um Discurso” de Gabriel García Márquez, pela Dom Quixote.

Maio é o mês do começo da Feira do Livro de Lisboa, portanto é tradicionalmente um mês de muitas novidades. Mal podemos esperar!